Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo
Apolitiquion da Transfiguração:
Transfigurastes-vos sobre o monte, ó Cristo Deus,
mostrando vossa glória a vossos discípulos, conforme puderam. Fazei brilhar
também sobre nós, pecadores, vossa luz eterna, pela intercessão da Mãe de Deus.
Ó distribuidor da luz, glória a Vós.
Condaquion da Transfiguração:
Transfigurastes-vos
sobre o monte, ó Cristo Deus, e vossos discípulos contemplaram, como puderam, a
vossa glória; a fim de que, ao Vos verem crucificado, compreendam que vossa
paixão foi voluntária e anunciem ao mundo que sois realmente o resplendor do
Pai.
A liturgia de hoje
comemora a festa da Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo. Dos
Evangelistas é São Mateus que refere por minúcias esse fato admirável da vida
de Nosso Senhor.
Os Santos Padres
ocupam-se muito do mistério da Transfiguração de Nosso Senhor, principalmente
São Crisóstomo, que escreveu coisas admiráveis sobre o mesmo assunto. O que se
segue, são pensamentos daquele Santo Padre, como os propôs aos ouvintes,
explicando o evangelho do dia de hoje.
Nosso Senhor, tendo
falado muitas vezes da sua Paixão e Morte, profetizara aos Apóstolos
perseguição e morte cruel; tendo-lhes dado mandamentos positivos e severos,
quis mostrar-lhes a magnificência e glória com que voltará no fim do mundo,
provar e revelar-lhes, já nesta vida sua majestade, para animá-los e
confortá-los nas tristezas presentes e futuras.
São Mateus (cap. 17,
1-13) escreve, contando o fato da Transfiguração: "Seis dias depois,
(isto é, depois da predição de sua Paixão e Morte) Jesus tomou a Pedro, Tiago e
a João". Um outro Evangelista (Lucas 9, 28) diz: "Oito dias
depois". Não há contradição entre os dois, porque este conta o dia em que
Jesus cursou perante os Apóstolos e o dia em que subiu o monte Tabor, quando
São Mateus conta apenas os dias que estão entre estes dois fatos. Reparamos
também a modéstia de São Mateus, que menciona os Apóstolos que mais do que ele,
foram honrados por Nosso Senhor. Nesse ponto, segue o exemplo de São João, que
minuciosamente refere os elogios com que Jesus distinguiu a Pedro.
Jesus tomou os
chefes dos Apóstolos e levou-os a um monte, a sós. E transfigurou-se
diante deles. Resplandeceu-se-lhe o rosto como o sol, e os vestidos tornaram-se
brancos como a neve. Por que motivo Nosso Senhor levou só estes três
Apóstolos? Porque ocuparam um lugar saliente entre os demais. Pedro
salientava-se pelo amor a Jesus; João era o mais querido de Nosso Senhor e
Tiago por causa da resposta que juntamente com o irmão dera ao Divino
Mestre: "Nós beberemos o cálice". E não só por causa desta resposta,
como também em virtude das suas obras, que provaram a verdade daquela asserção.
Era tão odiado pelos judeus, que Herodes, para ser-lhes agradável, o mandou
matar. Por que razão, disse Nosso Senhor aos Apóstolos: "Em verdade vos
digo: alguns de vós aqui presentes não verão a morte, enquanto não tiverem
visto o Filho do Homem em sua glória?" (Mt. 16, 28). Com certeza
para lhes estimular a curiosidade de ver aquela visão, da qual lhes falava e
enchê-los do desejo de ver o Mestre rodeado da glória divina.
"Eis que lhes
apareceram Moisés e Elias, falando com Ele". Por que apareceram
essas figuras do Antigo testamento? Há diversas razões que explicam esta
circunstância. A primeira é esta: Porque entre o povo dizia-se que Jesus
era Elias, Jeremias ou um dos profetas do Antigo testamento, ficar-lhes-ia
patente a grande diferença que existia entre o servo do Senhor, e que bem
merecido fora o elogio que coube a São Pedro, por ter chamado Filho de Deus a
Nosso Senhor. Segunda razão: Repetidas vezes inimigos de Nosso
Senhor o acusavam de blasfêmias, da pretensão de dizer-se Filho de Deus"
(Jo 9, 33). Estas acusações eram frequentes e como
proviessem de inveja, quis Nosso senhor mostrar que não transgredira a lei e
nenhuma blasfêmia proferira, dizendo-se Filho de Deus. Para este
fim, Jesus fez aparecer dois profetas de maior destaque. De Moisés era a
lei, e não era admissível que justamente Moisés distinguisse com sua presença o
transgressor da mesma que era Jesus Cristo, na opinião dos judeus. Elias, o
grande zelador da honra de Deus, por seu turno, nunca teria honrado com
sua presença a Jesus Cristo se este de fato não fosse o filho de deus. Um
terceiro motivo seria este: Aparece um profeta que morreu e um outro que
não sofreu a morte. Esta circunstância devia fazer compreender aos discípulos,
que seu Mestre é o Senhor da vida e da morte, e seu reino é no céu e na terra.
Um quarto motivo, o próprio Evangelista menciona: Para mostrar a glória da cruz
e para animar os pobres Apóstolos, na triste previsão de sofrimentos. Os dois
profetas falaram da glória, que na cruz seria manifesta, em Jerusalém;
(Lc 9, 31), isto é, da sua Paixão e Morte.
Se Nosso Senhor levou
consigo estes três Apóstolos, foi também porque deles havia de exigir uma
virtude mais apurada que dos outros. "Quem quer seguir-me, tome a
sua cruz e siga-me". Os dois profetas do Antigo Testamento eram homens
que, pela lei de Deus e pelo bem do povo, estavam sempre prontos a deixar a
vida. Ambos, Elias e Moisés, usaram da máxima franqueza na presença de tiranos,
este diante do Faraó, aquele diante de Achab; ambos se empenharam em favor de
homens rudes e ingratos; ambos foram quais vítimas de malícia daqueles, a
que mais benefícios dispensaram; ambos trabalharam para exterminar a idolatria entre
o povo. Tanto um como o outro desprezavam a riqueza. Moisés e Elias eram
pobres e viviam num tempo, em que os grandes servidores de Deus não possuíam o
dom de fazer grandes milagres. É verdade que Moisés dividiu as águas do
mar; Pedro, porém, andou sobre as ondas, expulsou maus espíritos, curou muitos
doentes e transformou a face da terra. É verdade que Elias ressuscitou um
morto; os Apóstolos, porém, chamaram muitos mortos à vida, no tempo em
que ainda não tinham recebido o Espírito Santo. Jesus Cristo faz aparecer
estes dois profetas, para apresentá-los aos discípulos, como modelos de firmeza
e constância; como Moisés devem ser mansos e humildes; iguais a Elias, deviam
ser zelosos e incansáveis; como ambos, prudentes e circunspectos. Elias passou
fome durante três anos, por amor ao povo. Moisés disse a deus:
"Perdoai-lhes os pecados e exonerai-me ou se assim não quiserdes, extingui
meu nome do vosso livro". Tudo isso Jesus faz lembrar aos Apóstolos
mostrando-lhes, em misteriosa visão, a glória de Elias e Moisés.
Propondo-lhes Elias e
Moisés como modelos, a imitação dos mesmos ainda não é o ideal, que Jesus
Cristo quer ver nos Apóstolos. Quando estes disseram: "Senhor, se
assim quiserdes, chamaremos fogo do céu, que destrua esta cidade",
talvez assim falaram lembrando-se de Elias, que de tal forma procedeu. Jesus,
porém, respondeu-lhes: "Não sabeis de que espírito sois". (Lc 9, 55).
Queria assim ensinar-lhes, que é melhor sofrer uma injustiça, quando se perceberam
graças maiores. Não quer isto dizer que Elias não fosse santo e perfeito. Elias
vivera num outro tempo, em que a humanidade, atrasada ainda na cultura, carecia
de meios educativos mais fortes. O campo de ação dos Apóstolos não devIa ser o
Egito, a terra de Moisés, mas o mundo inteiro; não era ao Faraó que haviam de
contradizer, mas aceitar a luta do demônio, o tirano da maldade, vencê-lo e
desarmá-lo.
E não o conseguiram
dividindo as águas do mar. A tarefa era, armando-se do ramo de Jessé, dividir
as águas furiosas do oceano da impiedade. Reparemos bem as quantas coisas
não amedrontaram os Apóstolos: a morte, privações e mil martírios não menos os
intimidaram, que aos Judeus e o Mar Vermelho e as hostes de Faraó; mas
Jesus, seu Mestre, levou-os a tal grau de perfeição que não hesitaram em
aceitar tudo. Para torná-los capazes de uma missão tão difícil, apresentou-lhes
os dois grandes heróis do Antigo Testamento.
"Senhor, bom é
estarmos aqui", disse São Pedro a Jesus. Ouvindo as referências à
Paixão e Morte do querido Mestre, o coração encheu-se de temor; mas desta
vez, faltando-lhe a coragem de dizer: "Longe de ti estas coisas",
formulou os receios nas palavras já mencionadas. O monte onde se achavam, bem
longe de Jerusalém, já era a seu ver uma garantia; fazendo ainda três
tendas para lá morar, dispensava perfeitamente a viagem a Jerusalém e removido
o perigo do Mestre cair nas mãos dos inimigos. "Bom é estarmos aqui",
com Elias, que chamou fogo sobre a montanha; com Moisés, que falou com Deus no
cimo do monte - ninguém sabe que aqui estamos. Quem não descobre nestas
palavras a profunda e sincera amizade de São Pedro ao Mestre? Os
Evangelistas, referindo-se às palavras de São Pedro, dizem: "Não
sabia o que falava, pois tão atônito de medo se achava" (Mc 9, 5 e Lc
9,33).
Falando ainda, eis que
uma nuvem os envolveu. Não era noite, era dia claro. A luz, o esplendor assombrava-os
e atônitos caíram de rosto por terra. Qual foi a atitude de Cristo? Nem ele,
nem Elias, nem Moisés, disseram coisa alguma. Mas da nuvem saiu a voz daquele
que é a Verdade. Por que da nuvem? Porque deus sempre fala da nuvem.
"Rodeado está de nuvens e trevas" (Sal 96, 2). "O Filho do
Homem vem entre as nuvens" (Dan 7, 13). Saindo a voz da nuvem, não
lhes restava dúvida que era a voz de Deus.
E eis que uma voz do meio
da nuvem disse: "Este é meu Filho muito amado, em quem me
agradei; ouví-o". No monte Sinai Deus publicou ameaças contra o
povo. Aqui se via uma nuvem branca e lúcida. Pedro tinha falado em três tendas.
Deus, porém, mostrou uma única tenda, não feita por mão de homem;
daí a circunstância da aparição de uma luz claríssima e a audição de uma voz.
Para não deixar dúvida sobre a pessoa em questão, Elias e Moisés desapareceram
e a voz disse: "Este é meu filho muito amado". Se é Ele o
amado, o medo de Pedro é infundado. Embora já devesse estar convencido da
divindade do Mestre, embora não tivesse dúvida da sua futura ressurreição,
Pedro ainda é vacilante em sua fé. Ouvindo agora a voz confirmante do
Eterno Pai, deviam desaparecer-lhe os temores e as dúvidas. Se Ele é o Filho
muito amado, o Pai não o abandonará. É seu amado, não só por ser seu filho, mas
também por Lhe ser igual. "Nele achei meu agrado", quer
dizer, pois: Ele é meu agrado, minha alegria, porque, como Filho, é igual ao
Pai, é regido pela mesma vontade, é um com ele eternamente. Ouví-o.
R E F L E X Õ E S
Felizes os Apóstolos que
foram achados dignos de ver o Divino Mestre com tanta glória e magnificência.
Se quisermos, poderemos também ver o mesmo Jesus, não como os Apóstolos
no monte Tabor, mas numa glória incomparavelmente maior - naquele dia em que
virá com toda glória e majestade, rodeado dos Anjos e Santos do Céu.
Todos os homens hão de ver como Ele virá sobre as nuvens. Julgando a todos dirá
aos que se acharem à direita: "Vinde, benditos de meu Pai, pois eu
estava faminto e vós me destes de comer" (Mt 25, 34). E aos outros dirá:
"Muito bem, servo fiel e bom: pois que foste fiel em pouco,
confiar-te-ei maiores bens; entra no gozo do contentamento do teu Senhor!"
(Mt 25, 33). A outros, porém, dirá: "Afastai-vos de mim,
malditos, e ide para o fogo eterno, que foi preparado para o demônio e
seus anjos". E ainda: "Servo mau e preguiçoso" (Mt
25). E serão entregues aos algozes e, atados as mãos e os pés, atirados
às trevas exteriores. Os justos, porém, fulgirão como o sol, ou mais do que
ele. Aquele dia será o horror para os maus. Não carece de
documentos, de provas, de testemunhas; o eterno e justo Juiz supre tudo
isso. Ele é acusador, testemunha e lançador da sentença.Tudo sabe, nada lhe é
incógnito. Naquele dia não haverá ricos e pobres, fracos e poderosos,
protegidos e protetores - persistirão somente os fatos em toda a nudez, em toda
a realidade. As máscaras hão de cair, e a verdade aparecerá em toda a
clareza.
Afastemos de nós as
vestes imundas do pecado, armemo-nos com as armas da luz, pratiquemos o bem e a
glória de Deus nos revestirá.
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EPIFANIA DO SENHOR
Apolitiquion da Festa
Em vosso batismo no Jordão, Senhor, foi manifestada a adoração da Trindade; pois a voz do Pai prestou-vos testemunho, chamando-vos Filho bem-amado; e o Espírito, sob forma de pomba, confirmou a verdade desta palavra. Ó Cristo Deus que Vos manifestastes e iluminastes o mundo, glória a Vós.
في إِعْتِمادِكَ يا رَبُّ في نَهْرِ
الأُرْدُن، ظَهَرَ السُّجُودُ لِلثَالُوث. فَإِنَ صَوتَ الآبِ كَانَ يَشْهَدُ
لَكَ، مُسَمِّياً إِيَّاكَ إِبْنَاً مَحْبُوبَاً. و الرُّوحُ بِهَيئَةِ حَمَامَةٍ
يُؤَيِدُ حَقِيقَةَ الْكَلِمَة. فَيا مَنْ ظَهَرَ وَ أَنَارَ الْعَالَمْ، اَيُهَا
الْمَسِيحُ الإِلَهُ الْمَجْدُ لَك.
Hipacoi da Festa
Quando pela vossa epifania, iluminastes todas as coisas, o mar salgado da impiedade fugiu e o Jordão voltou para trás, levando-nos para o céu. Pela intercessão de vossa Mãe, ó Cristo Deus, guardai-nos na sublimidade de vossos mandamentos divinos e salvai-nos.
Condaquion da Festa
Hoje, Senhor, manifestastes-vos ao universo, e vossa luz brilhou sobre nós, que conhecendo-vos, Vos cantamos: Viestes, aparecestes, ó Luz inacessível.
الْيَومَ ظَهَرتَ لِلْمَسْكُونَةِ يَا
رَبْ، وَ نُورُكَ قَدِ إِرْتَسَمَ عَلينا، نَحْنُ مُسَبِّحِيكَ عَنْ مَعْرِفَة.
لَقَدْ أَتَيْتَ وَ ظَهَرْتَ أَيُهَا النُّورُ الذِّي لَا يُدْنَى مِنْهُ.
BÊNÇÃO SOLENE DAS ÁGUAS
A voz do Senhor faz-se ouvir sobre as águas, dizendo: Vinde, todos, receber o espírito de sabedoria, o espírito de inteligência, o espírito de temor de Deus, do Cristo que se manifestou. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém. Após ter tomado, Senhor, a forma de servo, vieste ao chamado daquele clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor. Pedistes o batismo, Vós que não conhecestes o pecado. As águas vos viram e foram tomadas de espanto; o Precursor pôs-se a tremer e exclamou: Como pode a lamparina iluminar a Luz? Como pode o servo impor as mãos ao senhor? Santificai-me, Senhor, assim como as águas, Vós que tirais os pecados do mundo.
SÚPLICAS
S- Para esta água seja santificada pela virtude, ação e vinda do Espírito Santo. Oremos, ao senhor.
S- Para que nela seja depositada a graça da redenção e a bênção do Jordão, oremos ao Senhor.
S- Para que desça nesta água a virtude purificador da Santíssima Trindade, oremos ao Senhor.
S- Para que sejamos iluminados pela luz da sabedoria e da piedade, provenientes da decida do Espírito santo, oremos aos Senhor.
S- Para que esta água se transforme em proteção contra todas as insídias dos inimigos visíveis e invisíveis, oremos ao Senhor.
S- Para que sejamos livres de toda aflição, ira, perigo e necessidade, oremos ao senhor.
S- Porque sois um Deus misericordioso e amigo dos homens, nós Vos rendemos glória, Pai, Filho e Espírito santo, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.
S- Sois grande, Senhor, e vossas obras são maravilhas, e não há palavra capaz de cantar os louvores de vossas maravilhas (3x). Pois, por vossa vontade, tirastes todos os seres do nada para a existência; por vosso poder conservais a criação e por vossa providência governais o mundo. De quatro elementos compusestes o universo; coroastes com quatro estações o ciclo do anos. Diante de vós tremem as potências inteligíveis. O sol louva-vos, a luz glorifica-vos, as estrelas cumprem as vossas determinações; a luz obedece-vos, os abismos tremem na vossa presença, as fontes estão a vosso serviço. Estendestes o Céu como uma abóbada, firmastes a terra sobre as águas, munistes o mar de uma muralha de areia; fizestes correr o ar para a respiração. Os exércitos angélicos servem-vos; os coros dos Arcanjos adoram-vos; os Querubins de múltiplos olhos e os serafins de seis asas, ficando em círculo e voando, escondem-se de medo de Vossa Glória inacessível. Pois, ó Deus eterno, incircunscritível e inefável, viestes à terra e tomastes uma forma de escravo, tornando-vos semelhante aos homens; não suportastes, ó Senhor, em vossa grande piedade, ver o gênero humano tiranizado pelo demônio, mas viestes e nos salvastes. Cantamos vossa graça; proclamamos vossa misericórdia; não ocultamos vossa bondade.
Libertastes nossa descendência; santificastes o seio virginal por vossos nascimento. Toda a criação vou louvou, quando aparecestes sobre a terra e ficastes com os homens. Santificastes também o curso do Jordão, enviando do Céu vosso Espírito sobre ele, e esmagando as cabeças do dragão que nele estavam escondidas. Vós, pois, ó Rei amigo dos homens, vinde agora também e por vosso Espírito Santo santificai esta água (3x).
Dai-lhe a graça da redenção e a bênção do Jordão. Fazei-a fonte de incorruptibilidade e dom de santificação. Dai-lhe a virtude de perdoar os pecados, de curar as enfermidades, de afugentar os demônios; tornai-a inabordável às potências adversas e cheia de força angélica. Que todos aqueles que dela tirarem e beberem, encontrarem nela a purificação de suas almas e de seus corpos, a cura de suas paixões, a santificação de suas casas e um socorro útil para toda necessidade. Pois sois nosso Deus, Vós que renovastes pela água e pelo Espírito Santo nossa natureza vencida pelo pecado; sois nosso Deus, Vós que afogastes o pecado na água e salvastes Noé; sois Nosso Deus, Vós que libertastes da escravidão de Faraó o povo judeu, conduzido por Moisés através do mar; sois nosso Deus, Vós que fizestes sair água da pedra, no deserto, de modo que dela correram torrentes, e assim destes a beber a vosso povo sedento; sois nosso Deus, Vós que preservastes Israel do erro de Baal pelo ministério de Elias e por meio da água e do fogo. Agora, Senhor, Vós mesmo, santificai esta água por vosso Espírito Santo (3x). Dai a todos aqueles que dela tomarem ou beberem ou com ela se lavarem, a santificação, a saúde, a purificação, a bênção; a fim de que os elementos, os homens, os anjos, as coisas visíveis e invisíveis glorifiquem vosso nome Santo, com o Pai e o Espírito Santo, agora, sempre e pelos séculos dos século. Amém.
S. Paz a todos. T. E a teu espírito.
S. Inclinai vossas cabeças ante o Senhor.
T- Diante de Vós, Senhor.
S- Senhor, abaixai vosso ouvido e atendei-nos, vós que descestes no Jordão para ser batizado e santificastes as águas; abençoai-nos todos, que, pela inclinação de nossas cabeças, vos prestamos a nossa sujeição; tornai-nos dignos de ser cheios de vossa santificação, pela recepção desta água e sua aspersão, seja ela par nós, Senhor, saúde de alma e do corpo. Porque sois a santificação de nossas almas e nós vos rendemos glória, ação de graças e adoração, assim com o vosso Pai e o vosso Espírito Santo, bom e vivificante, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. T. Amém.
