sábado, 5 de agosto de 2017

Santo do dia





Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo

 

Apolitiquion da Transfiguração:

Transfigurastes-vos sobre o monte, ó Cristo Deus, mostrando vossa glória a vossos discípulos, conforme puderam. Fazei brilhar também sobre nós, pecadores, vossa luz eterna, pela intercessão da Mãe de Deus. Ó distribuidor da luz, glória a Vós.

Condaquion da Transfiguração: 
Transfigurastes-vos sobre o monte, ó Cristo Deus, e vossos discípulos contemplaram, como puderam, a vossa glória; a fim de que, ao Vos verem crucificado, compreendam que vossa paixão foi voluntária e anunciem ao mundo que sois realmente o resplendor do Pai.

A liturgia de hoje comemora a festa da Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo. Dos Evangelistas é São Mateus que refere por minúcias esse fato admirável da vida de Nosso Senhor. 
Os Santos Padres ocupam-se muito do mistério da Transfiguração de Nosso Senhor, principalmente São Crisóstomo, que escreveu coisas admiráveis sobre o mesmo assunto. O que se segue, são pensamentos daquele Santo Padre, como os propôs aos ouvintes, explicando o evangelho do dia de hoje. 
Nosso Senhor, tendo falado muitas vezes da sua Paixão e Morte, profetizara aos Apóstolos perseguição e morte cruel; tendo-lhes dado mandamentos positivos e severos, quis mostrar-lhes a magnificência e glória com que voltará no fim do mundo, provar e revelar-lhes, já nesta vida sua majestade, para animá-los e confortá-los nas tristezas presentes e futuras. 
São Mateus (cap. 17, 1-13) escreve, contando o fato da Transfiguração:  "Seis dias depois, (isto é, depois da predição de sua Paixão e Morte) Jesus tomou a Pedro, Tiago e a João". Um outro Evangelista (Lucas 9, 28) diz:  "Oito dias depois". Não há contradição entre os dois, porque este conta o dia em que Jesus cursou perante os Apóstolos e o dia em que subiu o monte Tabor, quando São Mateus conta apenas os dias que estão entre estes dois fatos. Reparamos também a modéstia de São Mateus, que menciona os Apóstolos que mais do que ele, foram honrados por Nosso Senhor. Nesse ponto, segue o exemplo de São João, que minuciosamente refere os elogios com que Jesus distinguiu a Pedro. 
Jesus tomou os  chefes dos Apóstolos e levou-os a um monte, a sós.  E transfigurou-se diante deles. Resplandeceu-se-lhe o rosto como o sol, e os vestidos tornaram-se brancos como a neve. Por que motivo Nosso Senhor levou só estes três Apóstolos?  Porque ocuparam um lugar saliente entre os demais. Pedro salientava-se pelo amor a Jesus; João era o mais querido de Nosso Senhor e Tiago por causa da resposta que juntamente com o  irmão dera ao Divino Mestre: "Nós beberemos o cálice". E não só por causa desta resposta, como também em virtude das suas obras, que provaram a verdade daquela asserção. Era tão odiado pelos judeus, que Herodes, para ser-lhes agradável, o mandou matar. Por que razão, disse Nosso Senhor aos Apóstolos: "Em verdade vos digo: alguns de vós aqui presentes não verão a morte, enquanto não tiverem visto o Filho do Homem em sua glória?" (Mt. 16, 28).  Com certeza para lhes estimular a curiosidade de ver aquela visão, da qual lhes falava e enchê-los do desejo de ver o Mestre rodeado da glória divina. 
"Eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com Ele".  Por que apareceram essas figuras do Antigo testamento?  Há diversas razões que explicam esta circunstância. A primeira é esta:  Porque entre o povo dizia-se que Jesus era Elias, Jeremias ou um dos profetas do Antigo testamento, ficar-lhes-ia patente a grande diferença que existia entre o servo do Senhor, e que bem merecido fora o elogio que coube a São Pedro, por ter chamado Filho de Deus a Nosso Senhor.  Segunda razão:  Repetidas vezes inimigos de Nosso Senhor o acusavam de blasfêmias, da pretensão de dizer-se Filho de Deus" (Jo  9,  33).  Estas acusações eram frequentes e  como proviessem de inveja, quis Nosso senhor mostrar que não transgredira a lei e nenhuma blasfêmia proferira, dizendo-se Filho de Deus.  Para este fim,  Jesus fez aparecer dois profetas de maior destaque. De Moisés era a lei, e não era admissível que justamente Moisés distinguisse com sua presença o transgressor da mesma que era Jesus Cristo, na opinião dos judeus. Elias, o grande zelador da honra de Deus, por seu turno,  nunca teria honrado com sua presença a Jesus Cristo se este de fato não fosse o filho de deus. Um terceiro motivo seria este:  Aparece um profeta que morreu e um outro que não sofreu a morte. Esta circunstância devia fazer compreender aos discípulos, que seu Mestre é o Senhor da vida e da morte, e seu reino é no céu e na terra. Um quarto motivo, o próprio Evangelista menciona: Para mostrar a glória da cruz e para animar os pobres Apóstolos, na triste previsão de sofrimentos. Os dois profetas falaram da glória, que na cruz seria manifesta, em Jerusalém;  (Lc 9, 31),  isto é, da sua Paixão e Morte. 
Se Nosso Senhor levou consigo estes três Apóstolos, foi também porque deles havia de exigir uma virtude mais apurada que dos outros.  "Quem quer seguir-me, tome a sua cruz e siga-me". Os dois profetas do Antigo Testamento eram homens que, pela lei de Deus e pelo bem do povo, estavam sempre prontos a deixar a vida. Ambos, Elias e Moisés, usaram da máxima franqueza na presença de tiranos, este diante do Faraó, aquele diante de Achab; ambos se empenharam em favor de homens rudes e ingratos;  ambos foram quais vítimas de malícia daqueles, a que mais benefícios dispensaram; ambos trabalharam para exterminar a idolatria entre o povo. Tanto um como o outro desprezavam a riqueza.  Moisés e Elias eram pobres e viviam num tempo, em que os grandes servidores de Deus não possuíam o dom de fazer grandes milagres. É verdade que Moisés dividiu as águas  do mar; Pedro, porém, andou sobre as ondas, expulsou maus espíritos, curou muitos doentes e transformou a face da terra.  É verdade que Elias ressuscitou um morto;  os Apóstolos, porém, chamaram muitos mortos à vida, no tempo em que ainda não tinham recebido o Espírito Santo.  Jesus Cristo faz aparecer estes dois profetas, para apresentá-los aos discípulos, como modelos de firmeza e constância; como Moisés devem ser mansos e humildes; iguais a Elias, deviam ser zelosos e incansáveis; como ambos, prudentes e circunspectos. Elias passou fome durante três anos, por amor ao povo. Moisés disse a deus: "Perdoai-lhes os pecados e exonerai-me ou se assim não quiserdes, extingui meu nome do vosso livro". Tudo isso Jesus faz lembrar aos Apóstolos mostrando-lhes, em misteriosa visão, a glória de Elias e Moisés. 
Propondo-lhes Elias e Moisés como modelos, a imitação dos mesmos ainda não é o ideal, que Jesus Cristo quer ver nos Apóstolos. Quando estes disseram:  "Senhor, se assim quiserdes, chamaremos fogo do céu, que destrua esta cidade",  talvez assim falaram lembrando-se de Elias, que de tal forma procedeu. Jesus, porém, respondeu-lhes: "Não sabeis de que espírito sois". (Lc 9, 55). Queria assim ensinar-lhes, que é melhor sofrer uma injustiça, quando se perceberam graças maiores. Não quer isto dizer que Elias não fosse santo e perfeito. Elias vivera num outro tempo, em que a humanidade, atrasada ainda na cultura, carecia de meios educativos mais fortes. O campo de ação dos Apóstolos não devIa ser o Egito, a terra de Moisés, mas o mundo inteiro; não era ao Faraó que haviam de contradizer, mas aceitar a luta do demônio, o tirano da maldade, vencê-lo e desarmá-lo.  
E não o conseguiram dividindo as águas do mar. A tarefa era, armando-se do ramo de Jessé, dividir as águas furiosas do oceano da impiedade.  Reparemos bem as quantas coisas não amedrontaram os Apóstolos: a morte, privações e mil martírios não menos os intimidaram, que aos Judeus e o Mar Vermelho e as hostes de Faraó; mas Jesus, seu Mestre, levou-os a tal grau de perfeição que não hesitaram em aceitar tudo. Para torná-los capazes de uma missão tão difícil, apresentou-lhes os dois grandes heróis do Antigo Testamento. 
"Senhor, bom é estarmos aqui", disse São Pedro a Jesus.  Ouvindo as referências à Paixão e Morte do querido Mestre, o coração encheu-se de temor; mas desta vez, faltando-lhe a coragem de dizer: "Longe de ti estas coisas", formulou os receios nas palavras já mencionadas. O monte onde se achavam, bem longe de Jerusalém, já era a seu ver uma garantia;  fazendo ainda três tendas para lá morar, dispensava perfeitamente a viagem a Jerusalém e removido o perigo do Mestre cair nas mãos dos inimigos. "Bom é estarmos aqui", com Elias, que chamou fogo sobre a montanha; com Moisés, que falou com Deus no cimo do monte - ninguém sabe que aqui estamos. Quem não descobre nestas palavras a profunda e sincera amizade  de São Pedro ao Mestre?  Os Evangelistas, referindo-se às palavras de São Pedro, dizem:  "Não sabia o que falava, pois tão atônito de medo se achava" (Mc 9, 5 e Lc 9,33).
Falando ainda, eis que uma nuvem os envolveu. Não era noite, era dia claro. A luz, o esplendor assombrava-os e atônitos caíram de rosto por terra. Qual foi a atitude de Cristo? Nem ele, nem Elias, nem Moisés, disseram coisa alguma. Mas da nuvem saiu a voz daquele que é a Verdade. Por que da nuvem? Porque deus sempre fala da nuvem. "Rodeado está de nuvens e trevas" (Sal 96, 2).  "O Filho do Homem vem entre as nuvens" (Dan 7, 13).  Saindo a voz da nuvem, não lhes restava dúvida que era a voz de Deus. 
E eis que uma voz do meio da nuvem disse:  "Este é meu Filho muito amado, em quem me agradei;  ouví-o". No monte Sinai Deus publicou ameaças contra o povo. Aqui se via uma nuvem branca e lúcida. Pedro tinha falado em três tendas. Deus, porém,  mostrou uma única tenda, não feita por mão de homem;  daí a circunstância da aparição de uma luz claríssima e a audição de uma voz. Para não deixar dúvida sobre a pessoa em questão, Elias e Moisés desapareceram e a voz disse: "Este é meu filho muito amado".  Se é Ele o amado, o medo de Pedro é infundado. Embora já devesse estar convencido da divindade do Mestre, embora não tivesse dúvida da sua futura ressurreição, Pedro ainda é vacilante em sua fé.  Ouvindo agora a voz confirmante do Eterno Pai, deviam desaparecer-lhe os temores e as dúvidas. Se Ele é o Filho muito amado, o Pai não o abandonará. É seu amado, não só por ser seu filho, mas também por Lhe ser igual.  "Nele achei meu agrado",  quer dizer, pois: Ele é meu agrado, minha alegria, porque, como Filho, é igual ao Pai, é regido pela mesma vontade, é um com ele eternamente. Ouví-o.