Comemoremos, fiéis, a grandeza dos benefícios de Deus para conosco: tornando-se homem no momento de nosso erro, operou, no Jordão, nossa purificação.
Vós, o único puro e imaculado, santificai-me assim como as águas, esmagai nestas águas as cabeças dos demônios.
Irmãos, tomemos da água com alegria, porque a graça do Espírito Santo é dada invisivelmente aos que dela tomam com fé, por cristo Deus, o salvador de nossas almas.
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São
Sebastião, defensor da Igreja
Defensor da Igreja como soldado, como capitão e
também como apóstolo dos confessores, daqueles que eram presos.
O santo de hoje nasceu em Narbonne; os pais eram
oriundos de Milão, na Itália, do século terceiro. São Sebastião, desde cedo,
foi muito generoso e dado ao serviço. Recebeu a graça do santo batismo e zelou
por ele em relação à sua vida e à dos irmãos.
Ao entrar para o serviço no Império como soldado,
tinha muita saúde no físico, na mente e, principalmente, na alma. Não demorou
muito, tornou-se o primeiro capitão da guarda do Império. Esse grande homem de
Deus ficou conhecido por muitos cristãos, pois, sem que as autoridades
soubessem – nesse tempo, no Império de Diocleciano, a Igreja e os cristãos eram
duramente perseguidos –, porque o imperador adorava os deuses. Enquanto os
cristãos não adoravam as coisas, mas as três Pessoas da Santíssima Trindade.
Esse mistério o levava a consolar os cristãos que
eram presos de maneira secreta, mas muito sábia; uma evangelização eficaz pelo
testemunho que não podia ser explícito.
São Sebastião tornou-se defensor da Igreja como
soldado, como capitão e também como apóstolo dos confessores, daqueles que eram
presos. Também foi apóstolo dos mártires, os que confessavam Jesus em todas as
situações, renunciando à própria vida. O coração de São Sebastião tinha esse
desejo: tornar-se mártir. E um apóstata denunciou-o para o Império e lá estava
ele, diante do imperador, que estava muito decepcionado com ele por se sentir
traído. Mas esse santo deixou claro, com muita sabedoria, auxiliado pelo
Espírito Santo, que o melhor que ele fazia para o Império era esse serviço;
denunciando o paganismo e a injustiça.
São Sebastião, defensor da verdade no amor
apaixonado a Deus. O imperador, com o coração fechado, mandou prendê-lo num tronco
e muitas flechadas sobre ele foram lançadas até o ponto de pensarem que estava
morto. Mas uma mulher, esposa de um mártir, o conhecia, aproximou-se dele e
percebeu que ele estava ainda vivo por graça. Ela cuidou das feridas dele. Ao
recobrar sua saúde depois de um tempo, apresentou-se novamente para o
imperador, pois queria o seu bem e o bem de todo o Império. Evangelizou,
testemunhou, mas, dessa vez, no ano de 288 foi duramente martirizado.
São
Sebastião, rogai por nós!
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Ordem de São Basílio Magno -
OSBM
São Basílio é o legislador das regras da Ordem
Breve histórico da Congregação:
As normas da Ordem, remontam o século IV, quando São Basílio Magno,
estabeleceu e legislou e compôs as regras da vida monástica que, até hoje, são
observadas pelos monges da Igreja Oriental.
Pessoalmente, fundou o primeiro convento para homens, cuja
direção foi, mais tarde, entregue a seu
irmão, São Pedro de Sebaste. A essa fundação, seguiram-se outras e
cresceu consideravelmente o número de conventos. Foi nesta época, que São Basílio escreveu
obras belíssimas sobre a vida religiosa, tornando-se o pai do monaquismo
na Igreja Oriental. Sua vida era regida por uma austeridade, que causava
admiração a todos. Ele,
fundador da Ordem, era a regra viva, dando a todos os religiosos o
exemplo de todas as virtudes monásticas.
São Basílio, este grande doutor da Igreja, nasceu em
330, na cidade de Cesaréia, na Capadócia, como o mais velho de quatro
irmãos, dos quais três alcançaram a dignidade episcopal. De cinco irmãs,
a mais velha, Macrina, dedicou a sua vida a Deus.
Os pais do nosso Santo, Basílio e Emélia, eram ricos e
gozavam de grande estima. Criança ainda, Basílio foi acometido de
grave doença, da qual a oração do pai maravilhosamente o curou.
Entregue aos cuidados de sua avó, Macrina, recebeu Basílio as
primeiras instruções na prática cristã. Mais tarde, começou os
estudos em Cesaréia, contemplando o curso em Constantinopla onde se ligou a São
Gregório Nazianzeno em íntima amizade. Quando voltou a Cesaréia,
estava morto já o pai. O exemplo e as palavras animadoras
da avó Macrina, confirmaram-lhe o desejo de abandonar o mundo e levar uma
vida de penitência e abnegação. Neste intuito, visitou
diversos eremitas no Egito, Síria, Palestina e Mesopotâmia, voltando para
cesaréia com disposição ainda maior de realizar esse plano. O bispo
Diânio, conferiu-lhe o leitorado. Diânio, embora fiel à Religião
Católica, por umas declarações feitas nos concílios de Antioquia e
Sárdica, fez com que a ortodoxia fosse posta em dúvida. Basílio,
profundamente entristecido com esse fato e para não se expor e
perder a fé, com grande pesar se separou do bispo, a
quem dedicava grande amizade, e dirigiu-se para Ponto, onde a santa
mãe e uma irmã tinham fundado um convento para donzelas cristãs.
Basílio, imitando o exemplo, tornou-se fundador de um convento
para homens, cuja direção foi, mais tarde, entregue a seu irmão, São
Pedro de Sebaste. A essas duas fundações, seguiram-se outras e cresceu
consideravelmente o número de conventos no Ponto. Foi nesta época, em que
Basílio escreveu obras belíssimas sobre a vida religiosa, compôs a regra
da vida monástica, que até hoje é observada pelos monges da Igreja
Oriental.
São Basílio assim se tornou o pai do monaquismo na Igreja
Oriental.
A vida de São Basílio era regida por uma austeridade, que causava
admiração a todos. Ele, fundador da Ordem, era a regra viva,
dando a todos os religiosos o exemplo de todas as virtudes monásticas.
Era tão magro que parecia só pele e osso. Aos 49 anos já era velho.
Entretanto, fraco de corpo, era um herói de
espírito.
O bispo Diânio, estando gravemente enfermo, mandou chamar para perto de
si o santo amigo. Sucedeu-lhe no bispado Eusébio, de quem
Basílio recebeu o presbiterato, com a ordem de pregar.
Basílio continuou a vida austera, como se estivesse no meio dos
confrades. Como, porém, a fama de santIdade e
sabedoria do santo servo de Deus, começasse a incomodar e irritar ao bispo
Eusébio, Basílio retirou-se para a solidão. Não podiam ficar
desapercebidos os sentimentos rancorosos de Eusébio, o qual, intimado
pelas reclamações e ameaças do povo, tratou de reabilitar o suposto
êmulo. A insistente propaganda do Arianismo, a calamidade pública,
provocada por uma grande carestia, a direção de diversos conventos
de ambos os sexos, tornaram necessária e imprescindível a presença de
Basílio em Cesaréia.
Os serviços que naquela ocasião prestou à população, quer como
pregador, quer como confessor e esmoler, foram tantos que o
próprio bispo, de desafeto que era, se lhe tornou um dedicado amigo e nada
fazia, sem antes se aconselhar com Basílio.
Eusébio morreu em 370 e teve por sucessor Basílio, o qual,
como arcebispo de Cesaréia, veio a ser um astro luminoso da Igreja
Oriental. Cumpridor dos deveres episcopais, modelo exemplaríssimo em
todas as virtudes, era Basílio um baluarte fortíssimo do catolicismo contra os
contínuos e rudes ataques da heresia ariana, cujos defensores mais
ardentes e poderosos se achavam nas imediações do imperador Valente, o
qual, por sua vez, era adepto fanático da seita. Valente
não podia de bons olhos, observar o desenvolvimento grandioso que a
arquidiocese de Cesaréia tomava, sob a direção do santo pastor. Uma
comissão imperial, chefiada pelo valente capitão Modesto, seguiu com ordens
especiais para Cesaréia, para por um paradeiro à atividade apostólica de
Basílio.
O êxito dessa missão foi tão humilhante para os emissários, que maior
não podia ser. Com todas as instruções de que eram portadores, com todas
as lisonjas e ameaças, com todas as argumentações sutis e
sofísticas, não puderam impedir que o espírito, a inteligência, a
coragem e a intrepidez do santo arcebispo, se
mostrassem de uma superioridade admirável. Em três audiências, para
as quais convidaram Basílio, este respondeu com tanta mansidão,
clareza e energia, que no relatório que apresentaram ao imperador, confessaram
redondamente a derrota.
Valente, em conseqüência desse fracasso, não mais importunou os
católicos. Por ocasião da festa da Epifania foi ele mesmo a Cesaréia
assistir ao Santo Sacrifício celebrado por Basílio. Tão admirado ficou da
majestade e esplendor da santa função que, embora não se
atrevesse a receber a Santa Comunhão das mãos do
arcebispo, foi com os fiéis fazer oferenda, a qual, aceita por
Basílio que, por motivos de prudência, julgou conveniente dispensar, por
esta vez, o rigor das leis disciplinares da Igreja. Valente
caiu em si e começou a tratar os católicos com mais clemência e
tolerância.
Não estavam com isto de acordo alguns palacianos, os
quais lançando mão de todos os meios, conseguiram, por
fim, um decreto que ordenava a expatriação de Basílio. No dia em
que devia ser executada a iníqua sentença, caiu gravemente enfermo
o único filho do imperador, e no estado de saúde da imperatriz se deram
manifestações alarmantes de perturbações sérias. Entre dores e desesperos,
dizia ela ao imperador que não havia dúvida tratar-se de um justo
castigo de Deus.
Basílio foi reabilitado e com grandes honras recebido no palácio
imperial. Valente prometeu ao arcebispo a educação do príncipe
herdeiro na religião Católica, se lhe alcançasse Deus o restabelecimento do
mesmo. De fato, o príncipe sarou, mas o imperador, não cumprindo depois a
palavra, teve o desgosto de perder o filho. Recomeçaram, então,
as maquinações contra Basílio. Estava lavrada a ata,
que ordenava o exílio do arcebispo. Três vezes, o imperador se dispôs
a dar-lhe assinatura e três vezes, quebrou-se-lhe a pena. Assustado com
este fato, Valente tomou do papel e, com a mão trêmula, rasgou o
documento. Nunca mais se abriu campanha contra o santo.
Modesto fez as pazes com Basílio. Um outro oficial,
Eusébio, que tinha dado ordem de prisão ao bispo, retirou-a diante
da atitude ameaçadora do povo, em defesa de seu pastor.
À tempestade, seguiu a bonança. Basílio pôde com
tranqüilidade e paz, dedicar-se aos trabalho do apostolado. O ano de 379
trouxe-lhe a recompensa do céu. As últimas palavras que disse,
foram: “Senhor, em vossas mãos restituo minha alma”. Morreu
com 49 anos de idade. Figura entre os quatro grandes doutores da Igreja
do Oriente.
Reflexões
São Basílio não hesitou em abandonar o próprio bispo Diânio, quando este
começou a travar relações com os hereges. “No meio de maus e perversos,
será mau e perverso igualmente” (II Re 22-27). Quantos exemplos não
provam a verdade desta palavra do Espírito Santo.
Referimos apenas dois: Salomão, o monarca mais sábio do seu
tempo, afastou-se do caminho de Deus, fazendo-o rodear de
mulheres pagãs, cujas divindades chegou a adorar. Dina, impedida
pela curiosidade, foi ter com as filhas de Cana (idólatras) e voltou
desonrada, causando esta desonra a morte de muita
gente. Que diz a experiência dos nossos dias? Não são muitos
os católicos que perderam a fé, devido à relações que tiveram
com seitas estranhas e ímpios? Quantas donzelas, quantos jovens
choram amargamente a perda da inocência, resultado da liberdade que
se permitiram, com pessoas do outro sexo? Que foi que perverteu o
moço, filho de família honrada, a ponto de ser objeto de desprezo
de todos que o conhecem? Unicamente a má companhia. Que levou
o esposo, antes exemplar, a atentar contra a santidade do matrimônio,
senão a companhia de maus elementos?
A vida e o exemplo de São Basílio ensinam-nos que devemos
fugir, como da peste, da influência maligna de más companhias. Um
olhar indiscreto fez com que Davi, o homem segundo o coração de Deus, caísse em
pecados gravíssimos, tornando-se adúltero e assassino. Somos nós
mais santos que Davi, mais sábios que Salomão?
Oração de São Basílio nosso Padroeiro:
Ó glorioso São Basílio, cuja voz
ressoou pela terra como um ensino dogmático, vós que explicastes a natureza dos
seres e embelezastes os costumes dos homens, pedi a Deus pela salvação de
nossas almas. Ó Basílio, difusor dos celestes mistérios e base inabalável da
Igreja, confirmai-nos em nossos ensinamentos com aquela autoridade de vossa
doutrina, para que, vencendo todas as dificuldades, alcancemos, a
graça de que
precisamos (Fazer o pedido) e,
salvos e amparados, possamos louvor a Deus, cantando vossas glórias na vida e
na eternidade. Amém, São Basílio, rogai por nós.
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Circuncisão
de N. S. Jesus Cristo
Ao
Rei dos Santos, ao autor de toda a justiça e santidade, a Nosso Senhor e
Salvador Jesus Cristo é dedicado o primeiro dia do novo ano. A Igreja celebra
neste a memória da Circuncisão de Nosso Senhor, mistério que, com diz São
Bernardo, merece nossa admiração e amor. O Evangelho relata o acontecimento do
modo seguinte: “Oito dias depois de nascido, circuncidaram o menino e deram-lhe
o nome de Jesus; nome, que o Anjo já lhe tinha dado antes de concebido”.
Quatrocentos anos antes da promulgação da lei mosaica, Deus tinha prescrito a
circuncisão a Abraão e seus descendentes. Devia ser: 1) o selo da aliança feita
entre Deus e Abraão e seus filhos; 2) a confirmação das promessas que Deus
fizera a Abraão, ao pai dos fiéis; 3) o sinal distintivo dos judeus, no meio
dos infiéis.
A Circuncisão era o sacramento principal e
mais necessário do Antigo Testamento. Era a condição essencial da incorporação
ao Povo eleito de Deus. Há Santos Padres que comparam com o batismo,
reconhecendo nela um símbolo da purificação do pecado original e da
santificação pela graça de Deus. (São Tomás de Aquino). Jesus Cristo, o supremo
legislador, o Santo dos Santos, descendente de Abraão, não de modo natural, mas
por obra do Espírito Santo, não estava sujeito à lei da Circuncisão. O desejo
de dar-nos um exemplo de humildade e obediência fez com que se sujeitasse à
dura determinação mosaica.
A
Circuncisão desarma a argumentação dos maniqueus e de outros hereges, que
negavam em Jesus Cristo a existência de um corpo real, igual ao nosso.
Revestindo-se
a nossa natureza, seu sofrimento não foi imaginário, mas real, como o de nós
todos. A Circuncisão removeu todas as dificuldades, que os judeus podiam
levantar contra a dignidade de Messias, negando-lhe a filiação de Abraão, da
família do qual, segundo a divina promessa, o Salvador havia de descender. Pelo
seu exemplo veio Jesus Cristo mostrar, que não tinha intenção de abolir, mas
cumprir a antiga lei. Finalmente é a Circuncisão uma prova de amor a nós, uma
revelação do desejo de sofrer por nós. A Circuncisão nos é garantia da
salvação, que Jesus Cristo mais tarde ia realizar e realizou no altar da cruz.
Além disto queria Nosso Senhor dar um exemplo de paciência e humildade aos
pecadores, mostrando-lhes que, sendo o Senhor de todos, se humilha à condição
de pecador, sofrendo na carne inocente as dores mais pungentes. Menino ainda,
pelo exemplo, convida-nos à imitação, como mais tarde nos chama a si, dizendo:
“Aprendei de mim. Eu vos dei um exemplo, para que façais como tenho feito”.
(Jô. 13, 15).
São
Lucas, que de todos os evangelistas é o que mais pormenoriza as circunstâncias
do nascimento de Nosso Senhor, quase nada diz sobre a Circuncisão. Não diz o
lugar onde a mesma se realizou, nem menciona a pessoa que a executou. É,
entretanto, bem motivada a opinião de Santo Epifânio e de outros Santos Padres,
segundo a qual Jesus Cristo foi circuncidado no estábulo que o viu nascer e
onde recebeu a visita dos Reis Magos. Da Sagrada Escritura sabemos que a
Circuncisão, não sendo do ofício sacerdotal, de ordinário era praticada pelo
pai da criança. Abraão, que não era sacerdote, circuncidou a Ismael e os filhos
dos seus empregados; Sephora, que era mulher, circuncidou o próprio filho.
Assim sendo, é provável que a Circuncisão de Nosso Senhor tenha sido feita por
São José.
Costume
era dos judeus darem à criança o nome por ocasião da Circuncisão. O Arcanjo São
Gabriel, portador da celeste mensagem, anunciara à Maria Santíssima o nome de
seu divino Filho: “Eis que conceberás – disse o Anjo – e dareis à luz um filho,
a quem poreis o nome de Jesus”. Como razão disto, o Anjo acrescentou: “Ele
remirá seu povo dos pecados”.(Mt. 1. 21). O nome de Jesus significa,
pois: Salvador. Outros homens célebres, antes de Jesus Cristo, eram chamados
Salvadores, como Josué, Josedech, Gedeão e Sansão. Eram todos salvadores do seu
povo, mas num sentido mui restrito.
Só
a Jesus Cristo, nascido da Virgem Imaculada, compete o título pleno de Salvador
do mundo, que por Ele foi resgatado, a preço do Seu Divino Sangue.
Entre
os Santos Padres, são principalmente São Bernardo, São Bernardino de Siena e
São Boaventura, que tecem os maiores elogios ao Santíssimo Nome de Jesus,
enaltecendo-lhe o poder e magnificência. São Paulo, em referência a este Santo
Nome, já dissera, que “o Nome de Jesus é acima de todos os nomes; que ao
Nome de Jesus todo joelho se dobre no céu, na terra e nos infernos” (Fil.
2, 9). O próprio Cristo dá-nos uma idéia do poder do seu Nome,
afirmando-nos que alcançaremos do Pai tudo o que lhe pedirmos em seu Nome.
Falando nas grandes obras que serão feitas em virtude de seu Nome, acrescenta:
“Em meu Nome expulsarão demônios, falarão novas línguas, manusearão serpentes e
se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal; porão as mãos sobre os
enfermos e sararão”.(Mc. 16, 17-18).
Os
Santos tiveram um grande respeito e profunda veneração ao Santíssimo Nome de
Jesus. Era-lhes conforto nas lutas, consolo nas tribulações, escudo contra os
inimigos da alma. Nas epístolas de São Paulo, mais de duzentas vezes, se
encontra o Nome de Jesus. Os Apóstolos julgaram-se muito honrados, em poderem
sofrer alguma coisa por amor ao Nome do divino Mestre. Santo Estevão antes de
exalar o espírito, exclamou ainda: “ Senhor Jesus, recebei meu espírito !”(At.
7, 58).
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Santa
Macrina, a Jovem Virgem
Macrina
era a mais velha dos dez filhos de São Basílio Maior [São Basílio Maior era pai
de São Basílio, o Grande, irmão de Santa Macrina e Santa Emelia]. Nascida em
Cesaréia da Capadócia, por volta do ano 330, Macrina foi educada com especial
esmero por sua mãe que lhe ensinou a ler e acompanhava cuidadosamente suas
leituras. O livro da Sabedoria e os Salmos de Davi eram as suas obras
preferidas, mas, nem por isso, descuidava de suas tarefas domésticas e de seu
trabalho de fiação e costura. Aos doze anos, foi prometida em casamento, mas tendo
seu noivo morrido repentinamente, Macrina recusou-se a aceitar qualquer outra
proposta de casamento para dedicar-se a ajudar sua mãe na educação dos irmãos
mais jovens. São Basílio, o Grande, São Pedro de Sabaste, São Gregório de Nissa
e os outros irmãos de Macrina, aprenderam dela o desprendimento das coisas
deste mundo, o temor à riqueza e o amor à oração e à Palavra de Deus. Diz-se
que São Basílio teria retornado de seus estudos um tanto quanto envaidecido, e
que sua irmã lhe teria ensinado a humildade. Macrina foi «pai, mãe, guia,
mestra e conselheira» de seu irmão mais novo, São Pedro de Sebaste, pois o pai,
São Basílio, o Maior, morreu pouco depois do nascimento de seu último filho.