R E F L E X Õ E S
Felizes os Apóstolos que foram achados dignos de ver o Divino Mestre com tanta glória e magnificência. Se quisermos,  poderemos também ver o mesmo Jesus, não como os Apóstolos no monte Tabor, mas numa glória incomparavelmente maior - naquele dia em que virá com toda glória e majestade, rodeado dos Anjos e Santos do Céu.  Todos os homens hão de ver como Ele virá sobre as nuvens. Julgando a todos dirá aos que se acharem à direita:  "Vinde, benditos de meu Pai, pois eu estava faminto e vós me destes de comer" (Mt 25, 34). E aos outros dirá: "Muito bem, servo fiel e bom: pois que foste fiel em pouco, confiar-te-ei maiores bens; entra no gozo do contentamento do teu Senhor!" (Mt 25, 33).  A outros, porém, dirá: "Afastai-vos de mim, malditos,  e ide para o fogo eterno, que foi preparado para o demônio e seus anjos".  E ainda: "Servo mau e preguiçoso" (Mt 25).  E serão entregues aos algozes e, atados as mãos e os pés, atirados às trevas exteriores. Os justos, porém, fulgirão como o sol, ou mais do que ele.  Aquele dia será o horror  para os maus. Não carece de documentos, de provas, de testemunhas;  o eterno e justo Juiz supre tudo isso. Ele é acusador, testemunha e lançador da sentença.Tudo sabe, nada lhe é incógnito. Naquele dia não haverá ricos e pobres, fracos e poderosos, protegidos e protetores - persistirão somente os fatos em toda a nudez, em toda a realidade. As máscaras hão de cair, e a verdade aparecerá em toda a clareza. 
Afastemos de nós as vestes imundas do pecado, armemo-nos com as armas da luz, pratiquemos o bem e a glória de Deus nos revestirá.


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EPIFANIA DO SENHOR

 

Apolitiquion da Festa
Em vosso batismo no Jordão, Senhor, foi manifestada a adoração da Trindade; pois a voz do Pai prestou-vos testemunho, chamando-vos Filho bem-amado; e o Espírito, sob forma de pomba, confirmou a verdade desta palavra. Ó Cristo Deus que Vos manifestastes e iluminastes o mundo, glória a Vós.

في إِعْتِمادِكَ يا رَبُّ في نَهْرِ الأُرْدُن، ظَهَرَ السُّجُودُ لِلثَالُوث. فَإِنَ صَوتَ الآبِ كَانَ يَشْهَدُ لَكَ، مُسَمِّياً إِيَّاكَ إِبْنَاً مَحْبُوبَاً. و الرُّوحُ بِهَيئَةِ حَمَامَةٍ يُؤَيِدُ حَقِيقَةَ الْكَلِمَة. فَيا مَنْ ظَهَرَ وَ أَنَارَ الْعَالَمْ، اَيُهَا الْمَسِيحُ الإِلَهُ الْمَجْدُ لَك.
 
Hipacoi da Festa
Quando pela vossa epifania, iluminastes todas as coisas, o mar salgado da impiedade fugiu e o Jordão voltou para trás, levando-nos para o céu. Pela intercessão de vossa Mãe, ó Cristo Deus, guardai-nos na sublimidade de vossos mandamentos divinos e salvai-nos.
Condaquion da Festa
Hoje, Senhor, manifestastes-vos ao universo, e vossa luz brilhou sobre nós, que conhecendo-vos, Vos cantamos: Viestes, aparecestes, ó Luz inacessível.



الْيَومَ ظَهَرتَ لِلْمَسْكُونَةِ يَا رَبْ، وَ نُورُكَ قَدِ إِرْتَسَمَ عَلينا، نَحْنُ مُسَبِّحِيكَ عَنْ مَعْرِفَة. لَقَدْ أَتَيْتَ وَ ظَهَرْتَ أَيُهَا النُّورُ الذِّي لَا يُدْنَى مِنْهُ.

BÊNÇÃO SOLENE DAS ÁGUAS

A voz do Senhor faz-se ouvir sobre as águas, dizendo: Vinde, todos, receber o espírito de sabedoria, o espírito de inteligência, o espírito de temor de Deus, do Cristo que se manifestou. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém. Após ter tomado, Senhor, a forma de servo, vieste ao chamado daquele clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor. Pedistes o batismo, Vós que não conhecestes o pecado. As águas vos viram e foram tomadas de espanto; o Precursor pôs-se a tremer e exclamou: Como pode a lamparina iluminar a Luz? Como pode o servo impor as mãos ao senhor? Santificai-me, Senhor, assim como as águas, Vós que tirais os pecados do mundo.

SÚPLICAS
S- Para esta água seja santificada pela virtude, ação e vinda do Espírito Santo. Oremos, ao senhor.
S- Para que nela seja depositada a graça da redenção e a bênção do Jordão, oremos ao Senhor.
S- Para que desça nesta água a virtude purificador da Santíssima Trindade, oremos ao Senhor.
S- Para que sejamos iluminados pela luz da sabedoria e da piedade, provenientes da decida do Espírito santo, oremos aos Senhor.
S- Para que esta água se transforme em proteção contra todas as insídias dos inimigos visíveis e invisíveis, oremos ao Senhor.
S- Para que sejamos livres de toda aflição, ira, perigo e necessidade, oremos ao senhor.
S- Porque sois um Deus misericordioso e amigo dos homens, nós Vos rendemos glória, Pai, Filho e Espírito santo, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.
S- Sois grande, Senhor, e vossas obras são maravilhas, e não há palavra capaz de cantar os louvores de vossas maravilhas (3x). Pois, por vossa vontade, tirastes todos os seres do nada para a existência; por vosso poder conservais a criação e por vossa providência governais o mundo. De quatro elementos compusestes o universo; coroastes com quatro estações o ciclo do anos. Diante de vós tremem as potências inteligíveis. O sol louva-vos, a luz glorifica-vos, as estrelas cumprem as vossas determinações; a luz obedece-vos, os abismos tremem na vossa presença, as fontes estão a vosso serviço. Estendestes o Céu como uma abóbada, firmastes a terra sobre as águas, munistes o mar de uma muralha de areia; fizestes correr o ar para a respiração. Os exércitos angélicos servem-vos; os coros dos Arcanjos adoram-vos; os Querubins de múltiplos olhos e os serafins de seis asas, ficando em círculo e voando, escondem-se de medo de Vossa Glória inacessível. Pois, ó Deus eterno, incircunscritível e inefável, viestes à terra e tomastes uma forma de escravo, tornando-vos semelhante aos homens; não suportastes, ó Senhor, em vossa grande piedade, ver o gênero humano tiranizado pelo demônio, mas viestes e nos salvastes. Cantamos vossa graça; proclamamos vossa misericórdia; não ocultamos vossa bondade.
Libertastes nossa descendência; santificastes o seio virginal por vossos nascimento. Toda a criação vou louvou, quando aparecestes sobre a terra e ficastes com os homens. Santificastes também o curso do Jordão, enviando do Céu vosso Espírito sobre ele, e esmagando as cabeças do dragão que nele estavam escondidas. Vós, pois, ó Rei amigo dos homens, vinde agora também e por vosso Espírito Santo santificai esta água (3x).
Dai-lhe a graça da redenção e a bênção do Jordão. Fazei-a fonte de incorruptibilidade e dom de santificação. Dai-lhe a virtude de perdoar os pecados, de curar as enfermidades, de afugentar os demônios; tornai-a inabordável às potências adversas e cheia de força angélica. Que todos aqueles que dela tirarem e beberem, encontrarem nela a purificação de suas almas e de seus corpos, a cura de suas paixões, a santificação de suas casas e um socorro útil para toda necessidade. Pois sois nosso Deus, Vós que renovastes pela água e pelo Espírito Santo nossa natureza vencida pelo pecado; sois nosso Deus, Vós que afogastes o pecado na água e salvastes Noé; sois Nosso Deus, Vós que libertastes da escravidão de Faraó o povo judeu, conduzido por Moisés através do mar; sois nosso Deus, Vós que fizestes sair água da pedra, no deserto, de modo que dela correram torrentes, e assim destes a beber a vosso povo sedento; sois nosso Deus, Vós que preservastes Israel do erro de Baal pelo ministério de Elias e por meio da água e do fogo. Agora, Senhor, Vós mesmo, santificai esta água por vosso Espírito Santo (3x). Dai a todos aqueles que dela tomarem ou beberem ou com ela se lavarem, a santificação, a saúde, a purificação, a bênção; a fim de que os elementos, os homens, os anjos, as coisas visíveis e invisíveis glorifiquem vosso nome Santo, com o Pai e o Espírito Santo, agora, sempre e pelos séculos dos século. Amém.
S. Paz a todos. T. E a teu espírito.
S. Inclinai vossas cabeças ante o Senhor.
T- Diante de Vós, Senhor.
S- Senhor, abaixai vosso ouvido e atendei-nos, vós que descestes no Jordão para ser batizado e santificastes as águas; abençoai-nos todos, que, pela inclinação de nossas cabeças, vos prestamos a nossa sujeição; tornai-nos dignos de ser cheios de vossa santificação, pela recepção desta água e sua aspersão, seja ela par nós, Senhor, saúde de alma e do corpo. Porque sois a santificação de nossas almas e nós vos rendemos glória, ação de graças e adoração, assim com o vosso Pai e o vosso Espírito Santo, bom e vivificante, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. T. Amém.

Comemoremos, fiéis, a grandeza dos benefícios de Deus para conosco: tornando-se homem no momento de nosso erro, operou, no Jordão, nossa purificação.
Vós, o único puro e imaculado, santificai-me assim como as águas, esmagai nestas águas as cabeças dos demônios.