Depois da morte do pai, São Basílio instalou sua mãe e sua irmã numa casa às
margens do rio Íris. Ali as duas mulheres, mãe e filha, se entregaram
exclusivamente à prática de uma vida ascética, juntamente com outras
companheiras.
Com a
morte se Santa Emélia, Macrina repartiu sua parte da herança entre os pobres e
passou a viver do trabalho de suas mãos. Se irmão, Basílio, morreu no início do
ano 379 e, nove meses mais tarde, Macrina ficou gravemente enferma. Quando São
Gregório de Nissa foi visitá-la, depois de nove anos longe, encontrou Macrina
num leito de tábuas. O santo ficou consolado ao ver com que alegria sua irmã
suportava os sofrimentos e impressionou-se com o fervor com que se preparava
para a morte. Macrina exalou seu último suspiro ao entardecer, com uma
expressão de alegria em sua face. A pobreza na qual vivia era tal que, como
mortalha, não dispunha senão de um velho vestido de tecido grosseiro. São
Gregório, porém, providenciou uma túnica de linho para esta finalidade. O bispo
do lugar, de nome Arauxio, dois sacerdotes e o próprio São Gregório conduziram
suas exéquias e, durante o cortejo funerário cantaram-se os hinos dos Salmos.
Uma grande multidão se juntou para a despedida de Macrina e suas lamentações
chegavam a perturbar a cerimônia fúnebre.
No
Diálogo sobre a alma e a Ressurreição, num panegírico dedicado ao monge
Olímpio, São Gregório deixou registrada a biografia de sua irmã Macrina, rica
em detalhes sobre suas virtudes, sua vida e sobre a morte e sepultamento da
Santa. Nele o Santo fala dos milagres: o primeiro, quando Macrina teve sua
saúde restabelecida após sua mãe ter traçado sobre ela o sinal da cruz; o
segundo, quando a Santa curou uma menina filha de um militar, de uma
enfermidade das vistas. São Gregório acrescenta:
«Creio
que não será necessário repetir aqui todas as maravilhas que contam os que
conviveram com ela e a conheceram de perto… Por incríveis que possam parecer
estes milagres, posso vos assegurar que, aqueles que tiveram oportunidade de
estudá-los exaustivamente, os consideram como tais. Só os homens carnais se
recusam a crer e os consideram impossíveis. Assim, pois, para evitar que os
incrédulos sejam castigados por negarem a realidade desses dons de Deus,
preferi me abster aqui de repetir essas maravilhas sublimes…»
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São
Camilo de Léllis, servia a Cristo na pessoa do doente
Nasceu no ano de 1550 na Itália. Filho de pai
militar, também seguiu essa carreira, mas não pode prosseguir devido a um tumor
em um dos pés. Recorreu ao hospital de São Tiago em Roma, onde viveu sua
compaixão pelos outros doentes.
Porém, ele deu um ‘sim’ ao pecado, entregando-se ao
vício do jogo, onde perdeu tudo e ficou na miséria total. Saiu do hospital
devido o seu temperamento. Foi de hospital em hospital para cuidar de sua
ferida, até bater na porta dos franciscanos capuchinhos e ali quis trabalhar na
obra de Deus.
Com 25 anos começou o seu processo de conversão. No
hospital em Roma, Deus suscitou nele a santidade de ver nos doentes a pessoa de
Cristo e também o carisma dos ‘Camilianos’. Camilo também viveu uma bela
amizade com São Felipe Néri.
Entrou para os estudos, foi ordenado sacerdote, e
vendo a realidade dos peregrinos de Roma, que não tinham uma assistência médica
digna, foi brotando nele o carisma de servir a Cristo na pessoa do doente, do
peregrino. E muitos se juntaram a ele nessa obra. Em cada sofredor está a
presença do Crucificado.
São Camilo partiu para o céu em 1614.
São Camilo de Léllis, rogai por nós!
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CORPUS CHRISTI
“Da hóstia consagrada
começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração…”
No final do século XIII
surgiu em Lieja, Bélgica, um Movimento Eucarístico cujo centro foi a Abadia de
Cornillon fundada em 1124 pelo Bispo Albero de Lieja. Este movimento deu origem
a vários costumes eucarísticos, como por exemplo, a exposição e bênção do
Santíssimo Sacramento, o uso dos sinos durante a elevação na Missa e a festa do
Corpus Christi.
Santa Juliana de Mont Cornillon, priora da Abadia,
foi escolhida, por Deus para criar esta Festa. A santa desde jovem teve uma
grande veneração ao Santíssimo Sacramento. Esperava que algum dia tivesse uma
festa especial ao Sacramento da Eucaristia. Este desejo, conforme a tradição
foi intensificado por uma visão que teve da Igreja sob a aparência de lua cheia
com uma mancha negra, que significava a ausência dessa solenidade.
Juliana comunicou esta imagem a Dom Roberto de
Thorete, bispo de Lieja, também ao douto Dominico Hugh, mais tarde cardeal
legado dos Países Baixos e Jacques Pantaleón, mais tarde o Papa Urbano IV. A
festa mundial de Corpus Christi foi decretada em 1264, 6 anos após a morte de
irmã Juliana em 1258, com 66 anos. Santa Juliana de Mont Cornillon foi
canonizada em 1599 pelo Papa Clemente VIII.
Dom Roberto não viveu para ver a realização de sua
ordem, já que morreu em 16 de outubro de 1246, mas a festa foi celebrada pela
primeira vez no ano seguinte, na quinta-feira após à festa da Santíssima
Trindade. Mais tarde um bispo alemão conheceu os costumes e o levou por toda
atual Alemanha.
Milagre
de Bolsena
Certa vez, quando o padre Pedro de Praga, celebrou
uma Missa na cripta de Santa Cristina, em Bolsena, Itália, aconteceu um milagre
eucarístico: da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue sobre o
corporal após a consagração. Alguns dizem que isto ocorreu porque o padre teria
duvidado da presença real de Cristo na Eucaristia.
O Papa Urbano IV (1262-1264), que residia em
Orvieto, cidade próxima de Bolsena, onde vivia S. Tomás de Aquino, informado do
milagre, então, ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a
Orvieto. Isso foi feito em procissão. Quando o Papa encontrou os fiéis
caminhando na entrada de Orvieto, teria então pronunciado diante da relíquia
eucarística as palavras: “Corpus Christi”.
Ainda hoje se conservam, em Orvieto, os corporais
onde se apóia o cálice e a patena durante a Missa e também se pode ver a pedra
do altar em Bolsena, manchada de sangue.
Instituição
da Festa
O Santo Padre movido pelo prodígio, e pelo pedido de
vários bispos, fez com que se estendesse a festa do Corpus Christi a toda a
Igreja por meio da bula “Transiturus” de 8 setembro do mesmo ano, fixando-a
para a quinta-feira depois da oitava de Pentecostes.
O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão,
porque o Papa morreu logo em seguida (2 de outubro de 1264), um pouco depois da
publicação do decreto, prejudicando a difusão da festa. Mas o Papa Clemente V
tomou o assunto em suas mãos e, no Concílio Geral de Viena (1311) ordenou mais
uma vez a adoção desta festa.
Em 1317 é promulgada uma recopilação de leis, por
João XXII, e assim a festa é estendida a toda a Igreja. Na diocese de Colônia
na Alemanha, a festa de Corpus Christi é celebrada antes de 1270.
Procissão
Na paróquia de Saint Martin em Liège, em 1230,
quando começou as homenagens ao Santíssimo Sacramento a procissão eucarística
acontecia só dentro da igreja. Em 1247, aconteceu a primeira procissão
eucarística pelas ruas de Liège, já como festa da diocese. Depois se tornou festa
nacional na Bélgica.
Nenhum dos decretos fala da procissão com o
Santíssimo como um aspecto da celebração. Porém estas procissões foram dotadas
de indulgências pelos Papas Martinho V e Eugênio IV, e se fizeram bastante
comuns a partir do século XIV.
Finalmente, o Concílio de Trento declara que muito
piedosa e religiosamente foi introduzido na Igreja de Deus o costume, que todos
os anos, o santíssimo seja levado em procissão pelas ruas e lugares públicos.
Todo católico deve participar dessa Procissão por ser
a mais importante de todas que acontecem durante o ano, pois é a única onde o
próprio Senhor sai às ruas para abençoar as pessoas, as famílias e a cidade.
Tapetes,
arte e religiosidade
Em muitos lugares criou-se o belo costume de
enfeitar as casas com oratórios e flores e as ruas com tapetes ornamentados,
tudo em honra do Senhor que vem visitar o seu povo.
No dia dedicado ao Corpo de Deus (Corpus Christi),
várias cidades brasileiras, organizam procissões, que percorrem as ruas
enfeitadas com tapetes. A confecção de tapetes de rua é uma magnífica
manifestação de arte popular
Utilizando diversos tipos de materiais, como
serragem colorida, borra de café, farinha, areia e alguns pequenos acessórios,
como tampinhas de garrafas, flores e folhas, as pessoas montam, com grande
arte, um tapete pelas ruas, formando desenhos relacionados ao Santíssimo.
Por este tapete passa a procissão, o sacerdote vai á
frente carregando o ostensório e em seguida pelas pessoas que participam da
festa. Tudo isto tem muito sentido e deve ser preservado.
Devoção
no Brasil
A tradição de fazer o tapete com folhas e flores vem
dos imigrantes açorianos. Essa tradição praticamente desapareceu em Portugal
continental, onde teve origem, mas foi mantida nos Açores e nos lugares em que
chegaram seus imigrantes, como por exemplo Florianópolis-SC.
As procissões portuguesas eram esplendorosas:
tropas, fidalgos, cavaleiros, andores, danças e cantos. A imagem de São Jorge,
padroeiro de Portugal, seguia a procissão montada em um cavalo, rodeada de oficiais
de gala.
O barroco enriqueceu esta festa com todas as suas
características de pompa. Em todo o Brasil esta festa adquiriu contornos do
barroco português. Corpus Christi é celebrado desde a época colonial com uma
abundância de cores. A tradição de enfeitar as ruas surgiu em Ouro Preto,
cidade histórica do interior de Minas Gerais.
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Santa Rita de Cássia, conhecida como Santa dos
Impossíveis
Nasceu na Itália, em Cássia, no ano de 1380. Seu
grande desejo era consagrar-se à vida religiosa. Mas, segundo os costumes de
seu tempo, ela foi entregue em matrimônio para Paulo Ferdinando.
Tiveram dois filhos, e ela buscou educá-los na fé e
no amor. Porém, eles foram influenciados pelo pai, que antes de se casar se
apresentava com uma boa índole, mas depois se mostrou fanfarrão, traidor,
entregue aos vícios. E seus filhos o acompanharam.
Rita então, chorava, orava, intercedia e sempre dava
bom exemplo a eles. E passou por um grande sofrimento ao ter o marido
assassinado e ao descobrir depois que os dois filhos pensavam em vingar a morte
do pai. Com um amor heroico por suas almas, ela suplicou a Deus que os levasse
antes que cometessem esse grave pecado. Pouco tempo mais tarde, os dois rapazes
morreram depois de preparar-se para o encontro com Deus.
Sem o marido e filhos, Santa Rita entregou-se à
oração, penitência e obras de caridade e tentou ser admitida no Convento
Agostiniano em Cássia, fato que foi recusado no início. No entanto, ela não
desistiu e manteve-se em oração, pedindo a intercessão de seus três santos
patronos – São João Batista, Santo Agostinho e São Nicolas de Tolentino – e milagrosamente
foi aceita no convento. Isso aconteceu por volta de 1441.
Seu refúgio era Jesus Cristo. A santa de hoje viveu
os impossíveis de sua vida se refugiando no Senhor. Rita quis ser religiosa. Já
era uma esposa santa, tornou-se uma viúva santa e depois uma religiosa
exemplar. Ela recebeu um estigma na testa, que a fez sofrer muito devido à
humilhação que sentia, pois cheirava mal e incomodava os outros. Por isso teve
que viver resguardada.
Morreu com 76 anos, após uma dura enfermidade que a
fez padecer por 4 anos. Hoje ela intercede pelos impossíveis de nossa vida,
pois é conhecida como a “Santa dos Impossíveis”.
Santa Rita de Cássia, rogai por nós!
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São Matias, testemunha do
Ressuscitado
Nós estamos em festa com toda a Igreja, pois
lembramos a santidade de vida de um escolhido do Espírito Santo para o grupo
dos apóstolos. São Matias era um discípulo que acompanhou Jesus no tempo de Seu
apostolado e foi tão fiel na vivência dos ensinamentos do Mestre, que tornou-se
testemunha de Sua ressurreição.
No livro dos Atos dos Apóstolos, estão registrados
os fatos que levaram à escolha de um discípulo que ocupasse o lugar deixado por
Judas, o traidor: “…é preciso, pois, que um dentre eles se torne conosco
testemunha de sua ressurreição. Apresentaram então dois homens: José chamado
Barsabás, que tinha o apelido de Justo, e Matias” (Atos 1,22-23).
São Matias recebeu em Pentecostes a efusão do
Espírito Santo, e tornou-se um apóstolo ardoroso como os demais, testemunha do
Ressuscitado. Evangelizou na Palestina e na Ásia Menor, e morreu mártir por
apedrejamento.
São Matias, rogai por nós!
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Nossa Senhora de Fátima
Segundo as memórias da Irmã Lúcia, podemos dividir a
mensagem de Fátima em três ciclos: Angélico, Mariano e Cordimariano.
O Ciclo Angélico se deu em três momentos: quando o
anjo se apresentou como o Anjo da Paz, depois como o Anjo de Portugal e, por
fim, o Anjo da Eucaristia.
Depois das aparições do anjo, no dia 13 de maio de
1917, começa o ciclo Mariano, quando a Santíssima Virgem Maria se apresentou
mais brilhante do que o sol a três crianças: Lúcia, 10 anos, modelo de
obediência e seus primos Francisco, 9, modelo de adoração e Jacinta, 7, modelo
de acolhimento.
Na Cova da Iria aconteceram seis aparições de Nossa
Senhora do Rosário. A sexta, sendo somente para a Irmã Lúcia, assim como
aquelas que ocorreram na Espanha, compondo o Ciclo Cordimariano.
Em agosto, devido às perseguições que os Pastorinhos
estavam sofrendo por causa da mensagem de Fátima, a Virgem do Rosário não pôde
mais aparecer para eles na Cova da Iria. No dia 19 de agosto ela aparece a eles
então no Valinhos.
Algumas características em todos os ciclos: o
mistério da Santíssima Trindade, a reparação, a oração, a oração do Santo
Rosário, a conversão, a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria.
Enfim, por intermédio dos Pastorinhos, a Virgem de Fátima nos convoca à
vivência do Evangelho, centralizado no mistério da Eucaristia. A mensagem de
Fátima está a serviço da Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A Virgem Maria nos convida para vivermos a graça e a
misericórdia. A mensagem de Fátima é dirigida ao mundo, por isso, lá é o Altar
do Mundo.
Expressão do Coração Imaculado de Maria que, no fim,
irá triunfar é a jaculatória ensinada por Lúcia: “Ó Meu Jesus, perdoai-nos e
livrai-nos do fogo do Inferno, levai as almas todas para o Céu; socorrei
principalmente as que mais precisarem!”
Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!
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Santa Sofia
Santa Sofia, protetora
das mães, das viúvas e intercessora contra as doenças da pele.
O nome Sofia significa
"sabedoria de Deus". Santa Sofia nasceu em Roma, então governada pelo
Imperador Adriano, perto do ano 130. Ela sofreu grande perseguição,
principalmente por Antíoco, que era o prefeito de Roma na época. Santa Sofia se
converteu ao cristianismo ainda bem jovem e dedicou toda a sua vida a levar
Jesus às pessoas.
Esposa, mãe e viúva
Sabe-se que Sofia foi
casada e teve três filhas: Fé, Esperança e Caridade. Esses nomes ela escolheu
quando levou as filhas para serem batizadas. Ficou viúva e, sozinha, cuidava
das filhas. Assim, educou-as na fé cristã e se tornou um exemplo de mulher
virtuosa em Roma.
Prisão e tortura das
filhas
Por causa de sua fama na
cidade e da perseguição contra os cristãos, o prefeito da cidade prendeu Santa
Sofia e suas três filhas. A crueldade chegou a tal ponto que, na presença da
mãe, o tal prefeito foi torturando uma a uma de suas filhas, para que ela
renunciasse a Jesus e sua fé cristã, e adorasse aos deuses romanos. A Santa e
suas três filhas, porém, se mantiveram firmes na fé, na certeza de que Jesus
era o único Rei e Senhor da vida delas e de todas as outras.
Sofrimento e morte das
filhas
Os torturadores amarraram
Santa Sofia para que ela assistisse as torturas de suas filhas e renunciasse a
sua fé. A primeira filha, Santa Fé, amarraram, quebraram seus braços e pernas,
chicotearam até sua morte. A segunda, Santa Esperança, colocaram em um tacho com
betume quente até que ela morresse. E a terceira, Santa Caridade, foi
decapitada. Todas foram torturadas à frente da mãe, mas Santa Sofia, sustentada
pela força divina, permaneceu rezando por elas e dando forças para que
aguentassem sem esmorecer na fé. Todas morreram rezando junto com a mãe.
Deixada viva para sofrer
O prefeito, vendo que
Santa Sofia não renunciaria à fé, resolveu deixa-la viva, afim de que sofresse
moralmente a perda das filhas. Santa Sofia sofreu, sim, o trauma da morte e a
falta das filhas, mas permaneceu firme na fé e encorajando a todos que
encontrava. Seu conforto era saber, com certeza no coração, que suas filhas
deram a vida por Jesus e estavam na glória de Deus.
Perde todos os bens
Após a morte das filhas,
Santa Sofia perdeu tudo que tinha: bens, casa, família, mas continuou levando
várias pessoas para o cristianismo, sem perder sua confiança em Jesus Cristo em
nenhum momento.
Referência para os
primeiros cristãos
Os cristãos eram presos,
torturados e mortos. Santa Sofia, então, se tornou uma força para todos. Com
seus jejuns, trabalhos e orações, dava grande exemplo de fé e amor a Jesus
Cristo e animava a todos. Assim, conseguiu levar milhares de pessoas para a fé
cristã.
Morte de Santa Sofia
Algum tempo depois,
enquanto rezava sobre o tumulo das três filhas, Santa Sofia caiu morta sobre
ele. Foi em setembro do ano 130 depois de Cristo. Ela foi sepultada no
mesmo túmulo de suas filhas.
Milagres
Vários milagres começaram
a acontecer, principalmente a cura de feridas na pele das pessoas que iam rezar
a Santa Sofia e suas filhas. Por isso, ela se tornou uma das Santas mais
venerados no Oriente.
Hagia Sofia
Por causa de seus
sofrimentos e da importância de sua história para os cristãos, em sua honra foi
construída uma magnífica Basílica em Constantinopla, atual Istambul, Turquia.
Trata-se da famosa e esplendorosa Basílica de Santa Sofia, conhecida também
como Hagia Sofia. Porém, após a conquista pelos muçulmanos, o magnífico templo
se tornou uma mesquita e hoje é um museu. No Rio de Janeiro existe uma igreja,
no bairro de Cosmos, dedicada a Santa Sofia.
Oração a Santa Sofia
"Santa Sofia,
Sabedoria de Deus, buscastes na contemplação de Cristo Crucificado força e
coragem para a tua vida. Não desprezastes a vida na terra, porque teus olhos
fixos no Cristo encontravam sentido melhor para tudo o que devias fazer.
Indicastes para muitas pessoas o verdadeiro caminho a seguir, procurando na
vida de Cristo no Evangelho, a fonte de inspiração para conviver melhor com
todos. Ajuda-me a participar mais de nossa religião. De Deus, que é Pai, espero
confiante tudo o que preciso para a minha felicidade. Ensina-me a ser sempre
agradecido( a ) por tudo o que acontece em minha vida. Quer que eu também ajude
outras pessoas a conhecer e a sentir a bondade de Deus."
Santa Sofia, rogai
por nós. Amém.
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Santa Catarina de Sena
Neste
dia, celebramos a vida de uma das mulheres que marcaram profundamente a
história da Igreja: Santa Catarina de Sena. Reconhecida como Doutora da Igreja,
era de uma enorme e pobre família de Sena, na Itália, onde nasceu em 1347.
Voltada
à oração, ao silêncio e à penitência, não se consagrou em uma congregação, mas
continuou, no seu cotidiano dos serviços domésticos, a servir a Cristo e Sua
Igreja, já que tudo o que fazia, oferecia pela salvação das almas. Através de
cartas às autoridades, embora analfabeta e de frágil constituição física,
conseguia mover homens para a reconciliação e paz como um gigante.