Irmãos, tomemos da água com alegria, porque a graça do Espírito Santo é dada invisivelmente aos que dela tomam com fé, por cristo Deus, o salvador de nossas almas.

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São Sebastião, defensor da Igreja 


Defensor da Igreja como soldado, como capitão e também como apóstolo dos confessores, daqueles que eram presos.

O santo de hoje nasceu em Narbonne; os pais eram oriundos de Milão, na Itália, do século terceiro. São Sebastião, desde cedo, foi muito generoso e dado ao serviço. Recebeu a graça do santo batismo e zelou por ele em relação à sua vida e à dos irmãos.
Ao entrar para o serviço no Império como soldado, tinha muita saúde no físico, na mente e, principalmente, na alma. Não demorou muito, tornou-se o primeiro capitão da guarda do Império. Esse grande homem de Deus ficou conhecido por muitos cristãos, pois, sem que as autoridades soubessem – nesse tempo, no Império de Diocleciano, a Igreja e os cristãos eram duramente perseguidos –, porque o imperador adorava os deuses. Enquanto os cristãos não adoravam as coisas, mas as três Pessoas da Santíssima Trindade.
Esse mistério o levava a consolar os cristãos que eram presos de maneira secreta, mas muito sábia; uma evangelização eficaz pelo testemunho que não podia ser explícito.
São Sebastião tornou-se defensor da Igreja como soldado, como capitão e também como apóstolo dos confessores, daqueles que eram presos. Também foi apóstolo dos mártires, os que confessavam Jesus em todas as situações, renunciando à própria vida. O coração de São Sebastião tinha esse desejo: tornar-se mártir. E um apóstata denunciou-o para o Império e lá estava ele, diante do imperador, que estava muito decepcionado com ele por se sentir traído. Mas esse santo deixou claro, com muita sabedoria, auxiliado pelo Espírito Santo, que o melhor que ele fazia para o Império era esse serviço; denunciando o paganismo e a injustiça.
São Sebastião, defensor da verdade no amor apaixonado a Deus. O imperador, com o coração fechado, mandou prendê-lo num tronco e muitas flechadas sobre ele foram lançadas até o ponto de pensarem que estava morto. Mas uma mulher, esposa de um mártir, o conhecia, aproximou-se dele e percebeu que ele estava ainda vivo por graça. Ela cuidou das feridas dele. Ao recobrar sua saúde depois de um tempo, apresentou-se novamente para o imperador, pois queria o seu bem e o bem de todo o Império. Evangelizou, testemunhou, mas, dessa vez, no ano de 288 foi duramente martirizado.
São Sebastião, rogai por nós!
 


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Ordem de São Basílio Magno - OSBM

São Basílio é o legislador das regras da Ordem 

Breve histórico da Congregação:

As normas da Ordem, remontam o século IV, quando São Basílio Magno, estabeleceu e legislou e compôs as regras da vida monástica que, até hoje, são observadas pelos monges da Igreja Oriental.

Pessoalmente,  fundou  o primeiro convento para homens, cuja direção foi, mais tarde, entregue a  seu irmão, São Pedro de Sebaste. A essa  fundação, seguiram-se outras e cresceu consideravelmente o número de conventos.  Foi nesta época, que São Basílio escreveu obras belíssimas sobre a vida religiosa,  tornando-se o pai do monaquismo na Igreja Oriental. Sua vida era regida por uma austeridade, que causava admiração a  todos.  Ele,  fundador da Ordem, era a regra viva, dando a todos os religiosos o exemplo de todas as virtudes monásticas.

São  Basílio, este grande  doutor da Igreja, nasceu  em 330, na cidade de Cesaréia, na Capadócia,  como o mais velho de quatro irmãos, dos quais três alcançaram a  dignidade episcopal.  De cinco irmãs, a mais velha, Macrina, dedicou a sua vida a  Deus. 

Os pais do nosso Santo, Basílio e  Emélia, eram ricos  e  gozavam  de grande estima. Criança ainda,  Basílio foi acometido de grave doença,  da qual a  oração do pai maravilhosamente o curou. Entregue aos cuidados de sua avó, Macrina,  recebeu Basílio as  primeiras  instruções na prática cristã.  Mais tarde, começou os estudos em Cesaréia, contemplando o curso em Constantinopla onde se ligou a São Gregório Nazianzeno em íntima amizade.   Quando voltou a Cesaréia, estava morto já o pai.  O exemplo e  as  palavras animadoras da  avó Macrina, confirmaram-lhe o desejo de abandonar o mundo e levar uma vida de penitência e abnegação.  Neste intuito,  visitou diversos  eremitas no Egito, Síria, Palestina e Mesopotâmia, voltando para cesaréia com disposição ainda maior de  realizar esse plano.  O bispo Diânio, conferiu-lhe o leitorado.  Diânio, embora fiel à Religião Católica, por umas  declarações feitas nos concílios de Antioquia e Sárdica,  fez com que a ortodoxia fosse posta em dúvida.  Basílio, profundamente entristecido com esse  fato e para não se expor  e perder a  fé, com grande pesar  se separou do bispo,  a  quem dedicava grande amizade, e  dirigiu-se para Ponto, onde a  santa mãe e uma irmã tinham fundado um convento para donzelas cristãs. 

Basílio, imitando o exemplo, tornou-se fundador  de um convento para homens, cuja direção foi, mais tarde, entregue a  seu irmão, São Pedro de Sebaste. A essas duas fundações, seguiram-se outras e cresceu consideravelmente o número de conventos no Ponto.  Foi nesta época, em que Basílio escreveu obras belíssimas sobre a vida religiosa,  compôs a regra da vida monástica, que até hoje é observada pelos monges da Igreja Oriental. 

São Basílio assim se  tornou o pai do monaquismo na Igreja Oriental. 

 A vida de São Basílio era regida por uma austeridade, que causava admiração a  todos.  Ele,  fundador da Ordem, era a regra viva, dando a todos os religiosos o exemplo de todas as virtudes monásticas.  Era tão magro que parecia só pele e osso.  Aos 49 anos já era velho.  Entretanto,  fraco de  corpo, era  um herói  de  espírito. 

O bispo Diânio, estando gravemente enfermo, mandou chamar para perto de si o santo amigo.  Sucedeu-lhe no bispado Eusébio, de  quem  Basílio  recebeu o presbiterato, com a  ordem de pregar.  Basílio continuou a  vida austera, como se estivesse no meio dos confrades.  Como, porém,  a  fama  de santIdade e  sabedoria do santo servo de Deus, começasse a incomodar e irritar ao bispo Eusébio,  Basílio retirou-se  para a solidão.  Não podiam ficar desapercebidos os sentimentos rancorosos de  Eusébio, o qual, intimado pelas  reclamações e ameaças do povo, tratou de  reabilitar o suposto êmulo.  A insistente propaganda do Arianismo, a calamidade pública, provocada  por uma grande carestia,  a direção de diversos conventos de ambos os sexos, tornaram necessária e imprescindível a  presença de Basílio em  Cesaréia.

Os serviços que naquela ocasião prestou à população,  quer como pregador,  quer como confessor e  esmoler,  foram tantos que o próprio bispo, de desafeto que era, se lhe tornou um dedicado amigo e nada fazia, sem antes se  aconselhar com Basílio. 

Eusébio morreu em 370 e teve por sucessor Basílio, o qual,  como  arcebispo de Cesaréia, veio a ser um astro luminoso da  Igreja Oriental.  Cumpridor dos deveres episcopais, modelo exemplaríssimo em todas as virtudes, era Basílio um baluarte fortíssimo do catolicismo contra os contínuos e  rudes ataques da heresia ariana, cujos defensores mais ardentes e poderosos se  achavam nas imediações do imperador Valente, o qual,  por sua vez,  era  adepto fanático da seita.  Valente não podia de bons olhos,  observar o desenvolvimento grandioso que a  arquidiocese de Cesaréia tomava, sob a direção do  santo pastor.  Uma comissão imperial, chefiada pelo valente capitão Modesto, seguiu com ordens especiais para Cesaréia, para por um paradeiro à atividade  apostólica de Basílio.

O êxito dessa missão foi tão humilhante para os emissários, que maior não podia ser.  Com todas as instruções de que eram portadores, com todas as  lisonjas e ameaças, com todas as  argumentações sutis e  sofísticas,  não puderam impedir  que o espírito, a inteligência, a coragem e  a  intrepidez do santo arcebispo,  se  mostrassem de  uma superioridade admirável. Em três audiências, para as  quais  convidaram Basílio, este respondeu com tanta mansidão, clareza e energia, que no relatório que apresentaram ao imperador, confessaram redondamente a derrota. 

Valente, em conseqüência desse fracasso, não mais importunou os  católicos.  Por ocasião da festa da Epifania foi ele mesmo a Cesaréia assistir ao Santo Sacrifício celebrado por Basílio.  Tão admirado ficou da majestade e  esplendor da  santa função que,  embora não se atrevesse  a  receber a Santa Comunhão  das mãos do arcebispo,  foi com os fiéis fazer oferenda, a qual,  aceita por Basílio que, por motivos  de prudência, julgou conveniente dispensar, por esta vez,  o rigor das leis  disciplinares da Igreja.  Valente caiu em si e  começou a tratar os católicos com mais clemência e  tolerância. 

Não estavam  com isto de  acordo alguns palacianos,  os quais  lançando mão de todos os  meios,  conseguiram, por fim,  um decreto que ordenava a expatriação de Basílio.  No dia em que devia ser executada a  iníqua  sentença, caiu gravemente enfermo o único filho do imperador, e no estado de saúde da imperatriz se deram manifestações alarmantes de perturbações sérias.  Entre dores e desesperos, dizia  ela ao imperador que não havia dúvida tratar-se de  um justo castigo de  Deus. 

Basílio foi reabilitado e com grandes honras  recebido no palácio imperial.  Valente prometeu ao arcebispo a  educação do príncipe herdeiro na religião Católica, se lhe alcançasse Deus o restabelecimento do mesmo.  De fato, o príncipe sarou, mas o imperador, não cumprindo depois a palavra, teve o desgosto de  perder o filho.  Recomeçaram, então,  as  maquinações  contra Basílio.  Estava lavrada a ata, que ordenava o exílio do arcebispo.  Três vezes, o imperador se dispôs a  dar-lhe assinatura e três vezes, quebrou-se-lhe a pena. Assustado com este fato, Valente tomou do papel e, com a mão trêmula,  rasgou o documento. Nunca mais se abriu campanha contra o santo.

Modesto fez as pazes  com Basílio.  Um outro oficial, Eusébio,  que tinha dado ordem de prisão ao bispo,  retirou-a diante da atitude ameaçadora do povo, em defesa de seu pastor. 

 À tempestade, seguiu a bonança.  Basílio pôde com tranqüilidade e paz, dedicar-se aos trabalho do apostolado.  O ano de 379 trouxe-lhe a recompensa do céu.  As últimas palavras que disse, foram:  “Senhor, em vossas  mãos restituo minha alma”.  Morreu com 49 anos de idade.  Figura entre os quatro grandes doutores da Igreja do Oriente. 

Reflexões

São Basílio não hesitou em abandonar o próprio bispo Diânio, quando este começou a travar relações com os hereges.  “No meio de maus e perversos, será mau e perverso igualmente” (II Re 22-27).  Quantos  exemplos não provam  a  verdade  desta palavra do Espírito Santo.  Referimos apenas  dois:  Salomão, o monarca mais sábio do seu tempo,  afastou-se do caminho de  Deus,  fazendo-o rodear de mulheres  pagãs, cujas divindades chegou a adorar.  Dina, impedida pela curiosidade, foi ter com as  filhas de Cana (idólatras) e voltou desonrada, causando esta  desonra a  morte de  muita gente.   Que diz a experiência dos nossos dias? Não são muitos os  católicos que perderam  a fé, devido à relações que tiveram  com seitas  estranhas e ímpios?  Quantas donzelas, quantos jovens choram amargamente a  perda da inocência, resultado da liberdade  que se permitiram, com pessoas do outro sexo?  Que foi que perverteu o moço,  filho de família honrada, a ponto de  ser objeto de desprezo de todos  que o conhecem?  Unicamente a má companhia.  Que levou o esposo, antes exemplar,  a  atentar contra a santidade do matrimônio, senão a companhia de maus elementos? 

A vida e o exemplo  de São Basílio  ensinam-nos que devemos fugir,  como da peste, da influência maligna de más  companhias. Um olhar indiscreto fez com que Davi, o homem segundo o coração de Deus, caísse em pecados gravíssimos, tornando-se adúltero e  assassino. Somos  nós mais  santos que Davi, mais  sábios que Salomão?   

Oração de São Basílio nosso Padroeiro:


Ó glorioso São Basílio, cuja voz ressoou pela terra como um ensino dogmático, vós que explicastes a natureza dos seres e embelezastes os costumes dos homens, pedi a Deus pela salvação de nossas almas. Ó Basílio, difusor dos celestes mistérios e base inabalável da Igreja, confirmai-nos em nossos ensinamentos com aquela autoridade de vossa doutrina, para que, vencendo todas as dificuldades, alcancemos,   a  graça  de   que   precisamos  (Fazer o pedido) e, salvos e amparados, possamos louvor a Deus, cantando vossas glórias na vida e na eternidade. Amém, São Basílio, rogai por nós.
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Circuncisão de N. S. Jesus Cristo
 


Ao Rei dos Santos, ao autor de toda a justiça e santidade, a Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é dedicado o primeiro dia do novo ano. A Igreja celebra neste a memória da Circuncisão de Nosso Senhor, mistério que, com  diz São Bernardo, merece nossa admiração e amor. O Evangelho relata o acontecimento do modo seguinte: “Oito dias depois de nascido, circuncidaram o menino e deram-lhe o nome de Jesus; nome, que o Anjo já lhe tinha dado antes de concebido”. Quatrocentos anos antes da promulgação da lei mosaica, Deus tinha prescrito a circuncisão a Abraão e seus descendentes. Devia ser: 1) o selo da aliança feita entre Deus e Abraão e seus filhos; 2) a confirmação das promessas que Deus fizera a Abraão, ao pai dos fiéis; 3) o sinal distintivo dos judeus, no meio dos infiéis.

 A Circuncisão era o sacramento principal e mais necessário do Antigo Testamento. Era a condição essencial da incorporação ao Povo eleito de Deus. Há Santos Padres que comparam com o batismo, reconhecendo nela um símbolo da purificação do pecado original e da santificação pela graça de Deus. (São Tomás de Aquino). Jesus Cristo, o supremo legislador, o Santo dos Santos, descendente de Abraão, não de modo natural, mas por obra do Espírito Santo, não estava sujeito à lei da Circuncisão. O desejo de dar-nos um exemplo de humildade e obediência fez com que se sujeitasse à dura determinação mosaica.

A Circuncisão desarma a argumentação dos maniqueus e de outros hereges, que negavam em Jesus Cristo a existência de um corpo real, igual ao nosso.

Revestindo-se a nossa natureza, seu sofrimento não foi imaginário, mas real, como o de nós todos. A Circuncisão removeu todas as dificuldades, que os judeus podiam levantar contra a dignidade de Messias, negando-lhe a filiação de Abraão, da família do qual, segundo a divina promessa, o Salvador havia de descender. Pelo seu exemplo veio Jesus Cristo mostrar, que não tinha intenção de abolir, mas cumprir a antiga lei. Finalmente é a Circuncisão uma prova de amor a nós, uma revelação do desejo de sofrer por nós. A Circuncisão nos é garantia da salvação, que Jesus Cristo mais tarde ia realizar e realizou no altar da cruz. Além disto queria Nosso Senhor dar um exemplo de paciência e humildade aos pecadores, mostrando-lhes que, sendo o Senhor de todos, se humilha à condição de pecador, sofrendo na carne inocente as dores mais pungentes. Menino ainda, pelo exemplo, convida-nos à imitação, como mais tarde nos chama a si, dizendo: “Aprendei de mim. Eu vos dei um exemplo, para que façais como tenho feito”. (Jô. 13,  15).

 São Lucas, que de todos os evangelistas é o que mais pormenoriza as circunstâncias do nascimento de Nosso Senhor, quase nada diz sobre a Circuncisão. Não diz o lugar onde a mesma se realizou, nem menciona a pessoa que a executou. É, entretanto, bem motivada a opinião de Santo Epifânio e de outros Santos Padres, segundo a qual Jesus Cristo foi circuncidado no estábulo que o viu nascer e onde recebeu a visita dos Reis Magos. Da Sagrada Escritura sabemos que a Circuncisão, não sendo do ofício sacerdotal, de ordinário era praticada pelo pai da criança. Abraão, que não era sacerdote, circuncidou a Ismael e os filhos dos seus empregados; Sephora, que era mulher, circuncidou o próprio filho. Assim sendo, é provável que a Circuncisão de Nosso Senhor tenha sido feita por São José.

Costume era dos judeus darem à criança o nome por ocasião da Circuncisão. O Arcanjo São Gabriel, portador da celeste mensagem, anunciara à Maria Santíssima o nome de seu divino Filho: “Eis que conceberás – disse o Anjo – e dareis à luz um filho, a quem poreis o nome de Jesus”. Como razão disto, o Anjo acrescentou: “Ele remirá seu povo dos pecados”.(Mt. 1.  21). O nome de Jesus significa, pois: Salvador. Outros homens célebres, antes de Jesus Cristo, eram chamados Salvadores, como Josué, Josedech, Gedeão e Sansão. Eram todos salvadores do seu povo, mas num sentido mui restrito.

Só a Jesus Cristo, nascido da Virgem Imaculada, compete o título pleno de Salvador do mundo, que por Ele foi resgatado, a preço do Seu Divino Sangue.

Entre os Santos Padres, são principalmente São Bernardo, São Bernardino de Siena e São Boaventura, que tecem os maiores elogios ao Santíssimo Nome de Jesus, enaltecendo-lhe o poder e magnificência. São Paulo, em referência a este Santo Nome, já dissera, que  “o Nome de Jesus é acima de todos os nomes; que ao Nome de Jesus todo joelho se dobre no céu, na terra e nos infernos” (Fil. 2,  9). O próprio Cristo dá-nos uma idéia do poder do seu Nome, afirmando-nos que alcançaremos do Pai tudo o que lhe pedirmos em seu Nome. Falando nas grandes obras que serão feitas em virtude de seu Nome, acrescenta: “Em meu Nome expulsarão demônios, falarão novas línguas, manusearão serpentes e se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal; porão as mãos sobre os enfermos e sararão”.(Mc. 16,    17-18).

Os Santos tiveram um grande respeito e profunda veneração ao Santíssimo Nome de Jesus. Era-lhes conforto nas lutas, consolo nas tribulações, escudo contra os inimigos da alma. Nas epístolas de São Paulo, mais de duzentas vezes, se encontra o Nome de Jesus. Os Apóstolos julgaram-se muito honrados, em poderem sofrer alguma coisa por amor ao Nome do divino Mestre. Santo Estevão antes de exalar o espírito, exclamou ainda: “ Senhor Jesus, recebei meu espírito !”(At. 7,  58).


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Santa Macrina, a Jovem Virgem





Macrina era a mais velha dos dez filhos de São Basílio Maior [São Basílio Maior era pai de São Basílio, o Grande, irmão de Santa Macrina e Santa Emelia]. Nascida em Cesaréia da Capadócia, por volta do ano 330, Macrina foi educada com especial esmero por sua mãe que lhe ensinou a ler e acompanhava cuidadosamente suas leituras. O livro da Sabedoria e os Salmos de Davi eram as suas obras preferidas, mas, nem por isso, descuidava de suas tarefas domésticas e de seu trabalho de fiação e costura. Aos doze anos, foi prometida em casamento, mas tendo seu noivo morrido repentinamente, Macrina recusou-se a aceitar qualquer outra proposta de casamento para dedicar-se a ajudar sua mãe na educação dos irmãos mais jovens. São Basílio, o Grande, São Pedro de Sabaste, São Gregório de Nissa e os outros irmãos de Macrina, aprenderam dela o desprendimento das coisas deste mundo, o temor à riqueza e o amor à oração e à Palavra de Deus. Diz-se que São Basílio teria retornado de seus estudos um tanto quanto envaidecido, e que sua irmã lhe teria ensinado a humildade. Macrina foi «pai, mãe, guia, mestra e conselheira» de seu irmão mais novo, São Pedro de Sebaste, pois o pai, São Basílio, o Maior, morreu pouco depois do nascimento de seu último filho. Depois da morte do pai, São Basílio instalou sua mãe e sua irmã numa casa às margens do rio Íris. Ali as duas mulheres, mãe e filha, se entregaram exclusivamente à prática de uma vida ascética, juntamente com outras companheiras.