Dotada
de dons místicos, recebeu espiritual e realmente as chagas do Cristo; além de
manter uma profunda comunhão com Deus Pai, por meio da qual teve origem sua
obra: “O Diálogo”. Comungando também com a situação dos seus, ajudou-o em
muito, socorrendo o povo italiano, que sofria com uma peste mortífera e com
igual amor socorreu a Igreja que, com dois Papas, sofria cisão, até que
Catarina, santamente, movimentou os céus e a terra, conseguindo banir toda
confusão. Morreu no ano de 1380, repetindo: “Se morrer, sabeis que morro de
paixão pela Igreja”.
Santa
Catarina de Sena, rogai por nós!
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São Marcos Evangelista
Celebramos com muita alegria a vida de santidade de
um dos quatro Evangelistas: São Marcos. Era judeu de origem e de uma família
tão cristã que sempre acolheu aos primeiros cristãos em sua casa: “Ele se orientou
e dirigiu-se para a casa de Maria, mãe de João, chamado Marcos; estava lá uma
numerosíssima assembleia a orar” (Atos 12,12).
A tradição nos leva a crer que na casa de São Marcos
teria acontecido a Santa Ceia celebrada por Jesus, assim como dia de
Pentecostes, onde “inaugurou” a Igreja Católica. Encontramos na Bíblia que o
santo de hoje acompanhou inicialmente São Barnabé e São Paulo em viagens
apostólicas, e depois São Pedro em Roma
São Marcos na Igreja primitiva fez um lindo trabalho
missionário, que não teve fim diante da prisão e morte dos amigos São Pedro e
São Paulo. Por isso, evangelizou no poder do Espírito Alexandria, Egito e
Chipre, lugar onde fundou comunidades. Ficou conhecido principalmente por ter
sido agraciado com o carisma da inspiração e vivência comunitária, que deram
origem ao Evangelho querigmático de Jesus Cristo segundo Marcos.
São Marcos, rogai por nós!
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Sobre
São Jorge
Devotos no mundo inteiro
comemoram no dia 23 de abril, o Dia de São Jorge, o santo padroeiro da
Inglaterra, de Portugal, da Catalunha, dos soldados, dos escoteiros etc. No
oriente, São Jorge é venerado desde o século IV e recebeu o honroso título de
“Grande Mártir”.
Guerreiro originário da
Capadócia e militar do Império Romano ao tempo do imperador Diocleciano, Jorge
converteu-se ao cristianismo e não aguentou assistir calado às perseguições
ordenadas pelo imperador. Foi morto na Palestina no dia 23 de abril de 303. Ele
teria sido vítima da perseguição de Diocleciano, sendo torturado e decapitado
em Nicomédia, tudo devido à sua fé cristã.
A imagem de todos
conhecida, do cavaleiro que luta contra o dragão, foi difundida na Idade Média.
Está relacionada às diversas lendas criadas a seu respeito e contada de várias
maneiras em suas muitas paixões. Iconograficamente, São Jorge é representado
como um jovem imberbe, de armadura, tanto em pé como em um cavalo branco com
uma cruz vermelha. Com a reforma do calendário litúrgico, realizada pelo papa
Paulo VI, em maio de 1969, tornou-se opcional a observância do seu dia festivo.
Embora muitos ainda suspeitem da veracidade de sua história, a Igreja Católica
reconhece a autenticidade do culto ao santo. O culto do santo chegou ao Brasil
com os portugueses. Em 1387, Dom João I já decretara a obrigatoriedade de sua
imagem nas procissões de Corpus Christi. O Sport Clube Corinthians Paulista foi
outra grande contribuição para a popularização de São Jorge, primeiro no Estado
de São Paulo e depois no País, ao escolher o santo como seu padroeiro e
protetor, em 1910.
A quantidade de milagres
atribuídos a São Jorge é imensa. Segundo a tradição, ele defende e favorece a
todos os que a ele recorrem com fé e devoção, vencendo batalhas e demandas,
questões complicadas, perseguições, injustiças, disputas e desentendimentos.
São Jorge é venerado
desde o século IV
O culto a São Jorge vem
do século 4 dC. O soldado foi martirizado na Palestina no dia 23 de abril de
303, vítima da perseguição do imperador Diocleciano. Foi torturado e teve a
cabeça cortada, em Nicomédia, devido a sua fé cristã.
Os restos mortais de São
Jorge foram transportados para Lídia (antiga Dióspolis), onde foi sepultado, e
onde o imperador cristão Constantino (que depois de vários imperadores
anti-cristãos converteu-se e a império à religião cristã) mandou erguer
suntuoso oratório aberto aos fiéis. Seu culto espalhou-se imediatamente por
todo o Oriente. No século V, já havia cinco igrejas em Constantinopla dedicadas
a São Jorge. Só no Egito, nos primeiros séculos após sua morte, foram erguidas
quatro igrejas e quarenta conventos dedicados ao mártir. Na Armênia, na Grécia,
no Império Bizantino (a região oriental do Império Romano, que tinha capital em
Bizâncio, depois, Constantinopla) São Jorge era inscrito entre os maiores Santos
da Igreja Católica. No Ocidente, na Idade Média, as Cruzadas colocaram São
Jorge à frente de suas milícias, como Patrono da Cavalaria. Na Itália, era
padroeiro da cidade de Gênova. Na Alemanha, Frederico III dedicou a ele uma
Ordem Militar. Na França, São Gregório de Tours era conhecido por sua devoção a
São Jorge; o rei Clóvis dedicou-lhe um mosteiro, e sua esposa, Santa Clotide,
erigiu várias igrejas e conventos em sua honra. A Inglaterra foi o país
ocidental onde a devoção ao santo teve papel mais relevante. O monarca Eduardo
III colocou sob a proteção de São Jorge a Ordem da Cavalaria da jarrateira,
fundada por ele em 1330. Por considera-lo o protótipo dos cavaleiros medievais,
o inglês Ricardo Coração de Leão, comandante de uma das primeiras Cruzadas, constituiu
São Jorge padroeiro daquelas expedições que tentavam conquistar a Terra Santa
aos muçulmanos. No século 13, a Inglaterra celebrava sua festa como dia santo e
de guarda e, em 1348, criou a Ordem dos Cavaleiros de São Jorge. Os ingleses
acabaram por adotar São Jorge como padroeiro do país, imitando os gregos que
também trazem a cruz de São Jorge na sua bandeira. Ainda durante a Primeira
Guerra Mundial (1914-1918) muitas medalhas de São Jorge foram cunhadas e
oferecidas aos enfermeiros militares e às irmãs de caridade que se sacrificaram
ao tomar conta dos feridos da guerra. As artes, também, divulgaram amplamente a
imagem do santo. Em Paris, no Museu do Louvre, há um quadro famoso de Rafael
(1483-1520), intitulado “São Jorge vencedor do Dragão”. Na Itália, existem
diversos quadros célebres, como o de autoria de Donatello (1386-1466).
São Jorge e a morte do
dragão
A imagem conhecida de
todos, do cavaleiro que luta contra o dragão, está relacionada às lendas
criadas a partir da Idade Média. Há uma grande variedade de histórias
relacionadas a São Jorge. O relato e a imagem de todos conhecidos, do cavaleiro
que luta contra o dragão, começaram a ser difundidos na Idade Média . A imagem
atual do santo, sentado em um cavalo com uma lança que atravessa um dragão,
está relacionada às diversas lendas criadas a seu respeito, contadas de várias
maneiras em suas muitas paixões. A versão mais corrente dá conta que um
horrível dragão saía de vez em quando das profundezas de um lago e atirava fogo
contra os muros de uma longínqua cidade do Oriente, trazendo morte com seu
mortífero hálito. Para não destruir toda a cidade, o dragão exigia regularmente
que lhe entregassem jovens mulheres para serem devoradas. Um dia coube à filha
do Rei ser oferecida em comida ao monstro. O Monarca, que nada pôde fazer para
evitar esse horrível destino da tenra filhinha, acompanhou-a com lágrimas até
às margens do lago. A princesa parecia irremediavelmente destinada a um fim
atroz, quando de repente apareceu um corajoso cavaleiro vindo da Capadócia,
montado em um cavalo branco, São Jorge. Destemidamente, enfrentou as perigosas
labaredas de fogo que saíam da boca do dragão e as venenosas nuvens de fumaça
de enxofre que eram expelidas pelas narinas do monstro. Após um duro combate,
finalmente São Jorge venceu o terrível dragão, com sua espada de ouro e sua
lança de aço. O misterioso cavaleiro assegurou ao povo que tinha vindo, em nome
de Cristo, para vencer o dragão. Eles deviam converter-se e ser batizados. Para
alguns, o dragão (o demônio) simbolizaria a idolatria destruída com as armas da
Fé. Já a donzela que o santo defendeu, representaria a província da qual ele
extirpou as heresias. A relação entre o santo e a lua viria de uma lenda antiga
que acabou virando crença para muitos. Diz a tradição que as manchas
apresentadas pela lua representam o milagroso santo e sua espada pronto para
defender aqueles que buscam sua ajuda.
Desde 1969, Igreja
Católica tornou opcional a celebração a São Jorge
Embora muitos considerem
que sua história não passe de um mito e outros até mesmo acreditem que o santo
tenha sido cassado pela Igreja Católica, o martírio de São Jorge e o seu culto
continuam sendo reconhecidos pelo catolicismo. A lenda do guerreiro que matou o
dragão havia sido rejeitada no século 5 por um concílio, mas persistiu e ganhou
enorme popularidade no tempo das Cruzadas. “A imagem atual é fruto de uma
lenda. Isso não quer dizer, no entanto, que esse santo não existiu e que o
martírio dele não foi significativo”, diz o monsenhor Arnaldo Beltrami, vigário
episcopal de comunicação da Arquidiocese de São Paulo. No dia 9 de maio de
1969, a observância do Dia de São Jorge tornou-se opcional, com a reforma do
calendário litúrgico, realizada pelo papa Paulo VI. A reforma retirou do
calendário litúrgico as comemorações dos santos dos quais não havia
documentação histórica, mas apenas relatos tradicionais. Daí ter-se falado,
naquele tempo, em “cassação de santos”. Mas o fato da celebração do Dia de São
Jorge tornar-se opcional não significa o não reconhecimento do santo.
São Jorge é o padroeiro
da Inglaterra
O “Santo Guerreiro” é
também o padroeiro da Inglaterra, de Portugal e da Catalunha (região da Espanha
que reivindica identidade nacional, onde se localiza Barcelona). Não há
consenso, porém, a respeito da maneira como teria se tornado patrono da
Inglaterra. Seu nome era conhecido na Inglaterra e na Irlanda muito antes da
conquista normanda, o que leva a crer que os soldados que retornavam das
Cruzadas influíram bastante na disseminação de sua popularidade. Acredita-se
que o santo tenha sido escolhido o padroeiro do reino quando o rei Eduardo III
fundou a Ordem dos Cavaleiros de São Jorge, em 1348. Em 1415, a data de sua
comemoração tornou-se um dos feriados mais importantes do país. Em 1970, a
festa anual do santo nas igrejas católicas foi tornada opcional, com a reforma
do papa Paulo VI. Entretanto, na Inglaterra e em outros lugares onde São Jorge
é especialmente venerado, tal festa guarda ainda toda a sua antiga solenidade.
Os ingleses acabaram por adotar São Jorge como padroeiro do país.
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São José -Esposo da Virgem Maria-
A devoção a São José na Igreja Católica é
antiquíssima. A Igreja do Oriente celebra-lhe a festa desde o século nono,
tendo os Carmelitas introduzido tal festa na Igreja ocidental. Os Franciscanos
em 1399 já festejavam a comemoração do santo Patriarca. Xisto IV inseriu-a no
breviário e no missal; Gregório XV generalizou-a em toda a Igreja. Clemente XI
compôs o ofício com os hinos para o dia 19 de março e colocou as missões da
China sob a proteção de São José. Pio IX introduziu, em 1847, a festa do
Patrocínio de São José e, em 1871 declarou-o PADROEIRO DA IGREJA CATÓLICA; Leão
XIII e Benedito XV recomendaram aos fiéis a devoção a São José, de um modo
particular, chegando este último Papa a inserir no missal um prefácio próprio.
Nada sabemos a respeito da infância de São
José, tampouco da vida que levou, até o casamento com Maria Santíssima. Os
santos Evangelhos não nos dizem cousa alguma a respeito; limitam-se apenas a
afirmar que José era justo, o que quer dizer: José era cumpridor da
lei, homem santo.
Que a virtude e santidade de São José foram
extraordinárias, vemos pela grande missão que Deus lhe confiou. Segundo a
Doutrina de São Tomás de Aquino, Deus confere as graças e privilégios à medida
da dignidade e da elevação do estado, a que destina o indivíduo. Pode
imaginar-se dignidade maior que a de S. José que, pelos desígnios de Deus,
devia ser esposo de Maria Santíssima e pai nutrício de seu divino Filho?
Maria Santíssima, consentindo no enlace com o santo descendente de David, não
podia ter outra cousa em mira, senão uma garantia para o futuro, uma defesa de
sua virtude e uma satisfação perante a sociedade, visto que no Antigo
Testamento não era conhecida, e muito menos considerada, a vida celibatária.
Celebrando o contrato, Maria Santíssima certamente o fez com a garantia
absoluta da pureza virginal, que por inspiração divina votara a Deus. Ao
realizar-se a grandiosa obra da Encarnação do Verbo , o Arcanjo Gabriel
comunicou-se o grande mistério, que nela se havia de realizar e, após
pronunciar o "fiat", consentindo sua maternidade operada pelo
Espírito Santo, deixou São José em completa ignorância. Com esse consentimento,
dirigiu-se à casa de Isabel, onde se demorou três meses e, de volta para casa,
seu estado causou no espírito se São José as mais graves preocupações e
cruéis dúvidas. A virtude e a santidade da esposa estavam acima de
qualquer suspeita, não lhe permitindo explicação menos favorável. Nesta
perplexidade invencível, resolveu abandonar a esposa e, quando tudo já
estivesse providenciado para a partida, um Anjo do Senhor lhe aparece em sonhos
e lhe diz: : "José, filho de Davi, não temas admitir Maria, tua Esposa,
porque o que nela se operou é obra do Espírito Santo". Foram assim de vez
dissipadas as negras nuvens do espírito de José. Com quanto respeito, com
quanta atenção não teria tratado aquela, que pela fé sabia ser o tabernáculo
vivo do Messias.
Ignora-se quando São José morreu. Há razões
que fazem supor que o desenlace se tenha dado antes da vida pública de
Jesus Cristo. Certamente não se achava mais vivo quando seu Filho morreu
na cruz; do contrário não se explicaria porque Jesus recomendou a Mãe a São
João Evangelista, não tendo por isto razão, se estivesse vivo São José.
Que morte santa terá tido o pai nutrício de Jesus!
Que felicidade morrer nos braços do próprio Jesus Cristo, tendo à cabeceira a
Mãe de Deus! Mortal algum teve igual ventura. A Igreja com muita razão invoca
São José como padroeiro dos moribundos e os cristãos se lhe dirigem com
confiança, para alcançar a graça de uma boa morte.
Não existem relíquias de S. José, tampouco sabe-se
algo do lugar onde foi sepultado. Homens ilustrados e versados nas ciências
teológicas houve e há que defendem a opinião que S. José, em atenção a
sua alta posição e grande santidade, foi, como São João Batista, santificado
antes do nascimento e já gozava de corpo e alma da glória de Deus no céu, em
companhia de Jesus, seu Filho e Maria, sua Santíssima esposa.
Grande deve ser a nossa confiança na intercessão de
S. José. Não há pessoa, não há classe que não possa, que não deva se lhe
dirigir. Santa Tereza, a grande propagandista da devoção a São José, chegou a
dizer: "Não me lembro de ter-me dirigido a São José, sem que tivesse
obtido tudo que pedira".
Reflexões
São José é um dos grandes santos a que a Igreja
patenteia a maior devoção e confiança. E com razão! O Esposo de Maria
Santíssima, o pai putativo de Cristo, tendo recebido de Deus as mais
honrosas distinções, quão caro não deve ser ao Onipotente, quanto poder não
deve ter sobre o coração do Divino Filho. Recorram, pois, àquele modelo
de vida oculta e contemplativa os que escolheram para si o melhor modelo de
perfeição. Recorram todos a São José para obter a pureza do corpo, da alma e do
espírito. Ele é o advogado dos agonizantes porque só ele, entre os mortais,
teve a graça de expirar nos braços de Jesus e Maria.
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14 de Fevereiro - São Valentim
O mártir, quer dizer os dois mártires, de nome
Valentim, que viveram no mesmo período da História e são comemorados em 14 de
fevereiro, deram o nome a uma simpática tradição, chamada de "dia dos
valentins" significando "dia dos namorados". Ainda esta
tradição, indicava a festa de São Valentim como o início da primavera, estação
do despertar da vida e também do romance, quando os pássaros começam a preparar
seus ninhos.
Mas, São Valentim se tornou o protetor dos namorados, ou melhor, os dois se
tornaram, por outro motivo, além desta tradição dos devotos. Vejamos porque. O
primeiro mártir, um soldado romano, foi incluído no Martirológio Romano com o
nome de Valentim. O segundo foi inserido como Valentim de Terni, pois era o
bispo dessa diocese. O registro sobre sua vida pode ser encontrado por esse
nome, em outra página.
No século III, em Roma, Valentim, era um sacerdote e o imperador era Cláudio
II,o Gótico. O Império enfrentava muitos problemas, com inúmeras batalhas
perdidas. O imperador deduziu que a culpa era dos soldados solteiros, que
segundo ele, eram os menos destemidos ou ousados nas lutas. E, mais, que depois
de se ferirem levemente, pediam dispensa das frentes. Mas, o que era pior,
retornavam para o exército, casados e nesta condição queriam voltar vivos,
enfraquecendo os exércitos. Por isto, proibiu a celebração dos casamentos.
Valentim, que considerava essa medida injusta, continuou a celebrar os
casamentos, mas secretamente. Quando soube das ações do sacerdote, Cláudio
mandou que fosse preso e o interrogou publicamente. Suas respostas foram
elogiadas pelo soberano que disse: "Escutem a sábia doutrina deste
homem". E, de fato, parece que a pregação de Valentim, o tinha
impressionado, pois o mandou para uma prisão domiciliar, indicando a residência
do prefeito romano Asterio, onde todos eram pagãos.
Logo que chegou na casa, o sacerdote ficou sabendo que o prefeito tinha uma
filha cega. Disse aos familiares que iria rezar e pedir para Jesus Cristo pela
cura da jovem, o que ocorreu alguns dias depois. Mas, nesta altura dos fatos,
Valentim havia convertido a família interia do prefeito. Isto agravou sua pena,
sendo condenado a morte.
A antiga lenda acrescentou que após curar a jovem, ele teria se enamorado dela,
platonicamente, mas preferiu o seu ministério. Antes de morrer teria escrito
uma carta para a jovem e a entregou ao pai dela. No dia 14 de fevereiro de 286
foi levado para a chamada via Flaminia, onde foi morto a pauladas e depois
decapitado.
A sepultura de Valentim foi encontrada em 346, numa capela subterrânea na via
Flaminia. Dez séculos depois, antigos registros o indicaram como irmão de São
Zenão Hoje, as suas relíquias estão na Igreja de São Praxedes num Oratório
dedicado a São Zenão e Valentim.
O mártir Valentim, se tornou santo porque morreu pelo testemunho de seu
sacerdócio. A Igreja o considera padroeiro dos namorados por ter defendido com
sua vida o Sacramento do Casamento e não pelo motivo acrescentado pela lenda.
Tudo na vida tem um início e
portanto sua explicação ou história. Como aconteceu com o "Dia de São
Valentim", que tem de tudo: fé, política e romance. Além do interessante
fato de serem dois os santos mártires festejados neste dia, com o mesmo nome e
ambos declarados pela Igreja, protetores dos namorados. Cada um por sua justa
razão, como se pode verificar no texto da página de São Valentim, o sacerdote
mártir.
Conforme os registros da diocese de Terni, Valentim foi consagrado em 197,
sendo seu primeiro bispo e considerado fundador da cidade. Consta que ao lado
de sua casa e da igreja havia um imenso prado e um belo jardim. Quanto não
estava trabalhando na igreja ou tratando de algum doente, podia ser visto
cuidando das rosas que cultivava. À tarde ele abria os portões para as crianças
brincarem e correrem livremente. Ao entardecer ele abençoava cada uma
entregando uma flor, para ser entregue às suas mães. A sua intenção era fazer
as crianças irem direto para casa e alimentar o amor e respeito pelos pais.
Valentim, tinha o dom do conselho, sua fama de reconciliador dos casais de
namorados era muito difundida. Tudo começou assim: certo dia, ouvindo dois
jovens namorados brigando, que pararam ao lado da cerca do seu jardim, foi ao
encontro deles levando na mão uma linda rosa. O capuz caído, a figura serena e
sorridente do bom velho e aquela rosa que ele parecia lhes oferecer, tiveram o
mágico poder da acalmar os dois namorados em briga. Depois, quando ele,
entregando realmente a rosa vermelha, pediu que os dois juntos apertassem o
cabo com cuidado para não se espetarem e explicou o "cor unum", que
em latim significa "união de corpos" de duas pessoas casadas, o amor
retornou como antes.