Com a morte se Santa Emélia, Macrina repartiu sua parte da herança entre os pobres e passou a viver do trabalho de suas mãos. Se irmão, Basílio, morreu no início do ano 379 e, nove meses mais tarde, Macrina ficou gravemente enferma. Quando São Gregório de Nissa foi visitá-la, depois de nove anos longe, encontrou Macrina num leito de tábuas. O santo ficou consolado ao ver com que alegria sua irmã suportava os sofrimentos e impressionou-se com o fervor com que se preparava para a morte. Macrina exalou seu último suspiro ao entardecer, com uma expressão de alegria em sua face. A pobreza na qual vivia era tal que, como mortalha, não dispunha senão de um velho vestido de tecido grosseiro. São Gregório, porém, providenciou uma túnica de linho para esta finalidade. O bispo do lugar, de nome Arauxio, dois sacerdotes e o próprio São Gregório conduziram suas exéquias e, durante o cortejo funerário cantaram-se os hinos dos Salmos. Uma grande multidão se juntou para a despedida de Macrina e suas lamentações chegavam a perturbar a cerimônia fúnebre.

No Diálogo sobre a alma e a Ressurreição, num panegírico dedicado ao monge Olímpio, São Gregório deixou registrada a biografia de sua irmã Macrina, rica em detalhes sobre suas virtudes, sua vida e sobre a morte e sepultamento da Santa. Nele o Santo fala dos milagres: o primeiro, quando Macrina teve sua saúde restabelecida após sua mãe ter traçado sobre ela o sinal da cruz; o segundo, quando a Santa curou uma menina filha de um militar, de uma enfermidade das vistas. São Gregório acrescenta:

«Creio que não será necessário repetir aqui todas as maravilhas que contam os que conviveram com ela e a conheceram de perto… Por incríveis que possam parecer estes milagres, posso vos assegurar que, aqueles que tiveram oportunidade de estudá-los exaustivamente, os consideram como tais. Só os homens carnais se recusam a crer e os consideram impossíveis. Assim, pois, para evitar que os incrédulos sejam castigados por negarem a realidade desses dons de Deus, preferi me abster aqui de repetir essas maravilhas sublimes…»
 
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São Camilo de Léllis, servia a Cristo na pessoa do doente
 


Nasceu no ano de 1550 na Itália. Filho de pai militar, também seguiu essa carreira, mas não pode prosseguir devido a um tumor em um dos pés. Recorreu ao hospital de São Tiago em Roma, onde viveu sua compaixão pelos outros doentes.

Porém, ele deu um ‘sim’ ao pecado, entregando-se ao vício do jogo, onde perdeu tudo e ficou na miséria total. Saiu do hospital devido o seu temperamento. Foi de hospital em hospital para cuidar de sua ferida, até bater na porta dos franciscanos capuchinhos e ali quis trabalhar na obra de Deus.

Com 25 anos começou o seu processo de conversão. No hospital em Roma, Deus suscitou nele a santidade de ver nos doentes a pessoa de Cristo e também o carisma dos ‘Camilianos’. Camilo também viveu uma bela amizade com São Felipe Néri.

Entrou para os estudos, foi ordenado sacerdote, e vendo a realidade dos peregrinos de Roma, que não tinham uma assistência médica digna, foi brotando nele o carisma de servir a Cristo na pessoa do doente, do peregrino. E muitos se juntaram a ele nessa obra. Em cada sofredor está a presença do Crucificado.

São Camilo partiu para o céu em 1614.

São Camilo de Léllis, rogai por nós!

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CORPUS CHRISTI





“Da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração…”

No final do século XIII surgiu em Lieja, Bélgica, um Movimento Eucarístico cujo centro foi a Abadia de Cornillon fundada em 1124 pelo Bispo Albero de Lieja. Este movimento deu origem a vários costumes eucarísticos, como por exemplo, a exposição e bênção do Santíssimo Sacramento, o uso dos sinos durante a elevação na Missa e a festa do Corpus Christi.
Santa Juliana de Mont Cornillon, priora da Abadia, foi escolhida, por Deus para criar esta Festa. A santa desde jovem teve uma grande veneração ao Santíssimo Sacramento. Esperava que algum dia tivesse uma festa especial ao Sacramento da Eucaristia. Este desejo, conforme a tradição foi intensificado por uma visão que teve da Igreja sob a aparência de lua cheia com uma mancha negra, que significava a ausência dessa solenidade.
Juliana comunicou esta imagem a Dom Roberto de Thorete, bispo de Lieja, também ao douto Dominico Hugh, mais tarde cardeal legado dos Países Baixos e Jacques Pantaleón, mais tarde o Papa Urbano IV. A festa mundial de Corpus Christi foi decretada em 1264, 6 anos após a morte de irmã Juliana em 1258, com 66 anos. Santa Juliana de Mont Cornillon foi canonizada em 1599 pelo Papa Clemente VIII.
Dom Roberto não viveu para ver a realização de sua ordem, já que morreu em 16 de outubro de 1246, mas a festa foi celebrada pela primeira vez no ano seguinte, na quinta-feira após à festa da Santíssima Trindade. Mais tarde um bispo alemão conheceu os costumes e o levou por toda atual Alemanha.
Milagre de Bolsena
Certa vez, quando o padre Pedro de Praga, celebrou uma Missa na cripta de Santa Cristina, em Bolsena, Itália, aconteceu um milagre eucarístico: da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração. Alguns dizem que isto ocorreu porque o padre teria duvidado da presença real de Cristo na Eucaristia.
O Papa Urbano IV (1262-1264), que residia em Orvieto, cidade próxima de Bolsena, onde vivia S. Tomás de Aquino, informado do milagre, então, ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a Orvieto. Isso foi feito em procissão. Quando o Papa encontrou os fiéis caminhando na entrada de Orvieto, teria então pronunciado diante da relíquia eucarística as palavras: “Corpus Christi”.
Ainda hoje se conservam, em Orvieto, os corporais onde se apóia o cálice e a patena durante a Missa e também se pode ver a pedra do altar em Bolsena, manchada de sangue.
Instituição da Festa
O Santo Padre movido pelo prodígio, e pelo pedido de vários bispos, fez com que se estendesse a festa do Corpus Christi a toda a Igreja por meio da bula “Transiturus” de 8 setembro do mesmo ano, fixando-a para a quinta-feira depois da oitava de Pentecostes.
O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão, porque o Papa morreu logo em seguida (2 de outubro de 1264), um pouco depois da publicação do decreto, prejudicando a difusão da festa. Mas o Papa Clemente V tomou o assunto em suas mãos e, no Concílio Geral de Viena (1311) ordenou mais uma vez a adoção desta festa.
Em 1317 é promulgada uma recopilação de leis, por João XXII, e assim a festa é estendida a toda a Igreja. Na diocese de Colônia na Alemanha, a festa de Corpus Christi é celebrada antes de 1270.
Procissão
Na paróquia de Saint Martin em Liège, em 1230, quando começou as homenagens ao Santíssimo Sacramento a procissão eucarística acontecia só dentro da igreja. Em 1247, aconteceu a primeira procissão eucarística pelas ruas de Liège, já como festa da diocese. Depois se tornou festa nacional na Bélgica.

Nenhum dos decretos fala da procissão com o Santíssimo como um aspecto da celebração. Porém estas procissões foram dotadas de indulgências pelos Papas Martinho V e Eugênio IV, e se fizeram bastante comuns a partir do século XIV.
Finalmente, o Concílio de Trento declara que muito piedosa e religiosamente foi introduzido na Igreja de Deus o costume, que todos os anos, o santíssimo seja levado em procissão pelas ruas e lugares públicos.
Todo católico deve participar dessa Procissão por ser a mais importante de todas que acontecem durante o ano, pois é a única onde o próprio Senhor sai às ruas para abençoar as pessoas, as famílias e a cidade.
Tapetes, arte e religiosidade
Em muitos lugares criou-se o belo costume de enfeitar as casas com oratórios e flores e as ruas com tapetes ornamentados, tudo em honra do Senhor que vem visitar o seu povo.

No dia dedicado ao Corpo de Deus (Corpus Christi), várias cidades brasileiras, organizam procissões, que percorrem as ruas enfeitadas com tapetes. A confecção de tapetes de rua é uma magnífica manifestação de arte popular
Utilizando diversos tipos de materiais, como serragem colorida, borra de café, farinha, areia e alguns pequenos acessórios, como tampinhas de garrafas, flores e folhas, as pessoas montam, com grande arte, um tapete pelas ruas, formando desenhos relacionados ao Santíssimo.
Por este tapete passa a procissão, o sacerdote vai á frente carregando o ostensório e em seguida pelas pessoas que participam da festa. Tudo isto tem muito sentido e deve ser preservado.
Devoção no Brasil
A tradição de fazer o tapete com folhas e flores vem dos imigrantes açorianos. Essa tradição praticamente desapareceu em Portugal continental, onde teve origem, mas foi mantida nos Açores e nos lugares em que chegaram seus imigrantes, como por exemplo Florianópolis-SC.
As procissões portuguesas eram esplendorosas: tropas, fidalgos, cavaleiros, andores, danças e cantos. A imagem de São Jorge, padroeiro de Portugal, seguia a procissão montada em um cavalo, rodeada de oficiais de gala.
O barroco enriqueceu esta festa com todas as suas características de pompa. Em todo o Brasil esta festa adquiriu contornos do barroco português. Corpus Christi é celebrado desde a época colonial com uma abundância de cores. A tradição de enfeitar as ruas surgiu em Ouro Preto, cidade histórica do interior de Minas Gerais.


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Santa Rita de Cássia, conhecida como Santa dos Impossíveis
Nasceu na Itália, em Cássia, no ano de 1380. Seu grande desejo era consagrar-se à vida religiosa. Mas, segundo os costumes de seu tempo, ela foi entregue em matrimônio para Paulo Ferdinando.
Tiveram dois filhos, e ela buscou educá-los na fé e no amor. Porém, eles foram influenciados pelo pai, que antes de se casar se apresentava com uma boa índole, mas depois se mostrou fanfarrão, traidor, entregue aos vícios. E seus filhos o acompanharam.

Rita então, chorava, orava, intercedia e sempre dava bom exemplo a eles. E passou por um grande sofrimento ao ter o marido assassinado e ao descobrir depois que os dois filhos pensavam em vingar a morte do pai. Com um amor heroico por suas almas, ela suplicou a Deus que os levasse antes que cometessem esse grave pecado. Pouco tempo mais tarde, os dois rapazes morreram depois de preparar-se para o encontro com Deus.



Sem o marido e filhos, Santa Rita entregou-se à oração, penitência e obras de caridade e tentou ser admitida no Convento Agostiniano em Cássia, fato que foi recusado no início. No entanto, ela não desistiu e manteve-se em oração, pedindo a intercessão de seus três santos patronos – São João Batista, Santo Agostinho e São Nicolas de Tolentino – e milagrosamente foi aceita no convento. Isso aconteceu por volta de 1441.


Seu refúgio era Jesus Cristo. A santa de hoje viveu os impossíveis de sua vida se refugiando no Senhor. Rita quis ser religiosa. Já era uma esposa santa, tornou-se uma viúva santa e depois uma religiosa exemplar. Ela recebeu um estigma na testa, que a fez sofrer muito devido à humilhação que sentia, pois cheirava mal e incomodava os outros. Por isso teve que viver resguardada.

Morreu com 76 anos, após uma dura enfermidade que a fez padecer por 4 anos. Hoje ela intercede pelos impossíveis de nossa vida, pois é conhecida como a “Santa dos Impossíveis”.

Santa Rita de Cássia, rogai por nós!
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São Matias, testemunha do Ressuscitado


Nós estamos em festa com toda a Igreja, pois lembramos a santidade de vida de um escolhido do Espírito Santo para o grupo dos apóstolos. São Matias era um discípulo que acompanhou Jesus no tempo de Seu apostolado e foi tão fiel na vivência dos ensinamentos do Mestre, que tornou-se testemunha de Sua ressurreição.

No livro dos Atos dos Apóstolos, estão registrados os fatos que levaram à escolha de um discípulo que ocupasse o lugar deixado por Judas, o traidor: “…é preciso, pois, que um dentre eles se torne conosco testemunha de sua ressurreição. Apresentaram então dois homens: José chamado Barsabás, que tinha o apelido de Justo, e Matias” (Atos 1,22-23).

São Matias recebeu em Pentecostes a efusão do Espírito Santo, e tornou-se um apóstolo ardoroso como os demais, testemunha do Ressuscitado. Evangelizou na Palestina e na Ásia Menor, e morreu mártir por apedrejamento.

São Matias, rogai por nós!

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Nossa Senhora de Fátima

Segundo as memórias da Irmã Lúcia, podemos dividir a mensagem de Fátima em três ciclos: Angélico, Mariano e Cordimariano.
O Ciclo Angélico se deu em três momentos: quando o anjo se apresentou como o Anjo da Paz, depois como o Anjo de Portugal e, por fim, o Anjo da Eucaristia.
Depois das aparições do anjo, no dia 13 de maio de 1917, começa o ciclo Mariano, quando a Santíssima Virgem Maria se apresentou mais brilhante do que o sol a três crianças: Lúcia, 10 anos, modelo de obediência e seus primos Francisco, 9, modelo de adoração e Jacinta, 7, modelo de acolhimento.
Na Cova da Iria aconteceram seis aparições de Nossa Senhora do Rosário. A sexta, sendo somente para a Irmã Lúcia, assim como aquelas que ocorreram na Espanha, compondo o Ciclo Cordimariano.
Em agosto, devido às perseguições que os Pastorinhos estavam sofrendo por causa da mensagem de Fátima, a Virgem do Rosário não pôde mais aparecer para eles na Cova da Iria. No dia 19 de agosto ela aparece a eles então no Valinhos.
Algumas características em todos os ciclos: o mistério da Santíssima Trindade, a reparação, a oração, a oração do Santo Rosário, a conversão, a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Enfim, por intermédio dos Pastorinhos, a Virgem de Fátima nos convoca à vivência do Evangelho, centralizado no mistério da Eucaristia. A mensagem de Fátima está a serviço da Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A Virgem Maria nos convida para vivermos a graça e a misericórdia. A mensagem de Fátima é dirigida ao mundo, por isso, lá é o Altar do Mundo.
Expressão do Coração Imaculado de Maria que, no fim, irá triunfar é a jaculatória ensinada por Lúcia: “Ó Meu Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do Inferno, levai as almas todas para o Céu; socorrei principalmente as que mais precisarem!”
Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!


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Santa Sofia
Santa Sofia, protetora das mães, das viúvas e intercessora contra as doenças da pele.

O nome Sofia significa "sabedoria de Deus". Santa Sofia nasceu em Roma, então governada pelo Imperador Adriano, perto do ano 130. Ela sofreu grande perseguição, principalmente por Antíoco, que era o prefeito de Roma na época. Santa Sofia se converteu ao cristianismo ainda bem jovem e dedicou toda a sua vida a levar Jesus às pessoas.

Esposa, mãe e viúva

Sabe-se que Sofia foi casada e teve três filhas: Fé, Esperança e Caridade. Esses nomes ela escolheu quando levou as filhas para serem batizadas. Ficou viúva e, sozinha, cuidava das filhas. Assim, educou-as na fé cristã e se tornou um exemplo de mulher virtuosa em Roma.

Prisão e tortura das filhas

Por causa de sua fama na cidade e da perseguição contra os cristãos, o prefeito da cidade prendeu Santa Sofia e suas três filhas. A crueldade chegou a tal ponto que, na presença da mãe, o tal prefeito foi torturando uma a uma de suas filhas, para que ela renunciasse a Jesus e sua fé cristã, e adorasse aos deuses romanos. A Santa e suas três filhas, porém, se mantiveram firmes na fé, na certeza de que Jesus era o único Rei e Senhor da vida delas e de todas as outras.

Sofrimento e morte das filhas

Os torturadores amarraram Santa Sofia para que ela assistisse as torturas de suas filhas e renunciasse a sua fé. A primeira filha, Santa Fé, amarraram, quebraram seus braços e pernas, chicotearam até sua morte. A segunda, Santa Esperança, colocaram em um tacho com betume quente até que ela morresse. E a terceira, Santa Caridade, foi decapitada. Todas foram torturadas à frente da mãe, mas Santa Sofia, sustentada pela força divina, permaneceu rezando por elas e dando forças para que aguentassem sem esmorecer na fé. Todas morreram rezando junto com a mãe. 

Deixada viva para sofrer

O prefeito, vendo que Santa Sofia não renunciaria à fé, resolveu deixa-la viva, afim de que sofresse moralmente a perda das filhas. Santa Sofia sofreu, sim, o trauma da morte e a falta das filhas, mas permaneceu firme na fé e encorajando a todos que encontrava. Seu conforto era saber, com certeza no coração, que suas filhas deram a vida por Jesus e estavam na glória de Deus. 

Perde todos os bens

Após a morte das filhas, Santa Sofia perdeu tudo que tinha: bens, casa, família, mas continuou levando várias pessoas para o cristianismo, sem perder sua confiança em Jesus Cristo em nenhum momento.

Referência para os primeiros cristãos

Os cristãos eram presos, torturados e mortos. Santa Sofia, então, se tornou uma força para todos. Com seus jejuns, trabalhos e orações, dava grande exemplo de fé e amor a Jesus Cristo e animava a todos. Assim, conseguiu levar milhares de pessoas para a fé cristã.

Morte de Santa Sofia

Algum tempo depois, enquanto rezava sobre o tumulo das três filhas, Santa Sofia caiu morta sobre ele.  Foi em setembro do ano 130 depois de Cristo. Ela foi sepultada no mesmo túmulo de suas filhas.

Milagres

Vários milagres começaram a acontecer, principalmente a cura de feridas na pele das pessoas que iam rezar a Santa Sofia e suas filhas. Por isso, ela se tornou uma das Santas mais venerados no Oriente. 

Hagia Sofia

Por causa de seus sofrimentos e da importância de sua história para os cristãos, em sua honra foi construída uma magnífica Basílica em Constantinopla, atual Istambul, Turquia. Trata-se da famosa e esplendorosa Basílica de Santa Sofia, conhecida também como Hagia Sofia. Porém, após a conquista pelos muçulmanos, o magnífico templo se tornou uma mesquita e hoje é um museu. No Rio de Janeiro existe uma igreja, no bairro de Cosmos, dedicada a Santa Sofia. 

Oração a Santa Sofia
"Santa Sofia, Sabedoria de Deus, buscastes na contemplação de Cristo Crucificado força e coragem para a tua vida. Não desprezastes a vida na terra, porque teus olhos fixos no Cristo encontravam sentido melhor para tudo o que devias fazer. Indicastes para muitas pessoas o verdadeiro caminho a seguir, procurando na vida de Cristo no Evangelho, a fonte de inspiração para conviver melhor com todos. Ajuda-me a participar mais de nossa religião. De Deus, que é Pai, espero confiante tudo o que preciso para a minha felicidade. Ensina-me a ser sempre agradecido( a ) por tudo o que acontece em minha vida. Quer que eu também ajude outras pessoas a conhecer e a sentir a bondade de Deus."
Santa Sofia, rogai por nós. Amém.
 
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Santa Catarina de Sena
Neste dia, celebramos a vida de uma das mulheres que marcaram profundamente a história da Igreja: Santa Catarina de Sena. Reconhecida como Doutora da Igreja, era de uma enorme e pobre família de Sena, na Itália, onde nasceu em 1347.

Voltada à oração, ao silêncio e à penitência, não se consagrou em uma congregação, mas continuou, no seu cotidiano dos serviços domésticos, a servir a Cristo e Sua Igreja, já que tudo o que fazia, oferecia pela salvação das almas. Através de cartas às autoridades, embora analfabeta e de frágil constituição física, conseguia mover homens para a reconciliação e paz como um gigante.

Dotada de dons místicos, recebeu espiritual e realmente as chagas do Cristo; além de manter uma profunda comunhão com Deus Pai, por meio da qual teve origem sua obra: “O Diálogo”. Comungando também com a situação dos seus, ajudou-o em muito, socorrendo o povo italiano, que sofria com uma peste mortífera e com igual amor socorreu a Igreja que, com dois Papas, sofria cisão, até que Catarina, santamente, movimentou os céus e a terra, conseguindo banir toda confusão. Morreu no ano de 1380, repetindo: “Se morrer, sabeis que morro de paixão pela Igreja”.

Santa Catarina de Sena, rogai por nós!
 

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São Marcos Evangelista

Celebramos com muita alegria a vida de santidade de um dos quatro Evangelistas: São Marcos. Era judeu de origem e de uma família tão cristã que sempre acolheu aos primeiros cristãos em sua casa: “Ele se orientou e dirigiu-se para a casa de Maria, mãe de João, chamado Marcos; estava lá uma numerosíssima assembleia a orar” (Atos 12,12).

A tradição nos leva a crer que na casa de São Marcos teria acontecido a Santa Ceia celebrada por Jesus, assim como dia de Pentecostes, onde “inaugurou” a Igreja Católica. Encontramos na Bíblia que o santo de hoje acompanhou inicialmente São Barnabé e São Paulo em viagens apostólicas, e depois São Pedro em Roma


São Marcos na Igreja primitiva fez um lindo trabalho missionário, que não teve fim diante da prisão e morte dos amigos São Pedro e São Paulo. Por isso, evangelizou no poder do Espírito Alexandria, Egito e Chipre, lugar onde fundou comunidades. Ficou conhecido principalmente por ter sido agraciado com o carisma da inspiração e vivência comunitária, que deram origem ao Evangelho querigmático de Jesus Cristo segundo Marcos.