Algum tempo depois, os dois procuraram Valentim para marcar o casamento, que
celebrou e abençoou a união do casal. Na cerimônia compareceram quase todos da
cidade, querendo participar do final feliz do casal reconciliado. A história se
espalhou e sua fama se criou.
Além do dom do conselho, Valentim possuía o da cura, que aumentava conforme sua
idade. Muitas vezes viajava, a pedido de outras dioceses, para atender os
enfermos. Em 272, foi chamado para cuidar de um doente em Roma. Durante sua
estadia na cidade, Valentim converteu o famoso filósofo grego Crato e três de
seus jovens discípulos atenienses. Este zelo o expôs aos delatores pagãos.
Nesta época o imperador era Aureliano, ardiloso e cruel. Os discípulos de Crato
foram ao julgamento em defesa do bispo, mas nada puderam fazer. Valentim foi
condenado à morte e decapitado em 14 de fevereiro de 273. Os três jovens recém
convertidos resgataram seu corpo e o transportaram para Terni onde foi
sepultado.
A sua festa no dia 14 de fevereiro e a sua fama ganharam força em toda a
Itália. Na Idade Média, foi ganhando reforços e hoje é festeja em todo o
planeta por todos os casais devotos.
A Igreja o incluiu no Calendário Litúrgico como São Valentim de Terni, o bispo
mártir, protetor dos jovens e dos namorados. As suas relíquias estão na Igreja
das Carmelitas, na cidade de Terni, em Roma. Ao lado de sua urna de prata,
coberta por uma redoma de cristal, existe a seguinte inscrição: "São
Valentim, patrono do amor". Há também um belo vitral com a imagem do santo
bispo abençoando um casal ajoelhado que segura uma rosa
Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo
Apolitiquion da Transfiguração:
Transfigurastes-vos sobre o monte, ó Cristo Deus,
mostrando vossa glória a vossos discípulos, conforme puderam. Fazei brilhar
também sobre nós, pecadores, vossa luz eterna, pela intercessão da Mãe de Deus.
Ó distribuidor da luz, glória a Vós.
Condaquion da Transfiguração:
Transfigurastes-vos
sobre o monte, ó Cristo Deus, e vossos discípulos contemplaram, como puderam, a
vossa glória; a fim de que, ao Vos verem crucificado, compreendam que vossa
paixão foi voluntária e anunciem ao mundo que sois realmente o resplendor do
Pai.
A liturgia de hoje
comemora a festa da Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo. Dos
Evangelistas é São Mateus que refere por minúcias esse fato admirável da vida
de Nosso Senhor.
Os Santos Padres
ocupam-se muito do mistério da Transfiguração de Nosso Senhor, principalmente
São Crisóstomo, que escreveu coisas admiráveis sobre o mesmo assunto. O que se
segue, são pensamentos daquele Santo Padre, como os propôs aos ouvintes,
explicando o evangelho do dia de hoje.
Nosso Senhor, tendo
falado muitas vezes da sua Paixão e Morte, profetizara aos Apóstolos
perseguição e morte cruel; tendo-lhes dado mandamentos positivos e severos,
quis mostrar-lhes a magnificência e glória com que voltará no fim do mundo,
provar e revelar-lhes, já nesta vida sua majestade, para animá-los e
confortá-los nas tristezas presentes e futuras.
São Mateus (cap. 17,
1-13) escreve, contando o fato da Transfiguração: "Seis dias depois,
(isto é, depois da predição de sua Paixão e Morte) Jesus tomou a Pedro, Tiago e
a João". Um outro Evangelista (Lucas 9, 28) diz: "Oito dias
depois". Não há contradição entre os dois, porque este conta o dia em que
Jesus cursou perante os Apóstolos e o dia em que subiu o monte Tabor, quando
São Mateus conta apenas os dias que estão entre estes dois fatos. Reparamos
também a modéstia de São Mateus, que menciona os Apóstolos que mais do que ele,
foram honrados por Nosso Senhor. Nesse ponto, segue o exemplo de São João, que
minuciosamente refere os elogios com que Jesus distinguiu a Pedro.
Jesus tomou os
chefes dos Apóstolos e levou-os a um monte, a sós. E transfigurou-se
diante deles. Resplandeceu-se-lhe o rosto como o sol, e os vestidos tornaram-se
brancos como a neve. Por que motivo Nosso Senhor levou só estes três
Apóstolos? Porque ocuparam um lugar saliente entre os demais. Pedro
salientava-se pelo amor a Jesus; João era o mais querido de Nosso Senhor e
Tiago por causa da resposta que juntamente com o irmão dera ao Divino
Mestre: "Nós beberemos o cálice". E não só por causa desta resposta,
como também em virtude das suas obras, que provaram a verdade daquela asserção.
Era tão odiado pelos judeus, que Herodes, para ser-lhes agradável, o mandou
matar. Por que razão, disse Nosso Senhor aos Apóstolos: "Em verdade vos
digo: alguns de vós aqui presentes não verão a morte, enquanto não tiverem
visto o Filho do Homem em sua glória?" (Mt. 16, 28). Com certeza
para lhes estimular a curiosidade de ver aquela visão, da qual lhes falava e
enchê-los do desejo de ver o Mestre rodeado da glória divina.
"Eis que lhes
apareceram Moisés e Elias, falando com Ele". Por que apareceram
essas figuras do Antigo testamento? Há diversas razões que explicam esta
circunstância. A primeira é esta: Porque entre o povo dizia-se que Jesus
era Elias, Jeremias ou um dos profetas do Antigo testamento, ficar-lhes-ia
patente a grande diferença que existia entre o servo do Senhor, e que bem
merecido fora o elogio que coube a São Pedro, por ter chamado Filho de Deus a
Nosso Senhor. Segunda razão: Repetidas vezes inimigos de Nosso
Senhor o acusavam de blasfêmias, da pretensão de dizer-se Filho de Deus"
(Jo 9, 33). Estas acusações eram frequentes e como
proviessem de inveja, quis Nosso senhor mostrar que não transgredira a lei e
nenhuma blasfêmia proferira, dizendo-se Filho de Deus. Para este
fim, Jesus fez aparecer dois profetas de maior destaque. De Moisés era a
lei, e não era admissível que justamente Moisés distinguisse com sua presença o
transgressor da mesma que era Jesus Cristo, na opinião dos judeus. Elias, o
grande zelador da honra de Deus, por seu turno, nunca teria honrado com
sua presença a Jesus Cristo se este de fato não fosse o filho de deus. Um
terceiro motivo seria este: Aparece um profeta que morreu e um outro que
não sofreu a morte. Esta circunstância devia fazer compreender aos discípulos,
que seu Mestre é o Senhor da vida e da morte, e seu reino é no céu e na terra.
Um quarto motivo, o próprio Evangelista menciona: Para mostrar a glória da cruz
e para animar os pobres Apóstolos, na triste previsão de sofrimentos. Os dois
profetas falaram da glória, que na cruz seria manifesta, em Jerusalém;
(Lc 9, 31), isto é, da sua Paixão e Morte.
Se Nosso Senhor levou
consigo estes três Apóstolos, foi também porque deles havia de exigir uma
virtude mais apurada que dos outros. "Quem quer seguir-me, tome a
sua cruz e siga-me". Os dois profetas do Antigo Testamento eram homens
que, pela lei de Deus e pelo bem do povo, estavam sempre prontos a deixar a
vida. Ambos, Elias e Moisés, usaram da máxima franqueza na presença de tiranos,
este diante do Faraó, aquele diante de Achab; ambos se empenharam em favor de
homens rudes e ingratos; ambos foram quais vítimas de malícia daqueles, a
que mais benefícios dispensaram; ambos trabalharam para exterminar a idolatria entre
o povo. Tanto um como o outro desprezavam a riqueza. Moisés e Elias eram
pobres e viviam num tempo, em que os grandes servidores de Deus não possuíam o
dom de fazer grandes milagres. É verdade que Moisés dividiu as águas do
mar; Pedro, porém, andou sobre as ondas, expulsou maus espíritos, curou muitos
doentes e transformou a face da terra. É verdade que Elias ressuscitou um
morto; os Apóstolos, porém, chamaram muitos mortos à vida, no tempo em
que ainda não tinham recebido o Espírito Santo. Jesus Cristo faz aparecer
estes dois profetas, para apresentá-los aos discípulos, como modelos de firmeza
e constância; como Moisés devem ser mansos e humildes; iguais a Elias, deviam
ser zelosos e incansáveis; como ambos, prudentes e circunspectos. Elias passou
fome durante três anos, por amor ao povo. Moisés disse a deus:
"Perdoai-lhes os pecados e exonerai-me ou se assim não quiserdes, extingui
meu nome do vosso livro". Tudo isso Jesus faz lembrar aos Apóstolos
mostrando-lhes, em misteriosa visão, a glória de Elias e Moisés.
Propondo-lhes Elias e
Moisés como modelos, a imitação dos mesmos ainda não é o ideal, que Jesus
Cristo quer ver nos Apóstolos. Quando estes disseram: "Senhor, se
assim quiserdes, chamaremos fogo do céu, que destrua esta cidade",
talvez assim falaram lembrando-se de Elias, que de tal forma procedeu. Jesus,
porém, respondeu-lhes: "Não sabeis de que espírito sois". (Lc 9, 55).
Queria assim ensinar-lhes, que é melhor sofrer uma injustiça, quando se perceberam
graças maiores. Não quer isto dizer que Elias não fosse santo e perfeito. Elias
vivera num outro tempo, em que a humanidade, atrasada ainda na cultura, carecia
de meios educativos mais fortes. O campo de ação dos Apóstolos não devIa ser o
Egito, a terra de Moisés, mas o mundo inteiro; não era ao Faraó que haviam de
contradizer, mas aceitar a luta do demônio, o tirano da maldade, vencê-lo e
desarmá-lo.
E não o conseguiram
dividindo as águas do mar. A tarefa era, armando-se do ramo de Jessé, dividir
as águas furiosas do oceano da impiedade. Reparemos bem as quantas coisas
não amedrontaram os Apóstolos: a morte, privações e mil martírios não menos os
intimidaram, que aos Judeus e o Mar Vermelho e as hostes de Faraó; mas
Jesus, seu Mestre, levou-os a tal grau de perfeição que não hesitaram em
aceitar tudo. Para torná-los capazes de uma missão tão difícil, apresentou-lhes
os dois grandes heróis do Antigo Testamento.
"Senhor, bom é
estarmos aqui", disse São Pedro a Jesus. Ouvindo as referências à
Paixão e Morte do querido Mestre, o coração encheu-se de temor; mas desta
vez, faltando-lhe a coragem de dizer: "Longe de ti estas coisas",
formulou os receios nas palavras já mencionadas. O monte onde se achavam, bem
longe de Jerusalém, já era a seu ver uma garantia; fazendo ainda três
tendas para lá morar, dispensava perfeitamente a viagem a Jerusalém e removido
o perigo do Mestre cair nas mãos dos inimigos. "Bom é estarmos aqui",
com Elias, que chamou fogo sobre a montanha; com Moisés, que falou com Deus no
cimo do monte - ninguém sabe que aqui estamos. Quem não descobre nestas
palavras a profunda e sincera amizade de São Pedro ao Mestre? Os
Evangelistas, referindo-se às palavras de São Pedro, dizem: "Não
sabia o que falava, pois tão atônito de medo se achava" (Mc 9, 5 e Lc
9,33).
Falando ainda, eis que
uma nuvem os envolveu. Não era noite, era dia claro. A luz, o esplendor assombrava-os
e atônitos caíram de rosto por terra. Qual foi a atitude de Cristo? Nem ele,
nem Elias, nem Moisés, disseram coisa alguma. Mas da nuvem saiu a voz daquele
que é a Verdade. Por que da nuvem? Porque deus sempre fala da nuvem.
"Rodeado está de nuvens e trevas" (Sal 96, 2). "O Filho do
Homem vem entre as nuvens" (Dan 7, 13). Saindo a voz da nuvem, não
lhes restava dúvida que era a voz de Deus.
E eis que uma voz do meio
da nuvem disse: "Este é meu Filho muito amado, em quem me
agradei; ouví-o". No monte Sinai Deus publicou ameaças contra o
povo. Aqui se via uma nuvem branca e lúcida. Pedro tinha falado em três tendas.
Deus, porém, mostrou uma única tenda, não feita por mão de homem;
daí a circunstância da aparição de uma luz claríssima e a audição de uma voz.
Para não deixar dúvida sobre a pessoa em questão, Elias e Moisés desapareceram
e a voz disse: "Este é meu filho muito amado". Se é Ele o
amado, o medo de Pedro é infundado. Embora já devesse estar convencido da
divindade do Mestre, embora não tivesse dúvida da sua futura ressurreição,
Pedro ainda é vacilante em sua fé. Ouvindo agora a voz confirmante do
Eterno Pai, deviam desaparecer-lhe os temores e as dúvidas. Se Ele é o Filho
muito amado, o Pai não o abandonará. É seu amado, não só por ser seu filho, mas
também por Lhe ser igual. "Nele achei meu agrado", quer
dizer, pois: Ele é meu agrado, minha alegria, porque, como Filho, é igual ao
Pai, é regido pela mesma vontade, é um com ele eternamente. Ouví-o.
R E F L E X Õ E S
Felizes os Apóstolos que
foram achados dignos de ver o Divino Mestre com tanta glória e magnificência.
Se quisermos, poderemos também ver o mesmo Jesus, não como os Apóstolos
no monte Tabor, mas numa glória incomparavelmente maior - naquele dia em que
virá com toda glória e majestade, rodeado dos Anjos e Santos do Céu.
Todos os homens hão de ver como Ele virá sobre as nuvens. Julgando a todos dirá
aos que se acharem à direita: "Vinde, benditos de meu Pai, pois eu
estava faminto e vós me destes de comer" (Mt 25, 34). E aos outros dirá:
"Muito bem, servo fiel e bom: pois que foste fiel em pouco,
confiar-te-ei maiores bens; entra no gozo do contentamento do teu Senhor!"
(Mt 25, 33). A outros, porém, dirá: "Afastai-vos de mim,
malditos, e ide para o fogo eterno, que foi preparado para o demônio e
seus anjos". E ainda: "Servo mau e preguiçoso" (Mt
25). E serão entregues aos algozes e, atados as mãos e os pés, atirados
às trevas exteriores. Os justos, porém, fulgirão como o sol, ou mais do que
ele. Aquele dia será o horror para os maus. Não carece de
documentos, de provas, de testemunhas; o eterno e justo Juiz supre tudo
isso. Ele é acusador, testemunha e lançador da sentença.Tudo sabe, nada lhe é
incógnito. Naquele dia não haverá ricos e pobres, fracos e poderosos,
protegidos e protetores - persistirão somente os fatos em toda a nudez, em toda
a realidade. As máscaras hão de cair, e a verdade aparecerá em toda a
clareza.
Afastemos de nós as
vestes imundas do pecado, armemo-nos com as armas da luz, pratiquemos o bem e a
glória de Deus nos revestirá.
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EPIFANIA DO SENHOR
Apolitiquion da Festa
Em vosso batismo no Jordão, Senhor, foi manifestada a adoração da Trindade; pois a voz do Pai prestou-vos testemunho, chamando-vos Filho bem-amado; e o Espírito, sob forma de pomba, confirmou a verdade desta palavra. Ó Cristo Deus que Vos manifestastes e iluminastes o mundo, glória a Vós.
في إِعْتِمادِكَ يا رَبُّ في نَهْرِ
الأُرْدُن، ظَهَرَ السُّجُودُ لِلثَالُوث. فَإِنَ صَوتَ الآبِ كَانَ يَشْهَدُ
لَكَ، مُسَمِّياً إِيَّاكَ إِبْنَاً مَحْبُوبَاً. و الرُّوحُ بِهَيئَةِ حَمَامَةٍ
يُؤَيِدُ حَقِيقَةَ الْكَلِمَة. فَيا مَنْ ظَهَرَ وَ أَنَارَ الْعَالَمْ، اَيُهَا
الْمَسِيحُ الإِلَهُ الْمَجْدُ لَك.
Hipacoi da Festa
Quando pela vossa epifania, iluminastes todas as coisas, o mar salgado da impiedade fugiu e o Jordão voltou para trás, levando-nos para o céu. Pela intercessão de vossa Mãe, ó Cristo Deus, guardai-nos na sublimidade de vossos mandamentos divinos e salvai-nos.
Condaquion da Festa
Hoje, Senhor, manifestastes-vos ao universo, e vossa luz brilhou sobre nós, que conhecendo-vos, Vos cantamos: Viestes, aparecestes, ó Luz inacessível.
الْيَومَ ظَهَرتَ لِلْمَسْكُونَةِ يَا
رَبْ، وَ نُورُكَ قَدِ إِرْتَسَمَ عَلينا، نَحْنُ مُسَبِّحِيكَ عَنْ مَعْرِفَة.
لَقَدْ أَتَيْتَ وَ ظَهَرْتَ أَيُهَا النُّورُ الذِّي لَا يُدْنَى مِنْهُ.
BÊNÇÃO SOLENE DAS ÁGUAS
A voz do Senhor faz-se ouvir sobre as águas, dizendo: Vinde, todos, receber o espírito de sabedoria, o espírito de inteligência, o espírito de temor de Deus, do Cristo que se manifestou. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém. Após ter tomado, Senhor, a forma de servo, vieste ao chamado daquele clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor. Pedistes o batismo, Vós que não conhecestes o pecado. As águas vos viram e foram tomadas de espanto; o Precursor pôs-se a tremer e exclamou: Como pode a lamparina iluminar a Luz? Como pode o servo impor as mãos ao senhor? Santificai-me, Senhor, assim como as águas, Vós que tirais os pecados do mundo.
SÚPLICAS
S- Para esta água seja santificada pela virtude, ação e vinda do Espírito Santo. Oremos, ao senhor.
S- Para que nela seja depositada a graça da redenção e a bênção do Jordão, oremos ao Senhor.
S- Para que desça nesta água a virtude purificador da Santíssima Trindade, oremos ao Senhor.
S- Para que sejamos iluminados pela luz da sabedoria e da piedade, provenientes da decida do Espírito santo, oremos aos Senhor.
S- Para que esta água se transforme em proteção contra todas as insídias dos inimigos visíveis e invisíveis, oremos ao Senhor.
S- Para que sejamos livres de toda aflição, ira, perigo e necessidade, oremos ao senhor.
S- Porque sois um Deus misericordioso e amigo dos homens, nós Vos rendemos glória, Pai, Filho e Espírito santo, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.
S- Sois grande, Senhor, e vossas obras são maravilhas, e não há palavra capaz de cantar os louvores de vossas maravilhas (3x). Pois, por vossa vontade, tirastes todos os seres do nada para a existência; por vosso poder conservais a criação e por vossa providência governais o mundo. De quatro elementos compusestes o universo; coroastes com quatro estações o ciclo do anos. Diante de vós tremem as potências inteligíveis. O sol louva-vos, a luz glorifica-vos, as estrelas cumprem as vossas determinações; a luz obedece-vos, os abismos tremem na vossa presença, as fontes estão a vosso serviço. Estendestes o Céu como uma abóbada, firmastes a terra sobre as águas, munistes o mar de uma muralha de areia; fizestes correr o ar para a respiração. Os exércitos angélicos servem-vos; os coros dos Arcanjos adoram-vos; os Querubins de múltiplos olhos e os serafins de seis asas, ficando em círculo e voando, escondem-se de medo de Vossa Glória inacessível. Pois, ó Deus eterno, incircunscritível e inefável, viestes à terra e tomastes uma forma de escravo, tornando-vos semelhante aos homens; não suportastes, ó Senhor, em vossa grande piedade, ver o gênero humano tiranizado pelo demônio, mas viestes e nos salvastes. Cantamos vossa graça; proclamamos vossa misericórdia; não ocultamos vossa bondade.
Libertastes nossa descendência; santificastes o seio virginal por vossos nascimento. Toda a criação vou louvou, quando aparecestes sobre a terra e ficastes com os homens. Santificastes também o curso do Jordão, enviando do Céu vosso Espírito sobre ele, e esmagando as cabeças do dragão que nele estavam escondidas. Vós, pois, ó Rei amigo dos homens, vinde agora também e por vosso Espírito Santo santificai esta água (3x).