São Marcos, rogai por nós!


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Sobre São Jorge
Devotos no mundo inteiro comemoram no dia 23 de abril, o Dia de São Jorge, o santo padroeiro da Inglaterra, de Portugal, da Catalunha, dos soldados, dos escoteiros etc. No oriente, São Jorge é venerado desde o século IV e recebeu o honroso título de “Grande Mártir”.

Guerreiro originário da Capadócia e militar do Império Romano ao tempo do imperador Diocleciano, Jorge converteu-se ao cristianismo e não aguentou assistir calado às perseguições ordenadas pelo imperador. Foi morto na Palestina no dia 23 de abril de 303. Ele teria sido vítima da perseguição de Diocleciano, sendo torturado e decapitado em Nicomédia, tudo devido à sua fé cristã.

A imagem de todos conhecida, do cavaleiro que luta contra o dragão, foi difundida na Idade Média. Está relacionada às diversas lendas criadas a seu respeito e contada de várias maneiras em suas muitas paixões. Iconograficamente, São Jorge é representado como um jovem imberbe, de armadura, tanto em pé como em um cavalo branco com uma cruz vermelha. Com a reforma do calendário litúrgico, realizada pelo papa Paulo VI, em maio de 1969, tornou-se opcional a observância do seu dia festivo. Embora muitos ainda suspeitem da veracidade de sua história, a Igreja Católica reconhece a autenticidade do culto ao santo. O culto do santo chegou ao Brasil com os portugueses. Em 1387, Dom João I já decretara a obrigatoriedade de sua imagem nas procissões de Corpus Christi. O Sport Clube Corinthians Paulista foi outra grande contribuição para a popularização de São Jorge, primeiro no Estado de São Paulo e depois no País, ao escolher o santo como seu padroeiro e protetor, em 1910.

A quantidade de milagres atribuídos a São Jorge é imensa. Segundo a tradição, ele defende e favorece a todos os que a ele recorrem com fé e devoção, vencendo batalhas e demandas, questões complicadas, perseguições, injustiças, disputas e desentendimentos.

São Jorge é venerado desde o século IV

O culto a São Jorge vem do século 4 dC. O soldado foi martirizado na Palestina no dia 23 de abril de 303, vítima da perseguição do imperador Diocleciano. Foi torturado e teve a cabeça cortada, em Nicomédia, devido a sua fé cristã.

Os restos mortais de São Jorge foram transportados para Lídia (antiga Dióspolis), onde foi sepultado, e onde o imperador cristão Constantino (que depois de vários imperadores anti-cristãos converteu-se e a império à religião cristã) mandou erguer suntuoso oratório aberto aos fiéis. Seu culto espalhou-se imediatamente por todo o Oriente. No século V, já havia cinco igrejas em Constantinopla dedicadas a São Jorge. Só no Egito, nos primeiros séculos após sua morte, foram erguidas quatro igrejas e quarenta conventos dedicados ao mártir. Na Armênia, na Grécia, no Império Bizantino (a região oriental do Império Romano, que tinha capital em Bizâncio, depois, Constantinopla) São Jorge era inscrito entre os maiores Santos da Igreja Católica. No Ocidente, na Idade Média, as Cruzadas colocaram São Jorge à frente de suas milícias, como Patrono da Cavalaria. Na Itália, era padroeiro da cidade de Gênova. Na Alemanha, Frederico III dedicou a ele uma Ordem Militar. Na França, São Gregório de Tours era conhecido por sua devoção a São Jorge; o rei Clóvis dedicou-lhe um mosteiro, e sua esposa, Santa Clotide, erigiu várias igrejas e conventos em sua honra. A Inglaterra foi o país ocidental onde a devoção ao santo teve papel mais relevante. O monarca Eduardo III colocou sob a proteção de São Jorge a Ordem da Cavalaria da jarrateira, fundada por ele em 1330. Por considera-lo o protótipo dos cavaleiros medievais, o inglês Ricardo Coração de Leão, comandante de uma das primeiras Cruzadas, constituiu São Jorge padroeiro daquelas expedições que tentavam conquistar a Terra Santa aos muçulmanos. No século 13, a Inglaterra celebrava sua festa como dia santo e de guarda e, em 1348, criou a Ordem dos Cavaleiros de São Jorge. Os ingleses acabaram por adotar São Jorge como padroeiro do país, imitando os gregos que também trazem a cruz de São Jorge na sua bandeira. Ainda durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) muitas medalhas de São Jorge foram cunhadas e oferecidas aos enfermeiros militares e às irmãs de caridade que se sacrificaram ao tomar conta dos feridos da guerra. As artes, também, divulgaram amplamente a imagem do santo. Em Paris, no Museu do Louvre, há um quadro famoso de Rafael (1483-1520), intitulado “São Jorge vencedor do Dragão”. Na Itália, existem diversos quadros célebres, como o de autoria de Donatello (1386-1466).

São Jorge e a morte do dragão

A imagem conhecida de todos, do cavaleiro que luta contra o dragão, está relacionada às lendas criadas a partir da Idade Média. Há uma grande variedade de histórias relacionadas a São Jorge. O relato e a imagem de todos conhecidos, do cavaleiro que luta contra o dragão, começaram a ser difundidos na Idade Média . A imagem atual do santo, sentado em um cavalo com uma lança que atravessa um dragão, está relacionada às diversas lendas criadas a seu respeito, contadas de várias maneiras em suas muitas paixões. A versão mais corrente dá conta que um horrível dragão saía de vez em quando das profundezas de um lago e atirava fogo contra os muros de uma longínqua cidade do Oriente, trazendo morte com seu mortífero hálito. Para não destruir toda a cidade, o dragão exigia regularmente que lhe entregassem jovens mulheres para serem devoradas. Um dia coube à filha do Rei ser oferecida em comida ao monstro. O Monarca, que nada pôde fazer para evitar esse horrível destino da tenra filhinha, acompanhou-a com lágrimas até às margens do lago. A princesa parecia irremediavelmente destinada a um fim atroz, quando de repente apareceu um corajoso cavaleiro vindo da Capadócia, montado em um cavalo branco, São Jorge. Destemidamente, enfrentou as perigosas labaredas de fogo que saíam da boca do dragão e as venenosas nuvens de fumaça de enxofre que eram expelidas pelas narinas do monstro. Após um duro combate, finalmente São Jorge venceu o terrível dragão, com sua espada de ouro e sua lança de aço. O misterioso cavaleiro assegurou ao povo que tinha vindo, em nome de Cristo, para vencer o dragão. Eles deviam converter-se e ser batizados. Para alguns, o dragão (o demônio) simbolizaria a idolatria destruída com as armas da Fé. Já a donzela que o santo defendeu, representaria a província da qual ele extirpou as heresias. A relação entre o santo e a lua viria de uma lenda antiga que acabou virando crença para muitos. Diz a tradição que as manchas apresentadas pela lua representam o milagroso santo e sua espada pronto para defender aqueles que buscam sua ajuda.

Desde 1969, Igreja Católica tornou opcional a celebração a São Jorge

Embora muitos considerem que sua história não passe de um mito e outros até mesmo acreditem que o santo tenha sido cassado pela Igreja Católica, o martírio de São Jorge e o seu culto continuam sendo reconhecidos pelo catolicismo. A lenda do guerreiro que matou o dragão havia sido rejeitada no século 5 por um concílio, mas persistiu e ganhou enorme popularidade no tempo das Cruzadas. “A imagem atual é fruto de uma lenda. Isso não quer dizer, no entanto, que esse santo não existiu e que o martírio dele não foi significativo”, diz o monsenhor Arnaldo Beltrami, vigário episcopal de comunicação da Arquidiocese de São Paulo. No dia 9 de maio de 1969, a observância do Dia de São Jorge tornou-se opcional, com a reforma do calendário litúrgico, realizada pelo papa Paulo VI. A reforma retirou do calendário litúrgico as comemorações dos santos dos quais não havia documentação histórica, mas apenas relatos tradicionais. Daí ter-se falado, naquele tempo, em “cassação de santos”. Mas o fato da celebração do Dia de São Jorge tornar-se opcional não significa o não reconhecimento do santo.

São Jorge é o padroeiro da Inglaterra

O “Santo Guerreiro” é também o padroeiro da Inglaterra, de Portugal e da Catalunha (região da Espanha que reivindica identidade nacional, onde se localiza Barcelona). Não há consenso, porém, a respeito da maneira como teria se tornado patrono da Inglaterra. Seu nome era conhecido na Inglaterra e na Irlanda muito antes da conquista normanda, o que leva a crer que os soldados que retornavam das Cruzadas influíram bastante na disseminação de sua popularidade. Acredita-se que o santo tenha sido escolhido o padroeiro do reino quando o rei Eduardo III fundou a Ordem dos Cavaleiros de São Jorge, em 1348. Em 1415, a data de sua comemoração tornou-se um dos feriados mais importantes do país. Em 1970, a festa anual do santo nas igrejas católicas foi tornada opcional, com a reforma do papa Paulo VI. Entretanto, na Inglaterra e em outros lugares onde São Jorge é especialmente venerado, tal festa guarda ainda toda a sua antiga solenidade. Os ingleses acabaram por adotar São Jorge como padroeiro do país.


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São José  -Esposo da Virgem Maria-
 
A devoção  a São José na Igreja Católica é antiquíssima. A Igreja do Oriente celebra-lhe a festa desde o século nono, tendo os Carmelitas introduzido tal festa na Igreja ocidental. Os Franciscanos em 1399 já festejavam a comemoração do santo Patriarca. Xisto IV inseriu-a no breviário e no missal; Gregório XV generalizou-a em toda a Igreja. Clemente XI compôs o ofício com os hinos para o dia 19 de março e colocou as missões da China sob a proteção de São José. Pio IX introduziu, em 1847, a festa do Patrocínio de São José e, em 1871 declarou-o PADROEIRO DA IGREJA CATÓLICA; Leão XIII e Benedito XV recomendaram aos fiéis a devoção a São José, de um modo particular, chegando este último Papa a inserir no missal um prefácio próprio.