Dai-lhe a graça da redenção e a bênção do Jordão. Fazei-a fonte de incorruptibilidade e dom de santificação. Dai-lhe a virtude de perdoar os pecados, de curar as enfermidades, de afugentar os demônios; tornai-a inabordável às potências adversas e cheia de força angélica. Que todos aqueles que dela tirarem e beberem, encontrarem nela a purificação de suas almas e de seus corpos, a cura de suas paixões, a santificação de suas casas e um socorro útil para toda necessidade. Pois sois nosso Deus, Vós que renovastes pela água e pelo Espírito Santo nossa natureza vencida pelo pecado; sois nosso Deus, Vós que afogastes o pecado na água e salvastes Noé; sois Nosso Deus, Vós que libertastes da escravidão de Faraó o povo judeu, conduzido por Moisés através do mar; sois nosso Deus, Vós que fizestes sair água da pedra, no deserto, de modo que dela correram torrentes, e assim destes a beber a vosso povo sedento; sois nosso Deus, Vós que preservastes Israel do erro de Baal pelo ministério de Elias e por meio da água e do fogo. Agora, Senhor, Vós mesmo, santificai esta água por vosso Espírito Santo (3x). Dai a todos aqueles que dela tomarem ou beberem ou com ela se lavarem, a santificação, a saúde, a purificação, a bênção; a fim de que os elementos, os homens, os anjos, as coisas visíveis e invisíveis glorifiquem vosso nome Santo, com o Pai e o Espírito Santo, agora, sempre e pelos séculos dos século. Amém.
S. Paz a todos. T. E a teu espírito.
S. Inclinai vossas cabeças ante o Senhor.
T- Diante de Vós, Senhor.
S- Senhor, abaixai vosso ouvido e atendei-nos, vós que descestes no Jordão para ser batizado e santificastes as águas; abençoai-nos todos, que, pela inclinação de nossas cabeças, vos prestamos a nossa sujeição; tornai-nos dignos de ser cheios de vossa santificação, pela recepção desta água e sua aspersão, seja ela par nós, Senhor, saúde de alma e do corpo. Porque sois a santificação de nossas almas e nós vos rendemos glória, ação de graças e adoração, assim com o vosso Pai e o vosso Espírito Santo, bom e vivificante, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. T. Amém.
Comemoremos, fiéis, a grandeza dos benefícios de Deus para conosco: tornando-se homem no momento de nosso erro, operou, no Jordão, nossa purificação.
Vós, o único puro e imaculado, santificai-me assim como as águas, esmagai nestas águas as cabeças dos demônios.
Irmãos, tomemos da água com alegria, porque a graça do Espírito Santo é dada invisivelmente aos que dela tomam com fé, por cristo Deus, o salvador de nossas almas.
São
Sebastião, defensor da Igreja
Defensor da Igreja como soldado, como capitão e
também como apóstolo dos confessores, daqueles que eram presos.
O santo de hoje nasceu em Narbonne; os pais eram
oriundos de Milão, na Itália, do século terceiro. São Sebastião, desde cedo,
foi muito generoso e dado ao serviço. Recebeu a graça do santo batismo e zelou
por ele em relação à sua vida e à dos irmãos.
Ao entrar para o serviço no Império como soldado,
tinha muita saúde no físico, na mente e, principalmente, na alma. Não demorou
muito, tornou-se o primeiro capitão da guarda do Império. Esse grande homem de
Deus ficou conhecido por muitos cristãos, pois, sem que as autoridades
soubessem – nesse tempo, no Império de Diocleciano, a Igreja e os cristãos eram
duramente perseguidos –, porque o imperador adorava os deuses. Enquanto os
cristãos não adoravam as coisas, mas as três Pessoas da Santíssima Trindade.
Esse mistério o levava a consolar os cristãos que
eram presos de maneira secreta, mas muito sábia; uma evangelização eficaz pelo
testemunho que não podia ser explícito.
São Sebastião tornou-se defensor da Igreja como
soldado, como capitão e também como apóstolo dos confessores, daqueles que eram
presos. Também foi apóstolo dos mártires, os que confessavam Jesus em todas as
situações, renunciando à própria vida. O coração de São Sebastião tinha esse
desejo: tornar-se mártir. E um apóstata denunciou-o para o Império e lá estava
ele, diante do imperador, que estava muito decepcionado com ele por se sentir
traído. Mas esse santo deixou claro, com muita sabedoria, auxiliado pelo
Espírito Santo, que o melhor que ele fazia para o Império era esse serviço;
denunciando o paganismo e a injustiça.
São Sebastião, defensor da verdade no amor
apaixonado a Deus. O imperador, com o coração fechado, mandou prendê-lo num tronco
e muitas flechadas sobre ele foram lançadas até o ponto de pensarem que estava
morto. Mas uma mulher, esposa de um mártir, o conhecia, aproximou-se dele e
percebeu que ele estava ainda vivo por graça. Ela cuidou das feridas dele. Ao
recobrar sua saúde depois de um tempo, apresentou-se novamente para o
imperador, pois queria o seu bem e o bem de todo o Império. Evangelizou,
testemunhou, mas, dessa vez, no ano de 288 foi duramente martirizado.
São
Sebastião, rogai por nós!
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Ordem de São Basílio Magno -
OSBM
São Basílio é o legislador das regras da Ordem
Breve histórico da Congregação:
As normas da Ordem, remontam o século IV, quando São Basílio Magno,
estabeleceu e legislou e compôs as regras da vida monástica que, até hoje, são
observadas pelos monges da Igreja Oriental.
Pessoalmente, fundou o primeiro convento para homens, cuja
direção foi, mais tarde, entregue a seu
irmão, São Pedro de Sebaste. A essa fundação, seguiram-se outras e
cresceu consideravelmente o número de conventos. Foi nesta época, que São Basílio escreveu
obras belíssimas sobre a vida religiosa, tornando-se o pai do monaquismo
na Igreja Oriental. Sua vida era regida por uma austeridade, que causava
admiração a todos. Ele,
fundador da Ordem, era a regra viva, dando a todos os religiosos o
exemplo de todas as virtudes monásticas.
São Basílio, este grande doutor da Igreja, nasceu em
330, na cidade de Cesaréia, na Capadócia, como o mais velho de quatro
irmãos, dos quais três alcançaram a dignidade episcopal. De cinco irmãs,
a mais velha, Macrina, dedicou a sua vida a Deus.
Os pais do nosso Santo, Basílio e Emélia, eram ricos e
gozavam de grande estima. Criança ainda, Basílio foi acometido de
grave doença, da qual a oração do pai maravilhosamente o curou.
Entregue aos cuidados de sua avó, Macrina, recebeu Basílio as
primeiras instruções na prática cristã. Mais tarde, começou os
estudos em Cesaréia, contemplando o curso em Constantinopla onde se ligou a São
Gregório Nazianzeno em íntima amizade. Quando voltou a Cesaréia,
estava morto já o pai. O exemplo e as palavras animadoras
da avó Macrina, confirmaram-lhe o desejo de abandonar o mundo e levar uma
vida de penitência e abnegação. Neste intuito, visitou
diversos eremitas no Egito, Síria, Palestina e Mesopotâmia, voltando para
cesaréia com disposição ainda maior de realizar esse plano. O bispo
Diânio, conferiu-lhe o leitorado. Diânio, embora fiel à Religião
Católica, por umas declarações feitas nos concílios de Antioquia e
Sárdica, fez com que a ortodoxia fosse posta em dúvida. Basílio,
profundamente entristecido com esse fato e para não se expor e
perder a fé, com grande pesar se separou do bispo, a
quem dedicava grande amizade, e dirigiu-se para Ponto, onde a santa
mãe e uma irmã tinham fundado um convento para donzelas cristãs.
Basílio, imitando o exemplo, tornou-se fundador de um convento
para homens, cuja direção foi, mais tarde, entregue a seu irmão, São
Pedro de Sebaste. A essas duas fundações, seguiram-se outras e cresceu
consideravelmente o número de conventos no Ponto. Foi nesta época, em que
Basílio escreveu obras belíssimas sobre a vida religiosa, compôs a regra
da vida monástica, que até hoje é observada pelos monges da Igreja
Oriental.
São Basílio assim se tornou o pai do monaquismo na Igreja
Oriental.
A vida de São Basílio era regida por uma austeridade, que causava
admiração a todos. Ele, fundador da Ordem, era a regra viva,
dando a todos os religiosos o exemplo de todas as virtudes monásticas.
Era tão magro que parecia só pele e osso. Aos 49 anos já era velho.
Entretanto, fraco de corpo, era um herói de
espírito.
O bispo Diânio, estando gravemente enfermo, mandou chamar para perto de
si o santo amigo. Sucedeu-lhe no bispado Eusébio, de quem
Basílio recebeu o presbiterato, com a ordem de pregar.
Basílio continuou a vida austera, como se estivesse no meio dos
confrades. Como, porém, a fama de santIdade e
sabedoria do santo servo de Deus, começasse a incomodar e irritar ao bispo
Eusébio, Basílio retirou-se para a solidão. Não podiam ficar
desapercebidos os sentimentos rancorosos de Eusébio, o qual, intimado
pelas reclamações e ameaças do povo, tratou de reabilitar o suposto
êmulo. A insistente propaganda do Arianismo, a calamidade pública,
provocada por uma grande carestia, a direção de diversos conventos
de ambos os sexos, tornaram necessária e imprescindível a presença de
Basílio em Cesaréia.
Os serviços que naquela ocasião prestou à população, quer como
pregador, quer como confessor e esmoler, foram tantos que o
próprio bispo, de desafeto que era, se lhe tornou um dedicado amigo e nada
fazia, sem antes se aconselhar com Basílio.
Eusébio morreu em 370 e teve por sucessor Basílio, o qual,
como arcebispo de Cesaréia, veio a ser um astro luminoso da Igreja
Oriental. Cumpridor dos deveres episcopais, modelo exemplaríssimo em
todas as virtudes, era Basílio um baluarte fortíssimo do catolicismo contra os
contínuos e rudes ataques da heresia ariana, cujos defensores mais
ardentes e poderosos se achavam nas imediações do imperador Valente, o
qual, por sua vez, era adepto fanático da seita. Valente
não podia de bons olhos, observar o desenvolvimento grandioso que a
arquidiocese de Cesaréia tomava, sob a direção do santo pastor. Uma
comissão imperial, chefiada pelo valente capitão Modesto, seguiu com ordens
especiais para Cesaréia, para por um paradeiro à atividade apostólica de
Basílio.
O êxito dessa missão foi tão humilhante para os emissários, que maior
não podia ser. Com todas as instruções de que eram portadores, com todas
as lisonjas e ameaças, com todas as argumentações sutis e
sofísticas, não puderam impedir que o espírito, a inteligência, a
coragem e a intrepidez do santo arcebispo, se
mostrassem de uma superioridade admirável. Em três audiências, para
as quais convidaram Basílio, este respondeu com tanta mansidão,
clareza e energia, que no relatório que apresentaram ao imperador, confessaram
redondamente a derrota.
Valente, em conseqüência desse fracasso, não mais importunou os
católicos. Por ocasião da festa da Epifania foi ele mesmo a Cesaréia
assistir ao Santo Sacrifício celebrado por Basílio. Tão admirado ficou da
majestade e esplendor da santa função que, embora não se
atrevesse a receber a Santa Comunhão das mãos do
arcebispo, foi com os fiéis fazer oferenda, a qual, aceita por
Basílio que, por motivos de prudência, julgou conveniente dispensar, por
esta vez, o rigor das leis disciplinares da Igreja. Valente
caiu em si e começou a tratar os católicos com mais clemência e
tolerância.
Não estavam com isto de acordo alguns palacianos, os
quais lançando mão de todos os meios, conseguiram, por
fim, um decreto que ordenava a expatriação de Basílio. No dia em
que devia ser executada a iníqua sentença, caiu gravemente enfermo
o único filho do imperador, e no estado de saúde da imperatriz se deram
manifestações alarmantes de perturbações sérias. Entre dores e desesperos,
dizia ela ao imperador que não havia dúvida tratar-se de um justo
castigo de Deus.
Basílio foi reabilitado e com grandes honras recebido no palácio
imperial. Valente prometeu ao arcebispo a educação do príncipe
herdeiro na religião Católica, se lhe alcançasse Deus o restabelecimento do
mesmo. De fato, o príncipe sarou, mas o imperador, não cumprindo depois a
palavra, teve o desgosto de perder o filho. Recomeçaram, então,
as maquinações contra Basílio. Estava lavrada a ata,
que ordenava o exílio do arcebispo. Três vezes, o imperador se dispôs
a dar-lhe assinatura e três vezes, quebrou-se-lhe a pena. Assustado com
este fato, Valente tomou do papel e, com a mão trêmula, rasgou o
documento. Nunca mais se abriu campanha contra o santo.
Modesto fez as pazes com Basílio. Um outro oficial,
Eusébio, que tinha dado ordem de prisão ao bispo, retirou-a diante
da atitude ameaçadora do povo, em defesa de seu pastor.
À tempestade, seguiu a bonança. Basílio pôde com
tranqüilidade e paz, dedicar-se aos trabalho do apostolado. O ano de 379
trouxe-lhe a recompensa do céu. As últimas palavras que disse,
foram: “Senhor, em vossas mãos restituo minha alma”. Morreu
com 49 anos de idade. Figura entre os quatro grandes doutores da Igreja
do Oriente.
Reflexões
São Basílio não hesitou em abandonar o próprio bispo Diânio, quando este
começou a travar relações com os hereges. “No meio de maus e perversos,
será mau e perverso igualmente” (II Re 22-27). Quantos exemplos não
provam a verdade desta palavra do Espírito Santo.
Referimos apenas dois: Salomão, o monarca mais sábio do seu
tempo, afastou-se do caminho de Deus, fazendo-o rodear de
mulheres pagãs, cujas divindades chegou a adorar. Dina, impedida
pela curiosidade, foi ter com as filhas de Cana (idólatras) e voltou
desonrada, causando esta desonra a morte de muita
gente. Que diz a experiência dos nossos dias? Não são muitos
os católicos que perderam a fé, devido à relações que tiveram
com seitas estranhas e ímpios? Quantas donzelas, quantos jovens
choram amargamente a perda da inocência, resultado da liberdade que
se permitiram, com pessoas do outro sexo? Que foi que perverteu o
moço, filho de família honrada, a ponto de ser objeto de desprezo
de todos que o conhecem? Unicamente a má companhia. Que levou
o esposo, antes exemplar, a atentar contra a santidade do matrimônio,
senão a companhia de maus elementos?
A vida e o exemplo de São Basílio ensinam-nos que devemos
fugir, como da peste, da influência maligna de más companhias. Um
olhar indiscreto fez com que Davi, o homem segundo o coração de Deus, caísse em
pecados gravíssimos, tornando-se adúltero e assassino. Somos nós
mais santos que Davi, mais sábios que Salomão?
Oração de São Basílio nosso Padroeiro:
Oração de São Basílio nosso Padroeiro:
Ó glorioso São Basílio, cuja voz
ressoou pela terra como um ensino dogmático, vós que explicastes a natureza dos
seres e embelezastes os costumes dos homens, pedi a Deus pela salvação de
nossas almas. Ó Basílio, difusor dos celestes mistérios e base inabalável da
Igreja, confirmai-nos em nossos ensinamentos com aquela autoridade de vossa
doutrina, para que, vencendo todas as dificuldades, alcancemos, a
graça de que
precisamos (Fazer o pedido) e,
salvos e amparados, possamos louvor a Deus, cantando vossas glórias na vida e
na eternidade. Amém, São Basílio, rogai por nós.
Circuncisão
de N. S. Jesus Cristo
Ao
Rei dos Santos, ao autor de toda a justiça e santidade, a Nosso Senhor e
Salvador Jesus Cristo é dedicado o primeiro dia do novo ano. A Igreja celebra
neste a memória da Circuncisão de Nosso Senhor, mistério que, com diz São
Bernardo, merece nossa admiração e amor. O Evangelho relata o acontecimento do
modo seguinte: “Oito dias depois de nascido, circuncidaram o menino e deram-lhe
o nome de Jesus; nome, que o Anjo já lhe tinha dado antes de concebido”.
Quatrocentos anos antes da promulgação da lei mosaica, Deus tinha prescrito a
circuncisão a Abraão e seus descendentes. Devia ser: 1) o selo da aliança feita
entre Deus e Abraão e seus filhos; 2) a confirmação das promessas que Deus
fizera a Abraão, ao pai dos fiéis; 3) o sinal distintivo dos judeus, no meio
dos infiéis.
A Circuncisão era o sacramento principal e
mais necessário do Antigo Testamento. Era a condição essencial da incorporação
ao Povo eleito de Deus. Há Santos Padres que comparam com o batismo,
reconhecendo nela um símbolo da purificação do pecado original e da
santificação pela graça de Deus. (São Tomás de Aquino). Jesus Cristo, o supremo
legislador, o Santo dos Santos, descendente de Abraão, não de modo natural, mas
por obra do Espírito Santo, não estava sujeito à lei da Circuncisão. O desejo
de dar-nos um exemplo de humildade e obediência fez com que se sujeitasse à
dura determinação mosaica.
A
Circuncisão desarma a argumentação dos maniqueus e de outros hereges, que
negavam em Jesus Cristo a existência de um corpo real, igual ao nosso.
Revestindo-se
a nossa natureza, seu sofrimento não foi imaginário, mas real, como o de nós
todos. A Circuncisão removeu todas as dificuldades, que os judeus podiam
levantar contra a dignidade de Messias, negando-lhe a filiação de Abraão, da
família do qual, segundo a divina promessa, o Salvador havia de descender. Pelo
seu exemplo veio Jesus Cristo mostrar, que não tinha intenção de abolir, mas
cumprir a antiga lei. Finalmente é a Circuncisão uma prova de amor a nós, uma
revelação do desejo de sofrer por nós. A Circuncisão nos é garantia da
salvação, que Jesus Cristo mais tarde ia realizar e realizou no altar da cruz.
Além disto queria Nosso Senhor dar um exemplo de paciência e humildade aos
pecadores, mostrando-lhes que, sendo o Senhor de todos, se humilha à condição
de pecador, sofrendo na carne inocente as dores mais pungentes. Menino ainda,
pelo exemplo, convida-nos à imitação, como mais tarde nos chama a si, dizendo:
“Aprendei de mim. Eu vos dei um exemplo, para que façais como tenho feito”.
(Jô. 13, 15).
São
Lucas, que de todos os evangelistas é o que mais pormenoriza as circunstâncias
do nascimento de Nosso Senhor, quase nada diz sobre a Circuncisão. Não diz o
lugar onde a mesma se realizou, nem menciona a pessoa que a executou. É,
entretanto, bem motivada a opinião de Santo Epifânio e de outros Santos Padres,
segundo a qual Jesus Cristo foi circuncidado no estábulo que o viu nascer e
onde recebeu a visita dos Reis Magos. Da Sagrada Escritura sabemos que a
Circuncisão, não sendo do ofício sacerdotal, de ordinário era praticada pelo
pai da criança. Abraão, que não era sacerdote, circuncidou a Ismael e os filhos
dos seus empregados; Sephora, que era mulher, circuncidou o próprio filho.
Assim sendo, é provável que a Circuncisão de Nosso Senhor tenha sido feita por
São José.
Costume
era dos judeus darem à criança o nome por ocasião da Circuncisão. O Arcanjo São
Gabriel, portador da celeste mensagem, anunciara à Maria Santíssima o nome de
seu divino Filho: “Eis que conceberás – disse o Anjo – e dareis à luz um filho,
a quem poreis o nome de Jesus”. Como razão disto, o Anjo acrescentou: “Ele
remirá seu povo dos pecados”.(Mt. 1. 21). O nome de Jesus significa,
pois: Salvador. Outros homens célebres, antes de Jesus Cristo, eram chamados
Salvadores, como Josué, Josedech, Gedeão e Sansão. Eram todos salvadores do seu
povo, mas num sentido mui restrito.
Só
a Jesus Cristo, nascido da Virgem Imaculada, compete o título pleno de Salvador
do mundo, que por Ele foi resgatado, a preço do Seu Divino Sangue.
Entre
os Santos Padres, são principalmente São Bernardo, São Bernardino de Siena e
São Boaventura, que tecem os maiores elogios ao Santíssimo Nome de Jesus,
enaltecendo-lhe o poder e magnificência. São Paulo, em referência a este Santo
Nome, já dissera, que “o Nome de Jesus é acima de todos os nomes; que ao
Nome de Jesus todo joelho se dobre no céu, na terra e nos infernos” (Fil.
2, 9). O próprio Cristo dá-nos uma idéia do poder do seu Nome,
afirmando-nos que alcançaremos do Pai tudo o que lhe pedirmos em seu Nome.
Falando nas grandes obras que serão feitas em virtude de seu Nome, acrescenta:
“Em meu Nome expulsarão demônios, falarão novas línguas, manusearão serpentes e
se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal; porão as mãos sobre os
enfermos e sararão”.(Mc. 16, 17-18).
Os
Santos tiveram um grande respeito e profunda veneração ao Santíssimo Nome de
Jesus. Era-lhes conforto nas lutas, consolo nas tribulações, escudo contra os
inimigos da alma. Nas epístolas de São Paulo, mais de duzentas vezes, se
encontra o Nome de Jesus. Os Apóstolos julgaram-se muito honrados, em poderem
sofrer alguma coisa por amor ao Nome do divino Mestre. Santo Estevão antes de
exalar o espírito, exclamou ainda: “ Senhor Jesus, recebei meu espírito !”(At.
7, 58).
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Santa Macrina, a Jovem Virgem
Macrina
era a mais velha dos dez filhos de São Basílio Maior [São Basílio Maior era pai
de São Basílio, o Grande, irmão de Santa Macrina e Santa Emelia]. Nascida em
Cesaréia da Capadócia, por volta do ano 330, Macrina foi educada com especial
esmero por sua mãe que lhe ensinou a ler e acompanhava cuidadosamente suas
leituras. O livro da Sabedoria e os Salmos de Davi eram as suas obras
preferidas, mas, nem por isso, descuidava de suas tarefas domésticas e de seu
trabalho de fiação e costura. Aos doze anos, foi prometida em casamento, mas tendo
seu noivo morrido repentinamente, Macrina recusou-se a aceitar qualquer outra
proposta de casamento para dedicar-se a ajudar sua mãe na educação dos irmãos
mais jovens. São Basílio, o Grande, São Pedro de Sabaste, São Gregório de Nissa
e os outros irmãos de Macrina, aprenderam dela o desprendimento das coisas
deste mundo, o temor à riqueza e o amor à oração e à Palavra de Deus. Diz-se
que São Basílio teria retornado de seus estudos um tanto quanto envaidecido, e
que sua irmã lhe teria ensinado a humildade. Macrina foi «pai, mãe, guia,
mestra e conselheira» de seu irmão mais novo, São Pedro de Sebaste, pois o pai,
São Basílio, o Maior, morreu pouco depois do nascimento de seu último filho.
Depois da morte do pai, São Basílio instalou sua mãe e sua irmã numa casa às
margens do rio Íris. Ali as duas mulheres, mãe e filha, se entregaram
exclusivamente à prática de uma vida ascética, juntamente com outras
companheiras.
Com a
morte se Santa Emélia, Macrina repartiu sua parte da herança entre os pobres e
passou a viver do trabalho de suas mãos. Se irmão, Basílio, morreu no início do
ano 379 e, nove meses mais tarde, Macrina ficou gravemente enferma. Quando São
Gregório de Nissa foi visitá-la, depois de nove anos longe, encontrou Macrina
num leito de tábuas. O santo ficou consolado ao ver com que alegria sua irmã
suportava os sofrimentos e impressionou-se com o fervor com que se preparava
para a morte. Macrina exalou seu último suspiro ao entardecer, com uma
expressão de alegria em sua face. A pobreza na qual vivia era tal que, como
mortalha, não dispunha senão de um velho vestido de tecido grosseiro. São
Gregório, porém, providenciou uma túnica de linho para esta finalidade. O bispo
do lugar, de nome Arauxio, dois sacerdotes e o próprio São Gregório conduziram
suas exéquias e, durante o cortejo funerário cantaram-se os hinos dos Salmos.
Uma grande multidão se juntou para a despedida de Macrina e suas lamentações
chegavam a perturbar a cerimônia fúnebre.
No
Diálogo sobre a alma e a Ressurreição, num panegírico dedicado ao monge
Olímpio, São Gregório deixou registrada a biografia de sua irmã Macrina, rica
em detalhes sobre suas virtudes, sua vida e sobre a morte e sepultamento da
Santa. Nele o Santo fala dos milagres: o primeiro, quando Macrina teve sua
saúde restabelecida após sua mãe ter traçado sobre ela o sinal da cruz; o
segundo, quando a Santa curou uma menina filha de um militar, de uma
enfermidade das vistas. São Gregório acrescenta:
«Creio
que não será necessário repetir aqui todas as maravilhas que contam os que
conviveram com ela e a conheceram de perto… Por incríveis que possam parecer
estes milagres, posso vos assegurar que, aqueles que tiveram oportunidade de
estudá-los exaustivamente, os consideram como tais. Só os homens carnais se
recusam a crer e os consideram impossíveis. Assim, pois, para evitar que os
incrédulos sejam castigados por negarem a realidade desses dons de Deus,
preferi me abster aqui de repetir essas maravilhas sublimes…»
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São
Camilo de Léllis, servia a Cristo na pessoa do doente
Nasceu no ano de 1550 na Itália. Filho de pai
militar, também seguiu essa carreira, mas não pode prosseguir devido a um tumor
em um dos pés. Recorreu ao hospital de São Tiago em Roma, onde viveu sua
compaixão pelos outros doentes.
Porém, ele deu um ‘sim’ ao pecado, entregando-se ao
vício do jogo, onde perdeu tudo e ficou na miséria total. Saiu do hospital
devido o seu temperamento. Foi de hospital em hospital para cuidar de sua
ferida, até bater na porta dos franciscanos capuchinhos e ali quis trabalhar na
obra de Deus.
Com 25 anos começou o seu processo de conversão. No
hospital em Roma, Deus suscitou nele a santidade de ver nos doentes a pessoa de
Cristo e também o carisma dos ‘Camilianos’. Camilo também viveu uma bela
amizade com São Felipe Néri.
Entrou para os estudos, foi ordenado sacerdote, e
vendo a realidade dos peregrinos de Roma, que não tinham uma assistência médica
digna, foi brotando nele o carisma de servir a Cristo na pessoa do doente, do
peregrino. E muitos se juntaram a ele nessa obra. Em cada sofredor está a
presença do Crucificado.
São Camilo partiu para o céu em 1614.
São Camilo de Léllis, rogai por nós!
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CORPUS CHRISTI
“Da hóstia consagrada
começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração…”
No final do século XIII
surgiu em Lieja, Bélgica, um Movimento Eucarístico cujo centro foi a Abadia de
Cornillon fundada em 1124 pelo Bispo Albero de Lieja. Este movimento deu origem
a vários costumes eucarísticos, como por exemplo, a exposição e bênção do
Santíssimo Sacramento, o uso dos sinos durante a elevação na Missa e a festa do
Corpus Christi.
Santa Juliana de Mont Cornillon, priora da Abadia,
foi escolhida, por Deus para criar esta Festa. A santa desde jovem teve uma
grande veneração ao Santíssimo Sacramento. Esperava que algum dia tivesse uma
festa especial ao Sacramento da Eucaristia. Este desejo, conforme a tradição
foi intensificado por uma visão que teve da Igreja sob a aparência de lua cheia
com uma mancha negra, que significava a ausência dessa solenidade.
Juliana comunicou esta imagem a Dom Roberto de
Thorete, bispo de Lieja, também ao douto Dominico Hugh, mais tarde cardeal
legado dos Países Baixos e Jacques Pantaleón, mais tarde o Papa Urbano IV. A
festa mundial de Corpus Christi foi decretada em 1264, 6 anos após a morte de
irmã Juliana em 1258, com 66 anos. Santa Juliana de Mont Cornillon foi
canonizada em 1599 pelo Papa Clemente VIII.
Dom Roberto não viveu para ver a realização de sua
ordem, já que morreu em 16 de outubro de 1246, mas a festa foi celebrada pela
primeira vez no ano seguinte, na quinta-feira após à festa da Santíssima
Trindade. Mais tarde um bispo alemão conheceu os costumes e o levou por toda
atual Alemanha.
Milagre
de Bolsena
Certa vez, quando o padre Pedro de Praga, celebrou
uma Missa na cripta de Santa Cristina, em Bolsena, Itália, aconteceu um milagre
eucarístico: da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue sobre o
corporal após a consagração. Alguns dizem que isto ocorreu porque o padre teria
duvidado da presença real de Cristo na Eucaristia.
O Papa Urbano IV (1262-1264), que residia em
Orvieto, cidade próxima de Bolsena, onde vivia S. Tomás de Aquino, informado do
milagre, então, ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a
Orvieto. Isso foi feito em procissão. Quando o Papa encontrou os fiéis
caminhando na entrada de Orvieto, teria então pronunciado diante da relíquia
eucarística as palavras: “Corpus Christi”.
Ainda hoje se conservam, em Orvieto, os corporais
onde se apóia o cálice e a patena durante a Missa e também se pode ver a pedra
do altar em Bolsena, manchada de sangue.
Instituição
da Festa
O Santo Padre movido pelo prodígio, e pelo pedido de
vários bispos, fez com que se estendesse a festa do Corpus Christi a toda a
Igreja por meio da bula “Transiturus” de 8 setembro do mesmo ano, fixando-a
para a quinta-feira depois da oitava de Pentecostes.
O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão,
porque o Papa morreu logo em seguida (2 de outubro de 1264), um pouco depois da
publicação do decreto, prejudicando a difusão da festa. Mas o Papa Clemente V
tomou o assunto em suas mãos e, no Concílio Geral de Viena (1311) ordenou mais
uma vez a adoção desta festa.
Em 1317 é promulgada uma recopilação de leis, por
João XXII, e assim a festa é estendida a toda a Igreja. Na diocese de Colônia
na Alemanha, a festa de Corpus Christi é celebrada antes de 1270.
Procissão
Na paróquia de Saint Martin em Liège, em 1230,
quando começou as homenagens ao Santíssimo Sacramento a procissão eucarística
acontecia só dentro da igreja. Em 1247, aconteceu a primeira procissão
eucarística pelas ruas de Liège, já como festa da diocese. Depois se tornou festa
nacional na Bélgica.
Nenhum dos decretos fala da procissão com o
Santíssimo como um aspecto da celebração. Porém estas procissões foram dotadas
de indulgências pelos Papas Martinho V e Eugênio IV, e se fizeram bastante
comuns a partir do século XIV.
Finalmente, o Concílio de Trento declara que muito
piedosa e religiosamente foi introduzido na Igreja de Deus o costume, que todos
os anos, o santíssimo seja levado em procissão pelas ruas e lugares públicos.
Todo católico deve participar dessa Procissão por ser
a mais importante de todas que acontecem durante o ano, pois é a única onde o
próprio Senhor sai às ruas para abençoar as pessoas, as famílias e a cidade.
Tapetes,
arte e religiosidade
Em muitos lugares criou-se o belo costume de
enfeitar as casas com oratórios e flores e as ruas com tapetes ornamentados,
tudo em honra do Senhor que vem visitar o seu povo.
No dia dedicado ao Corpo de Deus (Corpus Christi),
várias cidades brasileiras, organizam procissões, que percorrem as ruas
enfeitadas com tapetes. A confecção de tapetes de rua é uma magnífica
manifestação de arte popular
Utilizando diversos tipos de materiais, como
serragem colorida, borra de café, farinha, areia e alguns pequenos acessórios,
como tampinhas de garrafas, flores e folhas, as pessoas montam, com grande
arte, um tapete pelas ruas, formando desenhos relacionados ao Santíssimo.
Por este tapete passa a procissão, o sacerdote vai á
frente carregando o ostensório e em seguida pelas pessoas que participam da
festa. Tudo isto tem muito sentido e deve ser preservado.
Devoção
no Brasil
A tradição de fazer o tapete com folhas e flores vem
dos imigrantes açorianos. Essa tradição praticamente desapareceu em Portugal
continental, onde teve origem, mas foi mantida nos Açores e nos lugares em que
chegaram seus imigrantes, como por exemplo Florianópolis-SC.
As procissões portuguesas eram esplendorosas:
tropas, fidalgos, cavaleiros, andores, danças e cantos. A imagem de São Jorge,
padroeiro de Portugal, seguia a procissão montada em um cavalo, rodeada de oficiais
de gala.
O barroco enriqueceu esta festa com todas as suas
características de pompa. Em todo o Brasil esta festa adquiriu contornos do
barroco português. Corpus Christi é celebrado desde a época colonial com uma
abundância de cores. A tradição de enfeitar as ruas surgiu em Ouro Preto,
cidade histórica do interior de Minas Gerais.
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Santa Rita de Cássia, conhecida como Santa dos
Impossíveis
Nasceu na Itália, em Cássia, no ano de 1380. Seu
grande desejo era consagrar-se à vida religiosa. Mas, segundo os costumes de
seu tempo, ela foi entregue em matrimônio para Paulo Ferdinando.
Tiveram dois filhos, e ela buscou educá-los na fé e
no amor. Porém, eles foram influenciados pelo pai, que antes de se casar se
apresentava com uma boa índole, mas depois se mostrou fanfarrão, traidor,
entregue aos vícios. E seus filhos o acompanharam.
Rita então, chorava, orava, intercedia e sempre dava
bom exemplo a eles. E passou por um grande sofrimento ao ter o marido
assassinado e ao descobrir depois que os dois filhos pensavam em vingar a morte
do pai. Com um amor heroico por suas almas, ela suplicou a Deus que os levasse
antes que cometessem esse grave pecado. Pouco tempo mais tarde, os dois rapazes
morreram depois de preparar-se para o encontro com Deus.
Sem o marido e filhos, Santa Rita entregou-se à
oração, penitência e obras de caridade e tentou ser admitida no Convento
Agostiniano em Cássia, fato que foi recusado no início. No entanto, ela não
desistiu e manteve-se em oração, pedindo a intercessão de seus três santos
patronos – São João Batista, Santo Agostinho e São Nicolas de Tolentino – e milagrosamente
foi aceita no convento. Isso aconteceu por volta de 1441.
Seu refúgio era Jesus Cristo. A santa de hoje viveu
os impossíveis de sua vida se refugiando no Senhor. Rita quis ser religiosa. Já
era uma esposa santa, tornou-se uma viúva santa e depois uma religiosa
exemplar. Ela recebeu um estigma na testa, que a fez sofrer muito devido à
humilhação que sentia, pois cheirava mal e incomodava os outros. Por isso teve
que viver resguardada.
Morreu com 76 anos, após uma dura enfermidade que a
fez padecer por 4 anos. Hoje ela intercede pelos impossíveis de nossa vida,
pois é conhecida como a “Santa dos Impossíveis”.
Santa Rita de Cássia, rogai por nós!
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São Matias, testemunha do
Ressuscitado
Nós estamos em festa com toda a Igreja, pois
lembramos a santidade de vida de um escolhido do Espírito Santo para o grupo
dos apóstolos. São Matias era um discípulo que acompanhou Jesus no tempo de Seu
apostolado e foi tão fiel na vivência dos ensinamentos do Mestre, que tornou-se
testemunha de Sua ressurreição.
No livro dos Atos dos Apóstolos, estão registrados
os fatos que levaram à escolha de um discípulo que ocupasse o lugar deixado por
Judas, o traidor: “…é preciso, pois, que um dentre eles se torne conosco
testemunha de sua ressurreição. Apresentaram então dois homens: José chamado
Barsabás, que tinha o apelido de Justo, e Matias” (Atos 1,22-23).
São Matias recebeu em Pentecostes a efusão do
Espírito Santo, e tornou-se um apóstolo ardoroso como os demais, testemunha do
Ressuscitado. Evangelizou na Palestina e na Ásia Menor, e morreu mártir por
apedrejamento.
São Matias, rogai por nós!
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Nossa Senhora de Fátima
Segundo as memórias da Irmã Lúcia, podemos dividir a
mensagem de Fátima em três ciclos: Angélico, Mariano e Cordimariano.
O Ciclo Angélico se deu em três momentos: quando o
anjo se apresentou como o Anjo da Paz, depois como o Anjo de Portugal e, por
fim, o Anjo da Eucaristia.
Depois das aparições do anjo, no dia 13 de maio de
1917, começa o ciclo Mariano, quando a Santíssima Virgem Maria se apresentou
mais brilhante do que o sol a três crianças: Lúcia, 10 anos, modelo de
obediência e seus primos Francisco, 9, modelo de adoração e Jacinta, 7, modelo
de acolhimento.
Na Cova da Iria aconteceram seis aparições de Nossa
Senhora do Rosário. A sexta, sendo somente para a Irmã Lúcia, assim como
aquelas que ocorreram na Espanha, compondo o Ciclo Cordimariano.
Em agosto, devido às perseguições que os Pastorinhos
estavam sofrendo por causa da mensagem de Fátima, a Virgem do Rosário não pôde
mais aparecer para eles na Cova da Iria. No dia 19 de agosto ela aparece a eles
então no Valinhos.
Algumas características em todos os ciclos: o
mistério da Santíssima Trindade, a reparação, a oração, a oração do Santo
Rosário, a conversão, a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria.
Enfim, por intermédio dos Pastorinhos, a Virgem de Fátima nos convoca à
vivência do Evangelho, centralizado no mistério da Eucaristia. A mensagem de
Fátima está a serviço da Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A Virgem Maria nos convida para vivermos a graça e a
misericórdia. A mensagem de Fátima é dirigida ao mundo, por isso, lá é o Altar
do Mundo.
Expressão do Coração Imaculado de Maria que, no fim,
irá triunfar é a jaculatória ensinada por Lúcia: “Ó Meu Jesus, perdoai-nos e
livrai-nos do fogo do Inferno, levai as almas todas para o Céu; socorrei
principalmente as que mais precisarem!”
Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!
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Santa Sofia
Santa Sofia, protetora
das mães, das viúvas e intercessora contra as doenças da pele.
O nome Sofia significa
"sabedoria de Deus". Santa Sofia nasceu em Roma, então governada pelo
Imperador Adriano, perto do ano 130. Ela sofreu grande perseguição,
principalmente por Antíoco, que era o prefeito de Roma na época. Santa Sofia se
converteu ao cristianismo ainda bem jovem e dedicou toda a sua vida a levar
Jesus às pessoas.
Esposa, mãe e viúva
Sabe-se que Sofia foi
casada e teve três filhas: Fé, Esperança e Caridade. Esses nomes ela escolheu
quando levou as filhas para serem batizadas. Ficou viúva e, sozinha, cuidava
das filhas. Assim, educou-as na fé cristã e se tornou um exemplo de mulher
virtuosa em Roma.
Prisão e tortura das
filhas
Por causa de sua fama na
cidade e da perseguição contra os cristãos, o prefeito da cidade prendeu Santa
Sofia e suas três filhas. A crueldade chegou a tal ponto que, na presença da
mãe, o tal prefeito foi torturando uma a uma de suas filhas, para que ela
renunciasse a Jesus e sua fé cristã, e adorasse aos deuses romanos. A Santa e
suas três filhas, porém, se mantiveram firmes na fé, na certeza de que Jesus
era o único Rei e Senhor da vida delas e de todas as outras.
Sofrimento e morte das
filhas
Os torturadores amarraram
Santa Sofia para que ela assistisse as torturas de suas filhas e renunciasse a
sua fé. A primeira filha, Santa Fé, amarraram, quebraram seus braços e pernas,
chicotearam até sua morte. A segunda, Santa Esperança, colocaram em um tacho com
betume quente até que ela morresse. E a terceira, Santa Caridade, foi
decapitada. Todas foram torturadas à frente da mãe, mas Santa Sofia, sustentada
pela força divina, permaneceu rezando por elas e dando forças para que
aguentassem sem esmorecer na fé. Todas morreram rezando junto com a mãe.
Deixada viva para sofrer
O prefeito, vendo que
Santa Sofia não renunciaria à fé, resolveu deixa-la viva, afim de que sofresse
moralmente a perda das filhas. Santa Sofia sofreu, sim, o trauma da morte e a
falta das filhas, mas permaneceu firme na fé e encorajando a todos que
encontrava. Seu conforto era saber, com certeza no coração, que suas filhas
deram a vida por Jesus e estavam na glória de Deus.
Perde todos os bens
Após a morte das filhas,
Santa Sofia perdeu tudo que tinha: bens, casa, família, mas continuou levando
várias pessoas para o cristianismo, sem perder sua confiança em Jesus Cristo em
nenhum momento.
Referência para os
primeiros cristãos
Os cristãos eram presos,
torturados e mortos. Santa Sofia, então, se tornou uma força para todos. Com
seus jejuns, trabalhos e orações, dava grande exemplo de fé e amor a Jesus
Cristo e animava a todos. Assim, conseguiu levar milhares de pessoas para a fé
cristã.
Morte de Santa Sofia
Algum tempo depois,
enquanto rezava sobre o tumulo das três filhas, Santa Sofia caiu morta sobre
ele. Foi em setembro do ano 130 depois de Cristo. Ela foi sepultada no
mesmo túmulo de suas filhas.
Milagres
Vários milagres começaram
a acontecer, principalmente a cura de feridas na pele das pessoas que iam rezar
a Santa Sofia e suas filhas. Por isso, ela se tornou uma das Santas mais
venerados no Oriente.
Hagia Sofia
Por causa de seus
sofrimentos e da importância de sua história para os cristãos, em sua honra foi
construída uma magnífica Basílica em Constantinopla, atual Istambul, Turquia.