Nada sabemos a respeito  da infância de São José, tampouco da vida que levou, até o casamento com Maria Santíssima. Os santos Evangelhos não nos dizem cousa alguma a respeito; limitam-se apenas a afirmar que  José era justo, o que  quer dizer: José era cumpridor da lei, homem santo.

Que a virtude e santidade de São José foram extraordinárias, vemos pela grande missão que Deus lhe confiou. Segundo a Doutrina de São Tomás de Aquino, Deus confere as graças e privilégios à medida da dignidade e da elevação do estado, a que destina o indivíduo. Pode imaginar-se dignidade maior que a de S. José que, pelos desígnios de Deus, devia ser esposo de Maria Santíssima e pai nutrício de seu divino Filho?  Maria Santíssima, consentindo no enlace com o santo descendente de David, não podia ter outra cousa em mira, senão uma garantia para o futuro, uma defesa de sua virtude e uma satisfação perante a sociedade, visto que no Antigo Testamento não era conhecida, e muito menos considerada, a vida celibatária. Celebrando o contrato, Maria Santíssima certamente o fez com  a garantia absoluta da pureza virginal, que por inspiração divina votara a Deus.  Ao realizar-se a grandiosa obra da Encarnação do Verbo , o Arcanjo Gabriel comunicou-se o grande mistério, que nela se havia de realizar e, após pronunciar o "fiat", consentindo sua maternidade operada pelo Espírito Santo, deixou São José em completa ignorância. Com esse consentimento, dirigiu-se à casa de Isabel, onde se demorou três meses e, de volta para casa, seu estado causou no espírito se São José as mais graves preocupações e cruéis  dúvidas. A virtude e a santidade da esposa estavam acima de qualquer  suspeita, não lhe permitindo explicação menos favorável. Nesta perplexidade invencível, resolveu abandonar a esposa e, quando tudo já estivesse providenciado para a partida, um Anjo do Senhor lhe aparece em sonhos e lhe diz: : "José, filho de Davi, não temas admitir Maria, tua Esposa, porque o que nela se operou é obra do Espírito Santo". Foram assim de vez dissipadas as negras nuvens do espírito de José. Com quanto respeito, com quanta atenção não teria tratado aquela, que pela fé sabia ser o tabernáculo vivo do Messias.



Ignora-se quando São José  morreu. Há razões que fazem supor que o desenlace se  tenha dado antes da vida pública de Jesus  Cristo. Certamente não se achava mais vivo quando seu Filho morreu na cruz; do contrário não se explicaria porque Jesus recomendou a Mãe a São João Evangelista, não tendo por isto razão, se estivesse vivo São José.

Que morte santa terá tido o pai nutrício de Jesus! Que felicidade morrer nos braços do próprio Jesus Cristo, tendo à cabeceira a Mãe de Deus! Mortal algum teve igual ventura. A Igreja com muita razão invoca São José como padroeiro dos moribundos e os cristãos se  lhe dirigem com confiança, para alcançar a graça de uma boa morte.  

Não existem relíquias de S. José, tampouco sabe-se algo do lugar onde foi sepultado. Homens ilustrados e versados nas ciências teológicas houve e há  que defendem a opinião que S. José, em atenção a sua alta posição e grande santidade, foi, como São João Batista, santificado antes do nascimento e já gozava de corpo e alma da glória de Deus no céu, em companhia de Jesus, seu Filho e Maria, sua Santíssima esposa. 

Grande deve ser a nossa confiança na intercessão de S. José. Não há pessoa, não há classe que não possa, que não deva se lhe dirigir. Santa Tereza, a grande propagandista da devoção a São José, chegou a dizer: "Não me lembro de ter-me dirigido a São José, sem que tivesse obtido tudo que pedira".



Reflexões

São José é um dos grandes santos a que a Igreja patenteia a maior devoção e confiança. E com razão! O Esposo de Maria Santíssima, o pai putativo de Cristo, tendo recebido de Deus as  mais honrosas distinções, quão caro não deve ser ao Onipotente, quanto poder não deve ter sobre o coração do Divino Filho. Recorram, pois, àquele  modelo de vida oculta e contemplativa os que escolheram para si o melhor modelo de perfeição. Recorram todos a São José para obter a pureza do corpo, da alma e do espírito. Ele é o advogado dos agonizantes porque só ele, entre os mortais, teve a graça de expirar nos braços de Jesus e Maria. 
 
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14 de Fevereiro - São Valentim

O mártir, quer dizer os dois mártires, de nome Valentim, que viveram no mesmo período da História e são comemorados em 14 de fevereiro, deram o nome a uma simpática tradição, chamada de "dia dos valentins" significando "dia dos namorados". Ainda esta tradição, indicava a festa de São Valentim como o início da primavera, estação do despertar da vida e também do romance, quando os pássaros começam a preparar seus ninhos.

Mas, São Valentim se tornou o protetor dos namorados, ou melhor, os dois se tornaram, por outro motivo, além desta tradição dos devotos. Vejamos porque. O primeiro mártir, um soldado romano, foi incluído no Martirológio Romano com o nome de Valentim. O segundo foi inserido como Valentim de Terni, pois era o bispo dessa diocese. O registro sobre sua vida pode ser encontrado por esse nome, em outra página.

No século III, em Roma, Valentim, era um sacerdote e o imperador era Cláudio II,o Gótico. O Império enfrentava muitos problemas, com inúmeras batalhas perdidas. O imperador deduziu que a culpa era dos soldados solteiros, que segundo ele, eram os menos destemidos ou ousados nas lutas. E, mais, que depois de se ferirem levemente, pediam dispensa das frentes. Mas, o que era pior, retornavam para o exército, casados e nesta condição queriam voltar vivos, enfraquecendo os exércitos. Por isto, proibiu a celebração dos casamentos.


Valentim, que considerava essa medida injusta, continuou a celebrar os casamentos, mas secretamente. Quando soube das ações do sacerdote, Cláudio mandou que fosse preso e o interrogou publicamente. Suas respostas foram elogiadas pelo soberano que disse: "Escutem a sábia doutrina deste homem". E, de fato, parece que a pregação de Valentim, o tinha impressionado, pois o mandou para uma prisão domiciliar, indicando a residência do prefeito romano Asterio, onde todos eram pagãos.

Logo que chegou na casa, o sacerdote ficou sabendo que o prefeito tinha uma filha cega. Disse aos familiares que iria rezar e pedir para Jesus Cristo pela cura da jovem, o que ocorreu alguns dias depois. Mas, nesta altura dos fatos, Valentim havia convertido a família interia do prefeito. Isto agravou sua pena, sendo condenado a morte.

A antiga lenda acrescentou que após curar a jovem, ele teria se enamorado dela, platonicamente, mas preferiu o seu ministério. Antes de morrer teria escrito uma carta para a jovem e a entregou ao pai dela. No dia 14 de fevereiro de 286 foi levado para a chamada via Flaminia, onde foi morto a pauladas e depois decapitado.

A sepultura de Valentim foi encontrada em 346, numa capela subterrânea na via Flaminia. Dez séculos depois, antigos registros o indicaram como irmão de São Zenão Hoje, as suas relíquias estão na Igreja de São Praxedes num Oratório dedicado a São Zenão e Valentim.


O mártir Valentim, se tornou santo porque morreu pelo testemunho de seu sacerdócio. A Igreja o considera padroeiro dos namorados por ter defendido com sua vida o Sacramento do Casamento e não pelo motivo acrescentado pela lenda.
Tudo na vida tem um início e portanto sua explicação ou história. Como aconteceu com o "Dia de São Valentim", que tem de tudo: fé, política e romance. Além do interessante fato de serem dois os santos mártires festejados neste dia, com o mesmo nome e ambos declarados pela Igreja, protetores dos namorados. Cada um por sua justa razão, como se pode verificar no texto da página de São Valentim, o sacerdote mártir.

Conforme os registros da diocese de Terni, Valentim foi consagrado em 197, sendo seu primeiro bispo e considerado fundador da cidade. Consta que ao lado de sua casa e da igreja havia um imenso prado e um belo jardim. Quanto não estava trabalhando na igreja ou tratando de algum doente, podia ser visto cuidando das rosas que cultivava. À tarde ele abria os portões para as crianças brincarem e correrem livremente. Ao entardecer ele abençoava cada uma entregando uma flor, para ser entregue às suas mães. A sua intenção era fazer as crianças irem direto para casa e alimentar o amor e respeito pelos pais.

Valentim, tinha o dom do conselho, sua fama de reconciliador dos casais de namorados era muito difundida. Tudo começou assim: certo dia, ouvindo dois jovens namorados brigando, que pararam ao lado da cerca do seu jardim, foi ao encontro deles levando na mão uma linda rosa. O capuz caído, a figura serena e sorridente do bom velho e aquela rosa que ele parecia lhes oferecer, tiveram o mágico poder da acalmar os dois namorados em briga. Depois, quando ele, entregando realmente a rosa vermelha, pediu que os dois juntos apertassem o cabo com cuidado para não se espetarem e explicou o "cor unum", que em latim significa "união de corpos" de duas pessoas casadas, o amor retornou como antes.

Algum tempo depois, os dois procuraram Valentim para marcar o casamento, que celebrou e abençoou a união do casal. Na cerimônia compareceram quase todos da cidade, querendo participar do final feliz do casal reconciliado. A história se espalhou e sua fama se criou.


Além do dom do conselho, Valentim possuía o da cura, que aumentava conforme sua idade. Muitas vezes viajava, a pedido de outras dioceses, para atender os enfermos. Em 272, foi chamado para cuidar de um doente em Roma. Durante sua estadia na cidade, Valentim converteu o famoso filósofo grego Crato e três de seus jovens discípulos atenienses. Este zelo o expôs aos delatores pagãos. Nesta época o imperador era Aureliano, ardiloso e cruel. Os discípulos de Crato foram ao julgamento em defesa do bispo, mas nada puderam fazer. Valentim foi condenado à morte e decapitado em 14 de fevereiro de 273. Os três jovens recém convertidos resgataram seu corpo e o transportaram para Terni onde foi sepultado.

A sua festa no dia 14 de fevereiro e a sua fama ganharam força em toda a Itália. Na Idade Média, foi ganhando reforços e hoje é festeja em todo o planeta por todos os casais devotos.
A Igreja o incluiu no Calendário Litúrgico como São Valentim de Terni, o bispo mártir, protetor dos jovens e dos namorados. As suas relíquias estão na Igreja das Carmelitas, na cidade de Terni, em Roma. Ao lado de sua urna de prata, coberta por uma redoma de cristal, existe a seguinte inscrição: "São Valentim, patrono do amor". Há também um belo vitral com a imagem do santo bispo abençoando um casal ajoelhado que segura uma rosa

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