Trata-se da famosa e esplendorosa Basílica de Santa Sofia, conhecida também
como Hagia Sofia. Porém, após a conquista pelos muçulmanos, o magnífico templo
se tornou uma mesquita e hoje é um museu. No Rio de Janeiro existe uma igreja,
no bairro de Cosmos, dedicada a Santa Sofia.
Oração a Santa Sofia
"Santa Sofia,
Sabedoria de Deus, buscastes na contemplação de Cristo Crucificado força e
coragem para a tua vida. Não desprezastes a vida na terra, porque teus olhos
fixos no Cristo encontravam sentido melhor para tudo o que devias fazer.
Indicastes para muitas pessoas o verdadeiro caminho a seguir, procurando na
vida de Cristo no Evangelho, a fonte de inspiração para conviver melhor com
todos. Ajuda-me a participar mais de nossa religião. De Deus, que é Pai, espero
confiante tudo o que preciso para a minha felicidade. Ensina-me a ser sempre
agradecido( a ) por tudo o que acontece em minha vida. Quer que eu também ajude
outras pessoas a conhecer e a sentir a bondade de Deus."
Santa Sofia, rogai
por nós. Amém.
********** Santa Catarina de Sena
Neste
dia, celebramos a vida de uma das mulheres que marcaram profundamente a
história da Igreja: Santa Catarina de Sena. Reconhecida como Doutora da Igreja,
era de uma enorme e pobre família de Sena, na Itália, onde nasceu em 1347.
Voltada
à oração, ao silêncio e à penitência, não se consagrou em uma congregação, mas
continuou, no seu cotidiano dos serviços domésticos, a servir a Cristo e Sua
Igreja, já que tudo o que fazia, oferecia pela salvação das almas. Através de
cartas às autoridades, embora analfabeta e de frágil constituição física,
conseguia mover homens para a reconciliação e paz como um gigante.
Dotada
de dons místicos, recebeu espiritual e realmente as chagas do Cristo; além de
manter uma profunda comunhão com Deus Pai, por meio da qual teve origem sua
obra: “O Diálogo”. Comungando também com a situação dos seus, ajudou-o em
muito, socorrendo o povo italiano, que sofria com uma peste mortífera e com
igual amor socorreu a Igreja que, com dois Papas, sofria cisão, até que
Catarina, santamente, movimentou os céus e a terra, conseguindo banir toda
confusão. Morreu no ano de 1380, repetindo: “Se morrer, sabeis que morro de
paixão pela Igreja”.
Santa
Catarina de Sena, rogai por nós!
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São Marcos Evangelista
Celebramos com muita alegria a vida de santidade de
um dos quatro Evangelistas: São Marcos. Era judeu de origem e de uma família
tão cristã que sempre acolheu aos primeiros cristãos em sua casa: “Ele se orientou
e dirigiu-se para a casa de Maria, mãe de João, chamado Marcos; estava lá uma
numerosíssima assembleia a orar” (Atos 12,12).
A tradição nos leva a crer que na casa de São Marcos
teria acontecido a Santa Ceia celebrada por Jesus, assim como dia de
Pentecostes, onde “inaugurou” a Igreja Católica. Encontramos na Bíblia que o
santo de hoje acompanhou inicialmente São Barnabé e São Paulo em viagens
apostólicas, e depois São Pedro em Roma
São Marcos na Igreja primitiva fez um lindo trabalho
missionário, que não teve fim diante da prisão e morte dos amigos São Pedro e
São Paulo. Por isso, evangelizou no poder do Espírito Alexandria, Egito e
Chipre, lugar onde fundou comunidades. Ficou conhecido principalmente por ter
sido agraciado com o carisma da inspiração e vivência comunitária, que deram
origem ao Evangelho querigmático de Jesus Cristo segundo Marcos.
São Marcos, rogai por nós!
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Sobre
São Jorge
Devotos no mundo inteiro
comemoram no dia 23 de abril, o Dia de São Jorge, o santo padroeiro da
Inglaterra, de Portugal, da Catalunha, dos soldados, dos escoteiros etc. No
oriente, São Jorge é venerado desde o século IV e recebeu o honroso título de
“Grande Mártir”.
Guerreiro originário da
Capadócia e militar do Império Romano ao tempo do imperador Diocleciano, Jorge
converteu-se ao cristianismo e não aguentou assistir calado às perseguições
ordenadas pelo imperador. Foi morto na Palestina no dia 23 de abril de 303. Ele
teria sido vítima da perseguição de Diocleciano, sendo torturado e decapitado
em Nicomédia, tudo devido à sua fé cristã.
A imagem de todos
conhecida, do cavaleiro que luta contra o dragão, foi difundida na Idade Média.
Está relacionada às diversas lendas criadas a seu respeito e contada de várias
maneiras em suas muitas paixões. Iconograficamente, São Jorge é representado
como um jovem imberbe, de armadura, tanto em pé como em um cavalo branco com
uma cruz vermelha. Com a reforma do calendário litúrgico, realizada pelo papa
Paulo VI, em maio de 1969, tornou-se opcional a observância do seu dia festivo.
Embora muitos ainda suspeitem da veracidade de sua história, a Igreja Católica
reconhece a autenticidade do culto ao santo. O culto do santo chegou ao Brasil
com os portugueses. Em 1387, Dom João I já decretara a obrigatoriedade de sua
imagem nas procissões de Corpus Christi. O Sport Clube Corinthians Paulista foi
outra grande contribuição para a popularização de São Jorge, primeiro no Estado
de São Paulo e depois no País, ao escolher o santo como seu padroeiro e
protetor, em 1910.
A quantidade de milagres
atribuídos a São Jorge é imensa. Segundo a tradição, ele defende e favorece a
todos os que a ele recorrem com fé e devoção, vencendo batalhas e demandas,
questões complicadas, perseguições, injustiças, disputas e desentendimentos.
São Jorge é venerado
desde o século IV
O culto a São Jorge vem
do século 4 dC. O soldado foi martirizado na Palestina no dia 23 de abril de
303, vítima da perseguição do imperador Diocleciano. Foi torturado e teve a
cabeça cortada, em Nicomédia, devido a sua fé cristã.
Os restos mortais de São
Jorge foram transportados para Lídia (antiga Dióspolis), onde foi sepultado, e
onde o imperador cristão Constantino (que depois de vários imperadores
anti-cristãos converteu-se e a império à religião cristã) mandou erguer
suntuoso oratório aberto aos fiéis. Seu culto espalhou-se imediatamente por
todo o Oriente. No século V, já havia cinco igrejas em Constantinopla dedicadas
a São Jorge. Só no Egito, nos primeiros séculos após sua morte, foram erguidas
quatro igrejas e quarenta conventos dedicados ao mártir. Na Armênia, na Grécia,
no Império Bizantino (a região oriental do Império Romano, que tinha capital em
Bizâncio, depois, Constantinopla) São Jorge era inscrito entre os maiores Santos
da Igreja Católica. No Ocidente, na Idade Média, as Cruzadas colocaram São
Jorge à frente de suas milícias, como Patrono da Cavalaria. Na Itália, era
padroeiro da cidade de Gênova. Na Alemanha, Frederico III dedicou a ele uma
Ordem Militar. Na França, São Gregório de Tours era conhecido por sua devoção a
São Jorge; o rei Clóvis dedicou-lhe um mosteiro, e sua esposa, Santa Clotide,
erigiu várias igrejas e conventos em sua honra. A Inglaterra foi o país
ocidental onde a devoção ao santo teve papel mais relevante. O monarca Eduardo
III colocou sob a proteção de São Jorge a Ordem da Cavalaria da jarrateira,
fundada por ele em 1330. Por considera-lo o protótipo dos cavaleiros medievais,
o inglês Ricardo Coração de Leão, comandante de uma das primeiras Cruzadas, constituiu
São Jorge padroeiro daquelas expedições que tentavam conquistar a Terra Santa
aos muçulmanos. No século 13, a Inglaterra celebrava sua festa como dia santo e
de guarda e, em 1348, criou a Ordem dos Cavaleiros de São Jorge. Os ingleses
acabaram por adotar São Jorge como padroeiro do país, imitando os gregos que
também trazem a cruz de São Jorge na sua bandeira. Ainda durante a Primeira
Guerra Mundial (1914-1918) muitas medalhas de São Jorge foram cunhadas e
oferecidas aos enfermeiros militares e às irmãs de caridade que se sacrificaram
ao tomar conta dos feridos da guerra. As artes, também, divulgaram amplamente a
imagem do santo. Em Paris, no Museu do Louvre, há um quadro famoso de Rafael
(1483-1520), intitulado “São Jorge vencedor do Dragão”. Na Itália, existem
diversos quadros célebres, como o de autoria de Donatello (1386-1466).
São Jorge e a morte do
dragão
A imagem conhecida de
todos, do cavaleiro que luta contra o dragão, está relacionada às lendas
criadas a partir da Idade Média. Há uma grande variedade de histórias
relacionadas a São Jorge. O relato e a imagem de todos conhecidos, do cavaleiro
que luta contra o dragão, começaram a ser difundidos na Idade Média . A imagem
atual do santo, sentado em um cavalo com uma lança que atravessa um dragão,
está relacionada às diversas lendas criadas a seu respeito, contadas de várias
maneiras em suas muitas paixões. A versão mais corrente dá conta que um
horrível dragão saía de vez em quando das profundezas de um lago e atirava fogo
contra os muros de uma longínqua cidade do Oriente, trazendo morte com seu
mortífero hálito. Para não destruir toda a cidade, o dragão exigia regularmente
que lhe entregassem jovens mulheres para serem devoradas. Um dia coube à filha
do Rei ser oferecida em comida ao monstro. O Monarca, que nada pôde fazer para
evitar esse horrível destino da tenra filhinha, acompanhou-a com lágrimas até
às margens do lago. A princesa parecia irremediavelmente destinada a um fim
atroz, quando de repente apareceu um corajoso cavaleiro vindo da Capadócia,
montado em um cavalo branco, São Jorge. Destemidamente, enfrentou as perigosas
labaredas de fogo que saíam da boca do dragão e as venenosas nuvens de fumaça
de enxofre que eram expelidas pelas narinas do monstro. Após um duro combate,
finalmente São Jorge venceu o terrível dragão, com sua espada de ouro e sua
lança de aço. O misterioso cavaleiro assegurou ao povo que tinha vindo, em nome
de Cristo, para vencer o dragão. Eles deviam converter-se e ser batizados. Para
alguns, o dragão (o demônio) simbolizaria a idolatria destruída com as armas da
Fé. Já a donzela que o santo defendeu, representaria a província da qual ele
extirpou as heresias. A relação entre o santo e a lua viria de uma lenda antiga
que acabou virando crença para muitos. Diz a tradição que as manchas
apresentadas pela lua representam o milagroso santo e sua espada pronto para
defender aqueles que buscam sua ajuda.
Desde 1969, Igreja
Católica tornou opcional a celebração a São Jorge
Embora muitos considerem
que sua história não passe de um mito e outros até mesmo acreditem que o santo
tenha sido cassado pela Igreja Católica, o martírio de São Jorge e o seu culto
continuam sendo reconhecidos pelo catolicismo. A lenda do guerreiro que matou o
dragão havia sido rejeitada no século 5 por um concílio, mas persistiu e ganhou
enorme popularidade no tempo das Cruzadas. “A imagem atual é fruto de uma
lenda. Isso não quer dizer, no entanto, que esse santo não existiu e que o
martírio dele não foi significativo”, diz o monsenhor Arnaldo Beltrami, vigário
episcopal de comunicação da Arquidiocese de São Paulo. No dia 9 de maio de
1969, a observância do Dia de São Jorge tornou-se opcional, com a reforma do
calendário litúrgico, realizada pelo papa Paulo VI. A reforma retirou do
calendário litúrgico as comemorações dos santos dos quais não havia
documentação histórica, mas apenas relatos tradicionais. Daí ter-se falado,
naquele tempo, em “cassação de santos”. Mas o fato da celebração do Dia de São
Jorge tornar-se opcional não significa o não reconhecimento do santo.
São Jorge é o padroeiro
da Inglaterra
O “Santo Guerreiro” é
também o padroeiro da Inglaterra, de Portugal e da Catalunha (região da Espanha
que reivindica identidade nacional, onde se localiza Barcelona). Não há
consenso, porém, a respeito da maneira como teria se tornado patrono da
Inglaterra. Seu nome era conhecido na Inglaterra e na Irlanda muito antes da
conquista normanda, o que leva a crer que os soldados que retornavam das
Cruzadas influíram bastante na disseminação de sua popularidade. Acredita-se
que o santo tenha sido escolhido o padroeiro do reino quando o rei Eduardo III
fundou a Ordem dos Cavaleiros de São Jorge, em 1348. Em 1415, a data de sua
comemoração tornou-se um dos feriados mais importantes do país. Em 1970, a
festa anual do santo nas igrejas católicas foi tornada opcional, com a reforma
do papa Paulo VI. Entretanto, na Inglaterra e em outros lugares onde São Jorge
é especialmente venerado, tal festa guarda ainda toda a sua antiga solenidade.
Os ingleses acabaram por adotar São Jorge como padroeiro do país.
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São José -Esposo da Virgem Maria-
A devoção a São José na Igreja Católica é
antiquíssima. A Igreja do Oriente celebra-lhe a festa desde o século nono,
tendo os Carmelitas introduzido tal festa na Igreja ocidental. Os Franciscanos
em 1399 já festejavam a comemoração do santo Patriarca. Xisto IV inseriu-a no
breviário e no missal; Gregório XV generalizou-a em toda a Igreja. Clemente XI
compôs o ofício com os hinos para o dia 19 de março e colocou as missões da
China sob a proteção de São José. Pio IX introduziu, em 1847, a festa do
Patrocínio de São José e, em 1871 declarou-o PADROEIRO DA IGREJA CATÓLICA; Leão
XIII e Benedito XV recomendaram aos fiéis a devoção a São José, de um modo
particular, chegando este último Papa a inserir no missal um prefácio próprio.
Nada sabemos a respeito da infância de São
José, tampouco da vida que levou, até o casamento com Maria Santíssima. Os
santos Evangelhos não nos dizem cousa alguma a respeito; limitam-se apenas a
afirmar que José era justo, o que quer dizer: José era cumpridor da
lei, homem santo.
Que a virtude e santidade de São José foram
extraordinárias, vemos pela grande missão que Deus lhe confiou. Segundo a
Doutrina de São Tomás de Aquino, Deus confere as graças e privilégios à medida
da dignidade e da elevação do estado, a que destina o indivíduo. Pode
imaginar-se dignidade maior que a de S. José que, pelos desígnios de Deus,
devia ser esposo de Maria Santíssima e pai nutrício de seu divino Filho?
Maria Santíssima, consentindo no enlace com o santo descendente de David, não
podia ter outra cousa em mira, senão uma garantia para o futuro, uma defesa de
sua virtude e uma satisfação perante a sociedade, visto que no Antigo
Testamento não era conhecida, e muito menos considerada, a vida celibatária.
Celebrando o contrato, Maria Santíssima certamente o fez com a garantia
absoluta da pureza virginal, que por inspiração divina votara a Deus. Ao
realizar-se a grandiosa obra da Encarnação do Verbo , o Arcanjo Gabriel
comunicou-se o grande mistério, que nela se havia de realizar e, após
pronunciar o "fiat", consentindo sua maternidade operada pelo
Espírito Santo, deixou São José em completa ignorância. Com esse consentimento,
dirigiu-se à casa de Isabel, onde se demorou três meses e, de volta para casa,
seu estado causou no espírito se São José as mais graves preocupações e
cruéis dúvidas. A virtude e a santidade da esposa estavam acima de
qualquer suspeita, não lhe permitindo explicação menos favorável. Nesta
perplexidade invencível, resolveu abandonar a esposa e, quando tudo já
estivesse providenciado para a partida, um Anjo do Senhor lhe aparece em sonhos
e lhe diz: : "José, filho de Davi, não temas admitir Maria, tua Esposa,
porque o que nela se operou é obra do Espírito Santo". Foram assim de vez
dissipadas as negras nuvens do espírito de José. Com quanto respeito, com
quanta atenção não teria tratado aquela, que pela fé sabia ser o tabernáculo
vivo do Messias.
Ignora-se quando São José morreu. Há razões
que fazem supor que o desenlace se tenha dado antes da vida pública de
Jesus Cristo. Certamente não se achava mais vivo quando seu Filho morreu
na cruz; do contrário não se explicaria porque Jesus recomendou a Mãe a São
João Evangelista, não tendo por isto razão, se estivesse vivo São José.
Que morte santa terá tido o pai nutrício de Jesus!
Que felicidade morrer nos braços do próprio Jesus Cristo, tendo à cabeceira a
Mãe de Deus! Mortal algum teve igual ventura. A Igreja com muita razão invoca
São José como padroeiro dos moribundos e os cristãos se lhe dirigem com
confiança, para alcançar a graça de uma boa morte.
Não existem relíquias de S. José, tampouco sabe-se
algo do lugar onde foi sepultado. Homens ilustrados e versados nas ciências
teológicas houve e há que defendem a opinião que S. José, em atenção a
sua alta posição e grande santidade, foi, como São João Batista, santificado
antes do nascimento e já gozava de corpo e alma da glória de Deus no céu, em
companhia de Jesus, seu Filho e Maria, sua Santíssima esposa.
Grande deve ser a nossa confiança na intercessão de
S. José. Não há pessoa, não há classe que não possa, que não deva se lhe
dirigir. Santa Tereza, a grande propagandista da devoção a São José, chegou a
dizer: "Não me lembro de ter-me dirigido a São José, sem que tivesse
obtido tudo que pedira".
Reflexões
São José é um dos grandes santos a que a Igreja
patenteia a maior devoção e confiança. E com razão! O Esposo de Maria
Santíssima, o pai putativo de Cristo, tendo recebido de Deus as mais
honrosas distinções, quão caro não deve ser ao Onipotente, quanto poder não
deve ter sobre o coração do Divino Filho. Recorram, pois, àquele modelo
de vida oculta e contemplativa os que escolheram para si o melhor modelo de
perfeição. Recorram todos a São José para obter a pureza do corpo, da alma e do
espírito. Ele é o advogado dos agonizantes porque só ele, entre os mortais,
teve a graça de expirar nos braços de Jesus e Maria.
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14 de Fevereiro - São Valentim
Mas, São Valentim se tornou o protetor dos namorados, ou melhor, os dois se tornaram, por outro motivo, além desta tradição dos devotos. Vejamos porque. O primeiro mártir, um soldado romano, foi incluído no Martirológio Romano com o nome de Valentim. O segundo foi inserido como Valentim de Terni, pois era o bispo dessa diocese. O registro sobre sua vida pode ser encontrado por esse nome, em outra página.
No século III, em Roma, Valentim, era um sacerdote e o imperador era Cláudio II,o Gótico. O Império enfrentava muitos problemas, com inúmeras batalhas perdidas. O imperador deduziu que a culpa era dos soldados solteiros, que segundo ele, eram os menos destemidos ou ousados nas lutas. E, mais, que depois de se ferirem levemente, pediam dispensa das frentes. Mas, o que era pior, retornavam para o exército, casados e nesta condição queriam voltar vivos, enfraquecendo os exércitos. Por isto, proibiu a celebração dos casamentos.
Conforme os registros da diocese de Terni, Valentim foi consagrado em 197, sendo seu primeiro bispo e considerado fundador da cidade. Consta que ao lado de sua casa e da igreja havia um imenso prado e um belo jardim. Quanto não estava trabalhando na igreja ou tratando de algum doente, podia ser visto cuidando das rosas que cultivava. À tarde ele abria os portões para as crianças brincarem e correrem livremente. Ao entardecer ele abençoava cada uma entregando uma flor, para ser entregue às suas mães. A sua intenção era fazer as crianças irem direto para casa e alimentar o amor e respeito pelos pais.
Valentim, tinha o dom do conselho, sua fama de reconciliador dos casais de namorados era muito difundida. Tudo começou assim: certo dia, ouvindo dois jovens namorados brigando, que pararam ao lado da cerca do seu jardim, foi ao encontro deles levando na mão uma linda rosa. O capuz caído, a figura serena e sorridente do bom velho e aquela rosa que ele parecia lhes oferecer, tiveram o mágico poder da acalmar os dois namorados em briga. Depois, quando ele, entregando realmente a rosa vermelha, pediu que os dois juntos apertassem o cabo com cuidado para não se espetarem e explicou o "cor unum", que em latim significa "união de corpos" de duas pessoas casadas, o amor retornou como antes.
Algum tempo depois, os dois procuraram Valentim para marcar o casamento, que celebrou e abençoou a união do casal. Na cerimônia compareceram quase todos da cidade, querendo participar do final feliz do casal reconciliado. A história se espalhou e sua fama se criou.
























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